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Testes de Carros
Por
Joaquim Oliveira
— Copenhague (Dinamarca)

As coisas não estão boas para a Mercedes-Benz, especialmente com os modelos elétricos. Os luxuosos EQS e EQE não convenceram na Europa e na China — mercados em que a marca foi ultrapassada por todas as concorrentes diretas. São produtos com claras limitações: pouca versatilidade de plataforma, tecnologia de carregamento medíocre e falta de poder no design exterior e interior. Portanto, a pressão é grande em relação à chegada do novo CLA.

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Este é o Mercedes-Benz desenvolvido com as maiores expectativas em décadas, mas a verdade é que o desafio preocupa logo de entrada. O novo Mercedes CLA parte de salgados 55 mil euros (R$ 345 mil em conversão direta); o Tesla Model S, por exemplo, começa em 40 mil euros (R$ 250 mil). É fato que o concorrente americano já tem alguns anos de vida, mas, ainda assim, é uma diferença e tanto...

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Mercedes-Benz CLA 250+ estreia nova plataforma MMA da Mercedes — Foto: Divulgação
Mercedes-Benz CLA 250+ estreia nova plataforma MMA da Mercedes — Foto: Divulgação

O novo CLA é feito sobre a plataforma modular Mercedes Modular Architecture (MMA). Além de servir ao protagonista deste texto, a base técnica dará origem aos novos CLA Shooting Break, GLA e GLB, o que também marca o desaparecimento da dupla Classe A e Classe B, que vão sair de linha globalmente. Com a estagnação das vendas de elétricos no ocidente, versões híbridas também voltaram à pauta nos escritórios em Stuttgart (Alemanha).

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Ao contrário dos principais concorrentes de Audi e BMW, a Mercedes começou a abandonar motores diesel ou híbridos plug-in, iniciando por este CLA. Grande parte da tecnologia foi desenvolvida com o avançado conceito Mercedes Vision EQXX. O CLA é um sedã-cupê premium de tração traseira com 272 cv. Versões mais potentes agregam um segundo motor elétrico no eixo dianteiro para entregar até 354 cv.

Chegou a hora de a Mercedes-Benz ter um carro elétrico de volume? — Foto: Divulgação
Chegou a hora de a Mercedes-Benz ter um carro elétrico de volume? — Foto: Divulgação

Essa nova arquitetura com tensão de 800 Volts permite velocidades de carregamento rápido de até 320 kW. Atualmente, nem a versão mais cara do EQS vai além dos 200 kW de potência de recarga. O que isso significa na prática é que o CLA e seus derivados serão capazes de recuperar até 325 km de autonomia em dez minutos num carregador muito potente (e raro).

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Com ritmos moderados em percursos urbanos, o consumo médio é de 8,3 kW/km — eficiência que se faz presente graças à adoção de um câmbio automático de duas marchas, como o do Porsche Taycan, o que propicia uma autonomia de até 790 km, segundo o ciclo WLTP, na configuração com bateria de 85 kWh. As versões de entrada terão bateria de menor capacidade, de 58 kWh, devido à química menos avançada dos íons de lítio.

E já que a eletrificação está em um ritmo menos avançado, no início de 2026 chegará a opção a combustão do CLA. Inclusive, a Mercedes-Benz pretende entregar um visual que não seja muito diferente daquele das motorizações elétricas: o objetivo é usufruir das sinergias da plataforma MMA, porém colocando sob o capô um motor 1.5 de quatro cilindros (desenvolvido em parceria com a Geely).

Painel do Mercedes-Benz CLA 250+ surpreende pelas telas digitais, mas acabamento da parte superior poderia ser melhor — Foto: Divulgação
Painel do Mercedes-Benz CLA 250+ surpreende pelas telas digitais, mas acabamento da parte superior poderia ser melhor — Foto: Divulgação

É algo que poderá causar um arrepio na espinha dos fãs mais fervorosos da marca alemã, mas a verdade é que os atuais Classe A, CLA e companhia também usam um motor estrangeiro — no caso, o 1.3 de origem Renault.

