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O BYD King tem se tornado uma figura frequente nas ruas das grandes cidades brasileiras. Seu trunfo na categoria dos sedãs médios é oferecer um conjunto híbrido plug-in (PHEV) num patamar em que seu principal rival, o Toyota Corolla, é apenas híbrido pleno (HEV). É o que torna o preço da versão GS (R$ 175.990), topo de linha, tão atrativo em comparação com o rival japonês (a partir de R$ 189.000).

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Mas como é o dia a dia com o BYD King na cidade? Ainda faz sentido comprar um sedã médio enquanto os SUVs dominam nossas ruas? É o que Auto News Brasil te mostra ao elaborar cinco pontos positivos e outros cinco que precisam melhorar no sedã médio chinês. Acompahe abaixo:

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BYD King 2026 - Razões para comprar
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1. Desempenho

O BYD King vai de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
O BYD King vai de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Um ponto muito criticado sobre o Toyota Corolla Hybrid é o desempenho. Por conta da tecnologia mais rudimentar, sem fonte externa de recarga, o sedã japonês precisa de 12 segundos para ir de 0 a100 km/h. Ou seja, retomadas na estrada demandam mais tempo e as ultrapassagens devem ser planejadas com antecedência.

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Isso não é um problema no King, pois seu conjunto híbrido se baseia num motor 1.5 aspirado a gasolina de 98 cv aliado a uma máquina elétrica dianteira de 197 cv alimentada pelas baterias Blade de 18,3 kWh. Os números combinados são 235 cv de potência e 33,1 kgfm de torque, com câmbio automático de uma marcha mecânica e múltiplas relações simuladas.

Pisando fundo, o King vai de zero a 100 km/h em 7,3 segundos enquanto emite o som agudo de uma espaçonave na cabine. Não chega a ser um desempenho de grudar as costas no banco, mas é suficiente para encarar os desafios. Sua entrega de força, ainda que comedida, garante boa reatividade ao sedã chinês — e a sacada para extrair o melhor desempenho é garantir que a bateria nunca descarregue. Há um atalho para isso na central multimídia.

2. Consumo

Em nosso teste, marcamos mais de 30 km/l na cidade, o que é um excelente resultado — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Em nosso teste, marcamos mais de 30 km/l na cidade, o que é um excelente resultado — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Na cidade, o King tem a predileção por utilizar o motor elétrico, mesmo em modo híbrido. É justamente no “anda e para” que este conjunto se torna ainda mais econômico: em condição urbana, o computador de bordo marcou excelentes 30,3 km/l com bateria cheia. Todavia, segundo o Inmetro, o sedã médio faz 16,4 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada quando a bateria atinge seu patamar mínimo.

Neste quesito, vale dizer que o King teve uma redução em sua autonomia elétrica na renovação da linha 2026, baixando de 80 km para 62 km, ainda conforme o Inmetro. Tal descenso ocorreu por conta da adoção do pacote Adas de segurança ativa, cujos sistema ativos demandam maior esforço da parte elétrica. Mesmo assim, o consumo de combustível segue como ponto forte.

Lembra que antecipamos que o King tem uma sacada para evitar que a bateria descarregue? Trata-se do sistema SOC (“State of Charge”), em que o motorista pode definir uma carga mínima que nunca será consumida. Para ativá-lo, basta acessar o menu principal, clicar em “Gestão de Energia” e depois “Gerenciamento”.

A estratégia é conhecer o seu itinerário. É dessa forma que se evita que a autonomia elétrica seja comprometida, pois é justamente na cidade onde mais se economiza com um híbrido plug-in. Mesmo sem o ativamento manual do sistema SOC, o King 2026 está programado para sempre entrar em modo de regeneração da bateria quando a carga atinge 25%.

Quando isso acontece, mesmo que o veículo esteja em modo EV (puramente elétrico), é automaticamente jogado para o modo HEV (híbrido) e o motor 1.5 aspirado passa a atuar como gerador para garantir os 25% mínimos de carga. Nesse momento, o King passa a operar como um híbrido pleno e a bateria mantém uma reserva de uso mesmo caso o combustível acabe.

