Carregando noticias automotivas

Preparando conteudo do Auto News Brasil...

Testes de Carros

A Fiat Strada é o carro mais vendido do Brasil, acumulando 142.903 novos registros ao longo de 2025. Embora as versões voltadas ao trabalho sejam responsáveis pelo embalo das vendas, a picape pequena dispõe de configurações interessantes para o cliente da cidade. Auto News Brasil conheceu uma delas: a Strada Volcano 1.3, com cabine dupla e câmbio automático (R$ 138.990).

Publicidade

Em outras palavras, a Strada Volcano quer ser vista como a “mini-Toro”. Isso porque sua proposta urbana é a mesma da irmã de porte intermediário, embora o preço não chegue nem perto ao da versão Endurance (R$ 163.990), o modelo mais em conta no catálogo da Toro.

Continua depois da publicidade

Mas quais são as qualidades e defeitos da Strada Volcano? Faz sentido comprar uma picape para usar na cidade? Auto News Brasil dirigiu o modelo por uma semana para descobrir. Acompanhe as impressões abaixo:

Publicidade

Motivos para comprar

1°) Praticidade de automóvel, caçamba de picape

Publicidade
A Strada Volcana quer ser vista como um automóvel urbano que tem uma caçamba — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
A Strada Volcana quer ser vista como um automóvel urbano que tem uma caçamba — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

O primeiro motivo para adquirir a Strada Volcano é, justamente, a sua proposta. Você não vai encontrar outra picape compacta de quatro portas entre as rivais — nem na Volkswagen, que oferece a Saveiro Extreme de cabine dupla por R$ 134.190. A marca alemã vai lançar a sucessora da veterana no final deste ano, no projeto conhecido como Udara — porém, será quase 30 cm maior do que os 4,48 m de comprimento da Strada. A Chevrolet Montana também é 23 cm superior ao modelo da Fiat.

Enquanto a Saveiro tem apenas as portas dianteiras — com um dispositivo para rebater e deslizar os bancos frontais e permitir o acesso ao banco traseiro —, a Strada tem a praticidade de um automóvel comum: para acessá-la, basta abrir as duas portas traseiras. Alguns leitores hão de lembrar que, na geração anterior, a picape tinha somente uma porta traseira, com abertura no estilo “suicida”.

Dessa forma, não precisei lidar com inconveniências ao levar pessoas no banco traseiro. Cada um entrou por sua porta, e seguimos caminho.

2°) A picape é muito equipada

Ar-condicionado digital, central multimídia e painel de instrumentos digital marcam presença — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Ar-condicionado digital, central multimídia e painel de instrumentos digital marcam presença — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Outro ponto bacana sobre a Strada Volcano é que o pacote de equipamentos é simples, mas encorpado. Não senti falta de qualquer item em comparação com carros da mesma faixa de preço. É outra característica de carro de passeio incorporada à picape mais vendida do Brasil.

Central multimídia é pequena, mas cumpre bem o seu papel — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Central multimídia é pequena, mas cumpre bem o seu papel — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

A Strada tem central multimídia de 8,4 polegadas. Embora a tela seja pequena em comparação com os suntuosos displays flutuantes que tomam conta dos carros modernos, traz as funções mais importantes. Há, por exemplo, conectividade Android Auto e Apple CarPlay sem fio, enquanto carros de valores mais elevados ainda não oferecem este recurso — caso do Geely EX5 (R$ 225.800).

Ar-condicionado é digital e tem botões giratórios — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Ar-condicionado é digital e tem botões giratórios — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Abaixo da central, o ar-condicionado tem displays digitais com dois botões giratórios. No console, há um espaço ventilado para o carregador de celular por indução, o que impede que o aparelho esquente durante o pareamento sem fio. Todavia, indo na contramão de outros carros da Stellantis, há somente uma entrada USB do tipo A para recarregar o smartphone por cabo. Faria sentido ter outra entrada, do tipo C, para aparelhos mais modernos.

Strada Volcano tem velocímetro digitale computador de bordo — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Strada Volcano tem velocímetro digitale computador de bordo — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Por fora, a Strada traz faróis marcantes com assinatura de LED e iluminação de neblina. A versão Volcano sai de fábrica com capota marítima para cobrir a caçamba e evitar a infiltração de água.

