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Testes de Carros

Todos deveriam ter a oportunidade de provar um SUV híbrido plug-in. Dependendo da sua predileção por eletricidade ou gasolina, o dia a dia com um desses será totalmente diferente. Aprendi isso na prática com os veteranos BYD Song Plus e GWM Haval H6 e, agora, com o Jaecoo 7, da estreante Omoda Jaecoo. Assim como os rivais chineses, o novo modelo tem duas faces — e isso vale para o bem e para o mal.

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Auto News Brasil teve acesso a um protótipo do novo Jaecoo 7 para um breve teste de três dias. Além das impressões na cidade, tiramos os números de desempenho em pista, e o submetemos a uma prova de consumo. A marca chinesa faz segredo sobre o preço, mas diz que o modelo irá concorrer especificamente com o GWM Haval H6 PHEV19, que custa R$ 244 mil.

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Deixo aqui um spoiler: o preço deve ser inferior para o novato realmente compensar, mas o consumidor pode ter um impasse pela frente. O recém lançado Caoa Chery Tiggo 7 PHEV custa exatos R$ 240 mil e deve concorrer diretamente com o Jaecoo 7. Curiosamente, ambos utilizam a mesma plataforma T1X e a mesma base estrutural.

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Jaecoo 7 PHEV 2025 tem visual com pé no futurismo, mas nem tanto — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil
Jaecoo 7 PHEV 2025 tem visual com pé no futurismo, mas nem tanto — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil

Eis um breve contexto: as marcas Omoda e Jaecoo fazem parte do Grupo Chery, um enorme conglomerado automotivo chinês. Apesar de a brasileira Caoa ser acionista majoritária da Chery no país, onde formou a Caoa Chery em 2017, a operação Omoda Jaecoo desembarca sem qualquer envolvimento direto com a empresa brasileira.

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Essa relação inevitavelmente acontecerá de outra forma. Isso porque os SUVs das marcas compartilham desenvolvimento, plataformas, motores e outras tecnologias — o que acontece, por exemplo, entre Kia e Hyundai. Como não poderia ser menos óbvio, o Jaecoo 7 nada mais é que um Caoa Chery Tiggo 7 com terno da Versace.

Jaecoo 7 e o "primo rico" do Caoa Chery Tiggo 7 PHEV — Foto: Divulgação
Jaecoo 7 e o "primo rico" do Caoa Chery Tiggo 7 PHEV — Foto: Divulgação

A Omoda Jaecoo se posiciona como uma marca premium, voltada à tecnologia, com um estilo mais rebuscado. Se você tiver isso em mente antes de conhecer o Jaecoo 7, poderá se decepcionar. De fato, o novo SUV tem acabamento caprichado e bons materiais em sua construção, mas a qualidade geral não surpreende quem já conheceu o Caoa Chery Tiggo 8, para citar um "irmão" como referência.

A cabine tem couro sintético escuro, placas de plástico texturizadas que imitam grafite, acabamento preto brilhante e costuras aparentes. O teto solar panorâmico acrescenta um charme. Aos conhecedores dos SUVs chineses da concorrência, não há nada que faça os olhos brilharem, mas o Jaecoo 7 acompanha a proposta e a qualidade de seus principais rivais neste sentido.

Um aspecto que me incomoda é o formato do painel, que, sem qualquer originalidade em comparação com BYD, GWM e a própria Caoa Chery, se torna vítima da “modinha" dos SUVs chineses. A Jaecoo apostou num layout cheio de linhas horizontais, uma enorme central multimídia de 14,5 polegadas ao centro e console bem alto. Remova o logotipo do volante e você dificilmente saberá de qual marca se trata.

Acabamento do Jaecoo 7 PHEV 2025 é bom, por mais que não surpreenda — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil
Acabamento do Jaecoo 7 PHEV 2025 é bom, por mais que não surpreenda — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil

Quem gosta de tecnologia vai adorar o kit multimídia, que é um ponto fortíssimo do Jaecoo 7 e ainda traz uma interface parecida com o sistema operacional iOS, do iPhone. Resolução, respostas aos comandos da tela sensível ao toque, intuitividade e o fácil acesso ao computador de bordo são características que me agradaram.