3. Itens de conforto

Bancos dianteiros elétricos, sensor de estacionamento e ar-condicionado digital são equipamentos interessantes no King — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Bancos dianteiros elétricos, sensor de estacionamento e ar-condicionado digital são equipamentos interessantes no King — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Como um bom sedã médio, o King tem pacote de equipamentos generoso. Há acesso por chave presencial, partida por botão, freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold, ar-condicionado digital de duas zonas com saída para o banco traseiro e faróis de LED com acendimento automático.

Console central traz o seletor rotativo do câmbio e todos os atalhos por botões — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Console central traz o seletor rotativo do câmbio e todos os atalhos por botões — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Indo além, o King oferece bancos de couro com ajustes elétricos e carregador de celular por indução. A central multimídia 12,8'' é giratória e tem conectividade Android Auto e Apple CarPlay sem fio, embora a qualidade não seja das melhores. Vamos elaborar mais sobre isso à frente.

Também há outros mimos básicos que ajudam o motorista no dia a dia. Por exemplo, mesmo que o King 2026 tenha um botão de partida, basta destravar o veículo e, com a chave presencial na cabine, pisar no freio para que o motor elétrico entra em funcionamento sem precisar acionar a ignição. E, ao desligar e travar o sedã, os vidros elétricos que estão abertos fecham automaticamente.

3. Pacote Adas de segurança ativa

O pacote Adas foi incorporado ao King na linha 2026 ao custo de alguns quilômetros de autonomia elétrica, conforme já falamos. Este sistema inclui controle de cruzeiro adaptativo (ACC), alertas laterais de ponto cego, limitador inteligente de velocidade, alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência e assistente de permanência em faixa.

Tive a impressão de que o sistema Adas do King funciona melhor que o do Song Pro, talvez por conta de seu tamanho ou até de algum acerto específico. Com o ACC e o assistente de faixa ativados, o sedã não fica “ziguezagueando” na faixa e parece mais entrosado com o comportamento do veículo à frente. Por outro lado, o volante dá "totós" para os dois lados constantemente e isso pode irritar.

O sistema Adas é um ponto forte do King, sobretudo considerando que se trata de um sedã médio híbrido plug-in que custa R$ 175.990. Sem dúvida, é um dos carros mais bem posicionados do país.

5. Espaço interno

Espaço para os ocupantes do banco traseiro é honesto no King — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Espaço para os ocupantes do banco traseiro é honesto no King — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Por fim, o último ponto positivo é o espaço interno, especialmente para os ocupantes do banco traseiro. O sedã médio ostenta as seguintes dimensões: 4,78 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,49 m de altura e 2,72 m de distância entre-eixos.

Para quem se acomoda na segunda fileira de bancos, há boa amplitude para os joelhos. O túnel central aparece apenas como uma espécie de “lombada”, mas é suficientemente baixo para não atrapalhar o espaço para os pés, apesar do assoalho mais alto do que o convencional, para abrigar o pacote de baterias.

Porta-malas de 450 litros tem abertura por sistema "pescoço de ganso" — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Porta-malas de 450 litros tem abertura por sistema "pescoço de ganso" — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Já o porta-malas de 450 litros com abertura por pescoço de ganso parece acanhado em comparação com os 470 litros do Toyota Corolla, mas tem um bom volume e é totalmente revestido por um carpete de boa qualidade. É algo a ser considerado se você está indeciso entre um desses dois sedãs médios.

Pontos negativos

1. Falta recarga rápida

Vai recarregar o King? É bom se planejar — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Vai recarregar o King? É bom se planejar — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Um fator que poderia melhorar o dia a dia com o King é a adoção de um sistema de recarga rápida em corrente contínua (DC). Sua potência máxima é de 6,6 kW em corrente alternada (AC), o que significa que o sedã precisa de algo em torno de 2 horas para ir de 20% a 80% e quase 3 horas para chegar a 100%.

Carregador portátil vem junto do carro para emergências — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Carregador portátil vem junto do carro para emergências — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

A adoção de sistemas de recarga mais robustos é a próxima tendência dos carros híbridos plug-in — e alguns modelos já estão à frente de outros, até no Brasil. É o caso do Jaecoo 7, que possibilita a recarga em estações de corrente contínua (DC) a até 40 kW. Em um carregador de alta tensão, o SUV da Omoda Jaecoo pode recuperar 80% de sua energia em apenas 20 minutos.