3°) Entrosamento entre motor e câmbio

Motor 1.3 aspirado combina muito bem com a picape compacta da Stellantis — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Motor 1.3 aspirado combina muito bem com a picape compacta da Stellantis — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Faz alguns anos que a Strada adotou a combinação do motor 1.3 aspirado flex de quatro cilindros com câmbio CVT de 7 marchas simuladas. O conjunto desenvolve 107 cv a 5.750 rpm e 13,7 kgfm a 4.000 rpm quando abastecido com etanol. É a mesma receita do Argo.

Este motor vibra consideravelmente, há de ser dito, mas tem funcionamento acertado — especialmente quando a caçamba está descarregada. As intervenções do câmbio CVT são rápidas e inteligentes, com uma simulação de passagem de marchas que pode enganar até os motoristas mais experientes.

Segundo a Fiat, a Strada precisa de 12 segundos para atingir 100 km/h e tem velocidade máxima de 165 km/h. Em comparação com a versão manual, é apenas 0,8 s mais lenta, mostrando que as caixas automáticas modernas, mesmo as continuamente variáveis, já não afetam o desempenho como outrora.

Quanto ao consumo, o Inmetro divulga que a Strada Volcano faz 8,8 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada com etanol, além de 12,4 km/l em circuito urbano e 13,9 km/l em trajeto rodoviário com gasolina. O computador de bordo mostra o consumo instantâneo onde, dirigindo de maneira comedida, consegui aferir 13,1 km/l na cidade com gasolina.

4°) A suspensão é bem acertada

Picape compacta é equilibrada para proporcionar conforto e não "pular" com a caçamba carregada — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Picape compacta é equilibrada para proporcionar conforto e não "pular" com a caçamba carregada — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

A Strada é um veículo utilitário. Sendo assim, todo o conjunto de suspensão — McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira — foi desenvolvido para suportar peso e garantir o conforto necessário para andar na cidade.

Na traseira, a picape traz molas parabólicas de lâminas únicas e funcionamento progressivo, o que permite melhor estabilização e distribuição de peso sobre o eixo quando a caçamba estiver cheia, além de proporcionar um equilíbrio muito acertado entre carga e conforto.

A rigidez do conjunto é um dos motivos pelos quais a Strada é reconhecida como uma picape durável e robusta. Dá para enfrentar ruas esburacadas, cascalho e estradas de terra batida com muita confiança.

Em lombadas e valetas, a suspensão pouco se abala graças ao curso encurtado. Outro aspecto notável é que os pneus, nas medidas 205/60 R15, são grossos o suficiente para filtrar as irregularidades do nosso asfalto castigado.

5°) Capacidade de carga

A caçamba dispõe de  844 litros de capacidade e pode levar 720 kg — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
A caçamba dispõe de 844 litros de capacidade e pode levar 720 kg — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

A caçamba da Fiat Strada tem 844 litros de capacidade volumétrica até o limite da capota marítima. Para quem viaja com frequência, é mais do que suficiente — mas é bom se programar para evitar dias de chuva, tendo em vista que, a depender da tormenta, a proteção nem sempre é capaz de vedar a entrada de água.

Quanto ao peso, tem carga útil de 720 kg. Já elaboramos sobre as qualidades da suspensão traseira, desenvolvida para aguentar este tranco, no tópico anterior. A picape ainda pode rebocar 400 kg.

Motivos para pensar bem

1°) Fica devendo em ergonomia

A regularem do volante é só de altura na Fiat Strada Volcano... — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
A regularem do volante é só de altura na Fiat Strada Volcano... — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

A Strada Volcano vai além de uma picape de entrada e oferece, entre os equipamentos de série, a regulagem de altura para o banco do motorista. No entanto, ficou devendo o ajuste de profundidade para o volante.

É possível ajustá-lo verticalmente, mas a regulagem de profundidade faz falta, especialmente aos motoristas mais altos — tenho 1,85 m de altura e os braços compridos.