Ah, e a tela fica fixa na posição vertical. Não é giratória, como a dos BYD. A alta resolução faz com que os comandos do Apple CarPlay ou do Android Auto fiquem gigantes à vista do motorista. Até o condutor do carro ao lado conseguirá enxergar a direção do seu Waze ou Google Maps.

A excelente central multimívia vai agradar quem curte tecnologia no Jaecoo 7 PHEV 2025 — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil
A excelente central multimívia vai agradar quem curte tecnologia no Jaecoo 7 PHEV 2025 — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil

O Jaecoo 7 ainda incorpora comandos por voz, mas, por se tratar de um protótipo, todos estão em inglês. Resta saber se a boa funcionalidade será preservada quando o sistema for traduzido para o português.

Infelizmente, o painel de instrumentos digital passou longe de ser interessante como a excelente central multimídia. Além do layout sem graça (semelhante ao da BYD), o computador de bordo é muito restrito. Vamos elaborar este assunto mais à frente.

Detalhe do paine de instrumentos e do volante multifuncional touch — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil
Detalhe do paine de instrumentos e do volante multifuncional touch — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil

Sobre o espaço interno, o Jaecoo 7 tem aproveitamento adequado de seus 4,50 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,67 m de altura e 2,67 m de distância entre-eixos. Como comparação, ele é menos de 2 cm menos comprido e mais baixo que um Tiggo 7 Pro, mas preserva a mesma largura e o mesmo entre-eixos.

Não há túnel central elevado, o que deixa o assoalho totalmente plano, melhorando o espaço para os pés dos ocupantes traseiros e aumentando a sensação de amplitude da cabine. Tenho 1,85 m de altura e me acomodei bem na segunda fileira, mesmo com os bancos dianteiros ajustados para mim.

O Jaecoo 7 só não repetiu tal abrangência na capacidade do porta-malas, que tem meros 340 litros. Definitivamente, é um dos pontos fracos do novo SUV chinês, sobretudo num segmento em que o Haval H6 dispõe de 560 litros e o próprio Tiggo 7 chega a 457 l. Quem compra um carro deste porte gosta de viajar com a família sem aperto.

A melhor face do Jaecoo 7

A começar pela ergonomia, o Jaecoo 7 tem uma cabine bem resolvida. Os bancos dianteiros com ajustes elétricos são versáteis e facilitam o encontro da melhor posição para guiar. As costas do motorista ficam totalmente apoiadas no encosto lombar e nas abas laterais, evitando a sensação de cansaço precoce.

Jaecoo 7 PHEV 2025 convence ao volante? Veja as impressões da Auto News Brasil — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil
Jaecoo 7 PHEV 2025 convence ao volante? Veja as impressões da Auto News Brasil — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil

Mecanicamente, o Jaecoo 7 tem o mesmo motor 1.5 turbo dos Caoa Chery, mas a gasolina e com injeção direta, combinado a um propulsor elétrico dianteiro. Juntos, desenvolvem 339 cv de potência e 52 kgfm de torque .

O câmbio DHT, dedicado para carros híbridos, é uma evolução da caixa que equipa os Tiggo 7 e Tiggo 8 híbridos plug-in, e traz somente uma marcha mecânica, embora com múltiplas relações formadas pela combinação entre motor elétrico e de combustão. Já a bateria de íons de lítio tem 18,3 kWh de capacidade. Mais abaixo, falaremos sobre sua autonomia.

BYD Song Plus e GWM Haval H6 PHEV19 serão os principais rivais do novo SUV — Foto: Murilo Góes/Auto News Brasil
BYD Song Plus e GWM Haval H6 PHEV19 serão os principais rivais do novo SUV — Foto: Murilo Góes/Auto News Brasil

Como Haval e Song, o SUV da Omoda Jaecoo foi programado para priorizar a autonomia elétrica. O motor a combustão é acionado esporadicamente, muitas vezes para operar como mero gerador, mas isso pode ser ajustado pelos botões “EV” e “HEV” no console central. Assim, é possível dirigir o Jaecoo 7 como se fosse um carro elétrico, sem gastar uma só gota de gasolina na cidade — e foi o que fiz.

Rodando somente com eletricidade, o Jaecoo 7 é esperto. Entrega o torque cheio instantaneamente e até destraciona os pneus dianteiros se o motorista não dosar a força no acelerador. Em nosso teste no Rota 127 Campo de Provas, o SUV chinês levou somente 7,04 segundos para ir de 0 a 100 km/h.