2. Acerto de suspensão

Rodas de aro 17 beneficiam o conforto, mas acerto de suspensão precisa melhorar — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Rodas de aro 17 beneficiam o conforto, mas acerto de suspensão precisa melhorar — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Embora o desempenho do King seja um ponto forte, o resto do conjunto mecânico parece não acompanhar tal qualidade. A suspensão é mole e tem muito curso, o que faz a carroceria pender no sentido oposto em curvas ágeis. Já lombadas, valetas e até oscilações no asfalto fazem o sedã chacoalhar bastante em sentido vertical. E aí, quando o fim de curso vem, é uma pancada seca.

Neste aspecto, ficou claro que o King é um carro que precisa de mais toques de “regionalização” para ficar ao gosto do motorista brasileiro. Isso inclui, é claro, um arranjo de suspensão mais rígido para suportar o asfalto castigado. Esperamos que isso aconteça quando o sedã tiver sua produção nacionalizada em Camaçari (BA).

3. Raspa com facilidade

Balanços compridos fazem o King raspar com facilidade ao encarar desafios urbanos — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Balanços compridos fazem o King raspar com facilidade ao encarar desafios urbanos — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Uma consequência deste arranjo de suspensão mais "molenga" é que o King pode raspar com facilidade em valetas, recortes e lombadas. Para piorar, o sedã tem apenas 12 cm de vão livre do solo, o que forma um ângulo de ataque de ínfimos 13 graus e um ângulo de saída de meros 14 graus.

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O modelo da frota de imprensa já chegou à nossa redação com a região inferior do para-choque toda ralada — o que revela que os colegas que dirigiram este carro antes de mim enfrentaram o mesmo empecilho.

Mesmo em baixa velocidade — ao encarar a entrada de uma garagem, por exemplo — o King exige cautela. Seu balanço frontal avantajado facilita ciscadas indesejadas em rampas. O ideal é enfrentar estes obstáculos “de lado”, mas com cuidado para não sobrecarregar a suspensão.

4. Faltou teto solar

O BYD King é um dos carros mais bonitos do nosso mercado na faixa dos R$ 175 mil. O design horizontalizado de sua dianteira, bem como as lanternas interligadas na parte de trás, compõem um estilo esportivo e sofisticado.

Embora o King seja bem resolvido neste aspecto, faltou um teto solar para deixar a experiência a bordo mais interessante. Até o Toyota Corolla, tido como "caretão", tem este item de série. No King, o equipamento não está disponível nem como opcional, mas existe no mercado chinês. Será que a BYD consideraria adotá-lo na linha 2027?

5. Resolução das telas

As telas do BYD King são apagadas e refletem a luz — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
As telas do BYD King são apagadas e refletem a luz — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

O King tem um painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas acoplado à coluna de direção, além da já comentada central multimídia giratória de 12,8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O problema é que ambas as telas ficam devendo quanto à resolução.

Com a chegada de outros carros chineses, como o já citado Jaecoo 7 e até o Geely EX5, a central multimídia da BYD aparenta ter ficado tecnologicamente para trás. Toda a parte acrílica é muito vulnerável aos reflexos durante o dia, atrapalhando a visibilidade (como nossas fotos comprovam).

Painel de instrumentos tem computador de bordo completo, apesar de ser apagado e vulnerável a reflexos indesejados — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil
Painel de instrumentos tem computador de bordo completo, apesar de ser apagado e vulnerável a reflexos indesejados — Foto: Cauê Lira/Auto News Brasil

Indo além, o layout parece um tanto quanto apagado em comparação com as telas vibrantes das concorrentes que citamos. Isso sem falar no recurso giratório que não permite usar Android Auto e Apple CarPlay na vertical. Inclusive, a BYD confirmou que, aos poucos, vai remover este mecanismo um tanto inútil de seus carros.

Por fim, durante nosso teste, o Android Auto travou diversas vezes: para de funcionar e reinicia sozinho alguns segundos depois. Com o Apple CarPlay não houve esse problema.

Apesar dessas falhas, a impressão geral quanto ao BYD King é positiva. Se você é o tipo de motorista que resiste com bravura à tentação de adquirir um SUV, o sedã médio chinês é, defintivamente, um modelo para considerar com carinho.

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