O novo 1.5 turbo estará disponível em três níveis de potência: 136 cv, 163 cv e 190 cv. Graças ao sistema híbrido leve (MHEV) de 48 Volts, o pico de potência é incrementado em 27 cv. Melhor do que a força adicional é a possibilidade de autonomia totalmente elétrica de cerca de 4 km em zonas urbanas, algo notável para uma tecnologia menos parruda do que a de um híbrido pleno (HEV).

Mercedes-Benz CLA 250+ tem uma acomodação decente na segunda fileira, mas não há tanta sobra de espaço assim — Foto: Divulgação
Mercedes-Benz CLA 250+ tem uma acomodação decente na segunda fileira, mas não há tanta sobra de espaço assim — Foto: Divulgação

Como anda o novo Mercedes-Benz CLA

Mas centremos nossa atenção na versão elétrica 250+ que dirigi em Copenhague (Dinamarca). A silhueta dessa terceira geração segue a receita das anteriores, com uma carroceria que lhe confere ar de cupê, mesmo tratando-se de um sedã de quatro portas. Tal formato contribui, ainda, para o coeficiente de arrasto aerodinâmico (Cx) de somente 0,21.

A nova grade buscou inspiração nos modelos AMG mais recentes e se destaca pelo fundo estrelado: são mais de 140 pequenos pontos luminosos, como no Vision EQXX. No interior, o principal destaque é a vasta prancha que se estende por toda a largura do painel: um conjunto de três telas para painel de instrumentos (10,3 polegadas), central multimídia (14 polegadas) e entretenimento do passageiro (12,2 polegadas). Como opcional há o gigantesco head-up display de 12,2 polegadas, um dos maiores do segmento.

Configuração elétrica permite transformar o espaço sob o capô em "frunk"; na híbrida, espaço dará lugar a um motor 1.5 turbo feito em parceria com a Geely — Foto: Divulgação
Configuração elétrica permite transformar o espaço sob o capô em "frunk"; na híbrida, espaço dará lugar a um motor 1.5 turbo feito em parceria com a Geely — Foto: Divulgação

Como um computador sobre rodas, o CLA é gerido por um sistema operacional com acesso à nuvem. A inteligência artificial está ligada aos sistemas de Google, Microsoft e ChatGPT para melhorar a experiência do usuário. Eis uma inovação que ainda não chegou aos irmãos maiores e mais caros Classe E e Classe S, também conhecidos por um perfil mais conservador.

As luzes do painel e os LEDs ambientes variam de acordo com o modo de condução. O motorista poderá selecionar uma entre 64 cores disponíveis. O teto panorâmico é item de série, mas o felizardo poderá escolher entre duas opções de bancos dianteiros: mais esportivos ou confortáveis (alternando entre couro, tecido e alcântara).

Novo CLA oferece um belo teto panorâmico — Foto: Divulgação
Novo CLA oferece um belo teto panorâmico — Foto: Divulgação

A solidez da montagem e de vários materiais favorece a qualidade percebida, mas a superfície superior do painel não causou boa impressão, sendo apenas levemente suave ao toque. A aplicação do acabamento preto brilhante parece excessiva. Se antes a Mercedes-Benz era conhecida pela redundância de comandos físicos, agora nota-se uma redução deles — o que, em alguns casos, foi longe demais: vários comandos agora estão restritos à central multimídia, como o aquecimento dos bancos.

O espaço na segunda fileira é razoável em largura, ainda que um passageiro central fique sempre apertado. Em comprimento também é comedido, mas como a altura é prejudicada pela descida da carroceria atrás, acaba por não sobrar muito para passageiros acima de 1,80 metro. O porta-malas é um dos menores da categoria, com apenas 405 litros, mesmo considerando os 101 litros acrescentados pelo compartimento dianteiro.