Como comparação, nas mesmas condições, o Song Plus precisou de 8,23 s para chegar a tal marca, enquanto o Haval cumpriu a tarefa em 7,7 s. Portanto, o segmento dos SUVs chineses tem um novo líder quando o assunto é velocidade.

Bom entrosamento dos motores a combustão e elétrico rende ponto positivo para o câmbio DHT — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil
Bom entrosamento dos motores a combustão e elétrico rende ponto positivo para o câmbio DHT — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil

Segundo a Omoda Jaecoo, seu primeiro SUV híbrido plug-in a ser vendido no Brasil tem autonomia elétrica de 70 km. No Inmetro, o número deve cair para cerca de 50 km.

Seja como for, conforme a bateria se esgota, o motor a combustão passa a ser mais acionado, independentemente da predileção do motorista entre os modos “EV” e “HEV”. O conjunto elétrico, então, passa a funcionar de modo mais pontual, a fim de mitigar o "turbo lag" e melhorar a reatividade do pedal.

De tal forma, o Jaecoo 7 tem comportamento ligeiramente aceso em ultrapassagens e retomadas: levou somente 3,5 s para ir de 60 a 100 km/h em nosso teste. Neste sentido, é mais esperto que o Song Plus (4,25 s), mas não tanto quanto o Haval H6 PHEV19 (3,24 s). Ainda não tivemos a oportunidade de tirar os números do Tiggo 7 PHEV em nossa pista de testes.

Quando a bateria acaba...

Quando a bateria chega a 15%, as coisas ficam estranhas... — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil
Quando a bateria chega a 15%, as coisas ficam estranhas... — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil

Com a bateria próxima do esgotamento, o Jaecoo 7 começa a revelar uma face que até então era oculta. O primeiro sinal vem do som do motor a gasolina, que se eleva em modo de regeneração. Tal característica é comum nos carros híbridos plug-in, mas sua intrusividade não apenas chamou minha atenção como incomodou.

Depois, reparo que a agilidade de outrora havia desaparecido. O Jaecoo 7 passa a ter um comportamento amarrado, como se o motor a combustão precisasse de grande esforço para mantê-lo a velocidades elevadas. Também observo que a transmissão DHT mantém o motor a rotações mais altas para mitigar a perda de potência, o que também interfere no conforto acústico da cabine.

São duas faces muito distintas de um mesmo carro. Sua versão elétrica é ágil, agradável e silenciosa. Entretanto, sem o “empurrãozinho” extra do conjunto plug-in, o Jaecoo 7 fica manco, amarrado e barulhento. A marca chinesa precisa trabalhar para oferecer ao consumidor a opção de fazer a regeneração obrigatória de energia, um recurso que os BYD e GWM já possuem.

A suspensão do protótipo que experimentamos está próxima do arranjo que foi aprovado para o modelo importado da China, cujo primeiro lote já desembarcou no Brasil. Os amortecedores são suficientemente rígidos para conter balanços verticais e horizontais no asfalto ondulado, mas o curso da suspensão pode desagradar motoristas mais exigentes em vias esburacadas. Mesmo assim, apesar de macio, não o considero tão “molenga” com outros SUVs chineses.

Por fim, o Jaecoo 7 terá pacote ADAS de segurança ativa completo no Brasil. Isso inclui controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistente de permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência e sensor de ponto cego. Todos funcionam bem, mas o assistente de faixa tem a tendência de fazer o veículo "ziguezaguear" de um lado para o outro da faixa de rolagem, sem seguir uma linha reta.

Especial híbridos Auto News Brasil

E o consumo do Jaecoo 7?

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Submetemos o Jaecoo 7 a um teste de consumo, mas não sem antes enfrentarmos alguns desafios. Isso porque a prova de Auto News Brasil inclui um trajeto de 35 km, simulando condições de cidade, vias expressas e estrada. O computador de bordo do SUV, porém, só marca o consumo parcial dos últimos 50 km e, como confirmamos com a marca, não é possível zerar este resultado — somente o odômetro parcial e a velocidade média. Esperamos que isso seja revisto até o lançamento.