Quando me acomodo num carro sem regulagem de profundidade no volante, sinto a necessidade de posicionar o banco do motorista um pouco para trás. Dessa forma, tomo parte do espaço escasso que poderia ser aproveitado pelo ocupante traseiro. E, já que estamos falando nele…

2°) Espaço no banco traseiro é acanhado

Apenas pessoas baixas ficam confortáveis na parte traseira da cabine — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Apenas pessoas baixas ficam confortáveis na parte traseira da cabine — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Quem já tem os filhos crescidos deve repensar a escolha da Strada como o único carro da família. Por conta da caçamba, a cabine é inevitavelmente apertada, faltando espaço para os joelhos dos ocupantes traseiros. E não há saídas de ar-condicionado e tem apenas uma entrada USB (tipo A).

Até passageiros de estatura mediana (1,70 m para os homens e 1,60 m para as mulheres) ficam apertados na segunda fileira. Cada escolha vem com uma renúncia — e, no caso da Strada, a caçamba compromete bastante o espaço interno.

Vale mencionar que a picape compacta tem 4,48 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,57 m de altura e 2,73 m de distância entre-eixos.

Publicidade

3°) Isolamento acústico é ineficiente

Prepare-se, pois a simples ultrapassagem de um motociclista faz muito barulho na cabine da Strada — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Prepare-se, pois a simples ultrapassagem de um motociclista faz muito barulho na cabine da Strada — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Carros mais baratos da Fiat, como Mobi, Argo e a própria Strada, ficam devendo quanto ao isolamento acústico. Vale tanto para as emissões sonoras do motor, o que costuma ser mais comum no dia a dia com a picape, quanto para sons externos.

O som de motociclistas ultrapassando no trânsito intenso pode ressoar alto na cabine — além, é claro, de outros barulhos incômodos. Até sua maior rival, a Volkswagen Saveiro, não agrada neste aspecto, por ser baseada em um projeto que ostenta 18 anos de mercado.

4°) Faltam porta-objetos

Nem uma garrafa de 500 ml cabe no porta-copos do console central sem ficar inclinada — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Nem uma garrafa de 500 ml cabe no porta-copos do console central sem ficar inclinada — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Um carro que se propõe a agradar o motorista urbano deveria ter mais soluções na cabine. Faltam porta-objetos à Strada, e os que são oferecidos parecem pequenos. Não dá para colocar uma garrafa de 500 ml no porta-copos, por exemplo: ela fica levemente inclinada, denunciando a falta de espaço. Os companheiros de redação que tiveram a oportunidade de dirigí-la chegaram à mesma conclusão.

Sendo este um veículo de porte compacto, também resta pouco espaço entre os bancos para colocar bugigangas (as chaves ou o controle do portão de casa, por exemplo). E o porta-luvas, feito com materiais simples, é igualmente acanhado e tem algumas rebarbas no acabamento.

5°) Montagem simplória

Quem busca um carro sólido e construído com atenção aos detalhes pode torcer o nariz para a ideia de comprar a Strada. Querendo ou não, paga-se o preço da simplicidade ao oferecer um veículo comercial adaptado para o cliente da cidade.

Não há uma só peça que não seja plástica, embora a Fiat tenha variado as texturas para trazer um acabamento mais incrementado. A qualidade deste material também aparenta ser inferior em comparação com os carros urbanos, como Argo e Cronos. Tal simplicidade seria digna de perdão em veículos mais baratos, mas a Strada Volcano custa R$ 138.990 e encosta na Chevrolet Montana LT com câmbio manual (R$ 144.490).

Após uma semana ao volante, cheguei à conclusão de que a picape sofre dos males de ser um carro de trabalho. Isso é um problema? Talvez não, pois atende um propósito. Ao emplacar 142.903 unidades em 12 meses, terminou 2025 como o carro mais vendido do país por cinco anos consecutivos. Faça as contas: a cada três minutos, uma Strada é adquirida no Brasil.

Sua grande oferta de configurações, versões e motores, que abrange todos os gostos e bolsos, é um dos motivos que explicam os resultados suntuosos que ajudaram a Fiat a emplacar 533.710 veículos no ano passado. Não à toa, a Stellantis pensa em lançá-la no mercado europeu quando sua próxima geração ficar pronta. Assim ela perdurará, agora como um carro global.

Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Auto News Brasil? É só clicar aqui para acessar a revista digital.

Publicidade
Mais recente Próxima Teste: Nissan Kait consegue ser mais do que um Kicks Play repaginado?
Mais da Auto News Brasil