Detalhe das três pontas luminosas em miniatura na grade do novo CLA é sacada de design interessante — Foto: Divulgação
Detalhe das três pontas luminosas em miniatura na grade do novo CLA é sacada de design interessante — Foto: Divulgação

Dinamicamente, o quadro geral é positivo. A suspensão, independente nas quatro rodas, mostra equilíbrio entre estabilidade e conforto. A direção colabora para essa boa impressão: é tendencialmente leve, mas com precisão suficiente para estradas. Outra evolução registrada é da frenagem, sem qualquer vestígio do toque esponjoso. O sistema de frenagem eletrônica e sem ligação física (“brake-by-wire”) tem a vantagem de atuar mais rapidamente e oferece modulação acertada.

O CLA mantém os quatro níveis de frenagem regenerativa que a Mercedes usa em outros modelos: D+ (sem desaceleração), D (fraco), D- (médio) e D-Auto (one-pedal drive). A principal novidade é a forma de escolha dos níveis: em vez de borboletas no volante, agora há uma haste fixa na coluna de direção, próxima à alavanca do câmbio automático.

Mercedes-Benz CLA 250+: rodões de 19 polegadas são opcionais — Foto: Divulgação
Mercedes-Benz CLA 250+: rodões de 19 polegadas são opcionais — Foto: Divulgação

A Mercedes também fez um bom trabalho na insonorização da cabine, em parte porque o motor síncrono de ímãs permanentes é silencioso, mas também devido à utilização de vidros duplos para melhorar a vedação acústica.

Pisando fundo, o CLA acelera de 0 a 100 km/h em 6,7 segundos. As retomadas de velocidade também são adequadas. Mesmo com o disparo instantâneo congênito dos carros elétricos (os 34,1 kgfm de torque são entregues de forma imediata), não se sentem perdas de tração em piso seco.

Mercedes-Benz CLA 250+: miolo da estrela de três pontas também aparece no desenho das lanternas traseiras — Foto: Divulgação
Mercedes-Benz CLA 250+: miolo da estrela de três pontas também aparece no desenho das lanternas traseiras — Foto: Divulgação

O câmbio de duas marchas é muito suave: só quando o condutor acelera fundo é possível sentir a passagem da primeira para a segunda. Essa mudança se define em função de variáveis, como o modo de condução escolhido e a carga aplicada sobre o acelerador. Meu test-drive pela Dinamarca terminou com média de 7,1 km/kW de consumo de energia, o que permitiria alcançar 652 km de autonomia com uma única carga completa no novo Mercedes-Benz CLA.

Vale dizer que as condições de rodagem eram as ideais em Copenhague (percurso urbano, temperatura ambiente de 22°C, controle de velocidade rigoroso, entre outros pontos). Mesmo não igualando a otimista autonomia máxima de 790 km em ciclo WLTP, essa versão merece ser elogiada. O resto você descobrirá no ano que vem, quando a terceira geração do CLA enfim desembarcar no Brasil.

Novo Mercedes-Benz CLA 250+: prós e contras

  • Pontos positivos: Comportamento dinâmico, carregamento rápido, sistema de mídia
  • Pontos negativos: Espaço traseiro, poucos comandos físicos e acabamento

Mercedes-Benz CLA 250+ - Ficha técnica

Preço: 55 mil euros
Motor: Elétrico, traseiro, síncrono
Potência: 272 cv
Torque: 34,1 kgfm
Câmbio: Automático, 2 marchas, tração integral
0 a 100 km/h: 6,7 segundos
Bateria: 85 kWh (íons de lítio)
Autonomia: 790 km (WLTP)
Carregamento máx.: 320 kW (DC) e 11 kW (AC)
Consumo (WLTP): 7,1 km/kW
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e multilink (tras.)
Freios: Discos ventilados
Pneus: 205/55 R17 (diant.) e 225/55 R17 (tras.)
Porta-malas: 405 litros (fabricante)
Peso: 2.055 kg
DIMENSÕES
Comprimento: 4,72 m
Largura: 1,85 m
Altura: 1,46 m
Entre-eixos: 2,79 m

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