Estudamos como contornar a questão e, efetuado o teste com o nível das baterias em cerca de 50% e em modo híbrido, com ar sempre ligado, o Jaecoo 7 registrou 28,6 km/l no computador de bordo. Em rodovia, sob as mesmas condições, a uma velocidade de cruzeiro de 100 km/h, o SUV marcou outro número excelente: 17,9 km/l. Já o resultado do consumo elétrico em modo híbrido, mesclando os motores, foi de 33.3 km/kWh.

Veredito

Após dirigir o Jaecoo 7, percebi que a proposta do SUV pode esbarrar no perfil do motorista brasileiro. Quem comprá-lo precisará estar ciente de que terá de carregá-lo com frequência. Melhor ainda se tiver um carregador doméstico, conforme atestamos em nosso especial de híbridos com o GWM Haval H6.

Depender de recargas a “golpes de oportunidade”, como afirmou o meu vizinho de vaga, que tem um Song Pro, será difícil. Questionei-o sobre o carregador instalado no condomínio e ele afirmou que talvez nem fosse utilizá-lo. “Ando só na gasolina”, pontuou.

Se meu vizinho fosse proprietário de um Jaecoo 7, teria apenas a experiência do conjunto a combustão que tanto criticamos. Também questionamos a Omoda Jaecoo sobre a velocidade da recarga, mas a marca optou por guardar segredo.

Em outros mercados, o Jaecoo 7 PHEV apresenta uma capacidade de recarga rápida em corrente contínua (DC) a até 40 kW, e carregamento lento em corrente alternada (AC) de apenas 3,3 kW. A operação brasileira não confirma esses números, mas afirma que este será um dos "pontos fortes" do SUV médio em seu lançamento.

Ce — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil
Ce — Foto: Vitor Bernardes/Auto News Brasil

As principais qualidades do Jaecoo 7 são a ótima central multimídia, o bom espaço interno, seu desempenho e a condução convincente em modo elétrico. Pelo lado negativo, destacamos o porta-malas modesto, o conjunto híbrido inconsistente e o acabamento que, apesar da qualidade inquestionável, não faz jus a uma marca que se diz premium.

Sem preço definido, a Omoda Jaecoo informou apenas que o SUV híbrido será rival direto do GWM Haval H6 PHEV19, que custa R$ 244 mil. Após conhecermos ambos em detalhes, ficou evidente que o estreante terá de custar menos que o conterrâneo para fazer sentido nas lojas. Quando a versão definitiva chegar, faremos um supercomparativo para determinar qual é o melhor SUV chinês do Brasil.

Jaecoo 7 - Prós e contras

  • Pontos positivos: espaço interno, central multimídia e desempenho em modo elétrico
  • Pontos negativos: conjunto a combustão, porta-malas modesto e qualidade do acabamento

Jaecoo 7 - Teste instrumentado

ACELERAÇÃO
0 - 100 km/h (segundos) 7,04 s
0 - 400 m (segundos) 14,9 s
0 - 1.000 m (segundos) 27,2 s
Velocidade a 1.000 m 186,2 km/h
Veloc. real a 100 km/h 98 km/h
RETOMADA DE VELOCIDADE
40 - 80 km/h (Drive) 2,91 s
60 - 100 km/h (Drive) 3,51 s
80 - 120 km/h (Drive) 4,89 s
FRENAGEM
100 - 0 km/h (metros) 39,9 m
80 - 0 km/h (metros) 26,1 m
60 - 0 km/h (metros) 14,3 m

Ficha técnica: Jaecoo 7

Ficha técnica
Preço: entre R$ 220 mil e R$ 245 mil (estimado)
Motor: Diant., transv., 4 cil. em linha, 1.5, turbo, gasolina + 1 elétrico
Potência (comb.): 339 cv
Torque (comb.): 52 kgfm
Câmbio: Automático, DHT, uma marcha
Zero a 100 km/h: 7,04 segundos (Auto News Brasil)
Bateria: 18,3 kWh (íons de lítio)
Autonomia: 70 km (fabricante)
Carregamento máx.: não divulgado
Consumo urbano: 28,6 km/l (Auto News Brasil)
Consumo rodoviário: 17,9 km/l (Auto News Brasil)
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e multilink (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.)
Pneus: 235/50 R19
Tanque: 60 litros
Porta-malas: 340 litros (fabricante)
Peso: não divulgado
DIMENSÕES
Compr.: 4,50 metros
Largura: 1,86 m
Altura: 1,67 m
Entre-eixos: 2,67 m

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