Especial híbridos: Discovery diesel está mais forte, mas é econômico?
SUV de luxo combina motor 3.0 diesel e sistema híbrido leve de 48V; veja como isso se reflete na eficiência
Este texto faz parte do especial sobre carros híbridos publicado na edição 709 da revista Auto News Brasil, que traz nossa vivência com os veículos durante o recesso na virada do ano. Todos os demais testes que compõem o conteúdo podem ser encontrados aqui. Boa leitura!
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A inusitada combinação de motores a diesel e conjuntos híbridos deve se tornar comum na segunda metade da década. É algo que você verá, por exemplo, na próxima geração da Toyota Hilux. Para a JLR, tal tecnologia serviu para prolongar a vida do New Discovery— mas só enquanto a nova geração não chega em 2026. Não à toa, trata-se de um conjunto híbrido leve, que prioriza a redução de emissões e não o consumo de combustível.
O New Discovery também é o carro mais caro vendido no Brasil presente no especial de híbridos da Auto News Brasil. Parte de R$ 759.875 na versão Dynamic e chega a R$ 775.505 no pacote Metropolitan, o mais equipado. Em comum, há o motor 3.0 diesel de seis cilindros em linha da família Ingenium, com um alternador capaz de funcionar como propulsor elétrico. Somados, desenvolvem 300 cv de potência a 4.000 rpm e 66,3 kgfm de torque a 1.500 rpm, com transmissão automática de oito marchas.
Aqui, o conjunto elétrico de 48V utiliza sua energia para dar a partida no sistema start/stop e fornecer uma leve assistência de torque nos momentos em que o motor diesel é mais exigido — e nada mais. Não há, por exemplo, um modo “coasting” ou “velejar”, em que o motor a combustão é desligado por completo em certas condições de condução para economizar combustível. Para um carro nesta faixa de preço, é um sistema um tanto quanto rudimentar e até contraditório.
Isso não tira os méritos do Discovery, que agrada ao volante. O motor diesel ronca e vibra mais do que unidades a gasolina, mas o bom isolamento acústico contém o incômodo. Diferentemente da linha Range Rover, o SUV diesel não traz um sistema de cancelamento de ruído, que emite frequências opostas na cabine para mitigar o barulho externo.
O volante é leve e igualmente desmultiplicado. É preciso girá-lo várias vezes para manobrar em vagas apertadas, o que será bem comum na vida de quem dirige o SUV de 4,95 metros de comprimento e 2,22 m de largura (sem os retrovisores). Outro empecilho é a altura de 1,88 m, que faz o Discovery passar "raspando" na maioria dos estacionamentos. O modelo que testei ainda estava equipado com rack de teto, que fez o SUV ganhar ao menos 20 cm.
A solução que a Land Rover encontrou foi instalar o controle ativo de altura para a suspensão. São quatro modos: acesso (a altura mais baixa possível, para facilitar entrada e saída), normal, off-road 1 e off-road 2. Dessa forma, o SUV pode beirar 2,20 m de altura somando o rack de teto.
Percorri 630 km com o Discovery sem abastecer, devolvendo o veículo quase na reserva (o tanque de combustível tem 89 litros). Ele deve ser abastecido com diesel com baixo percentual de enxofre, como o S10. Por ser um carro híbrido leve, passei longe das estações de recarga elétrica que foram tão comuns na vida dos meus colegas neste período. O consumo médio alternou entre 6,5 km/l e 8,5 km/l, o que condiz com a autonomia total do SUV. Em raras condições de estrada ou via expressa, é possível marcar 12 km/l.
O SUV ainda se mostra bem competente no acabamento, que inspira solidez, e no pacote de equipamentos. Gosto bastante do recurso que a Land Rover encontrou para controlar o ar-condicionado digital. O display está em um pequeno disco rotativo, onde é possível alternar entre temperatura, intensidade do ventilador e até refrigeração dos bancos de forma muito intuitiva. Num tempo em que os carros perdem botões, é uma alternativa inteligente.
Acabamento de couro marrom reveste toda a parte superior do painel e das portas. Plástico preto brilhante de boa qualidade marca presença, deixando as impressões digitais do motorista expostas. Saídas de ar-condicionado com telinha para os ocupantes do banco traseiro dão o ar da graça, bem como para os dois assentos extras escondidos no porta-malas de 450 litros (5 lugares) ou 258 litros (7 lugares).
Mesmo com suas qualidades, e perdoando algumas falhas, o New Discovery ainda é um carro convincente. Essa geração foi lançada em 2017 e implora por uma modernização, principalmente no design. Isso acontecerá em 2026, quando o modelo totalmente renovado será mostrado, preterindo seu caráter aventureiro para adotar uma roupagem mais familiar.
Enquanto o futuro não chega, a JLR se reconecta com o passado por meio da linha Classic Works. Não sabe do que se trata? Dê play no vídeo mais abaixo e embarque com a Auto News Brasil em uma aventura pelo Reino Unido.
- Pontos positivos: Conforto, acabamento e ergonomia são pontos fortes do Discovery
- Pontos negativos: Os 5 metros de comprimento tornam difícil conduzi-lo na cidade
Land Rover Discovery MHEV 48V 2025
| Quilômetros rodados |
| Cidade: 610 |
| Estrada: 20 |
| Total: 630 |
| Consumo médio: 8,5 km/l |
| Combustível usado: 85 litros |
| Carregamento: aqui não, amigo |
Land Rover Discovery MHEV 48V 2025
| Ficha técnica |
| Preço: R$ 775.505 |
| Motor: Diant., long., 6 cilindros em linha, 3.0, turbo, diesel |
| Potência (comb.): 300 cv a 4.000 rpm |
| Torque (comb.): 66,3 kgfm a 1.500 rpm |
| Câmbio: Automático, 8 marchas, tração integral |
| Zero a 100 km/h: 6,8 segundos |
| Conjunto híbrido: 48V |
| Consumo (Inmetro): 9,5 km/l (urbano) e 11,4 km/l (rodoviário) (D) |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Indep., braços sobrepostos (diant.) e multilink (tras.) |
| Freios: Discos ventilados |
| Pneus: 285/40 R22 |
| Tanque: 89 litros |
| Porta-malas: 450 litros (5 lugares) e 258 litros (7 lugares) |
| Peso: 2.437 kg |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 4,95 metros |
| Largura: 2,07 m |
| Altura: 1,88 m |
| Entre-eixos: 2,92 m |
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