Teste: Porsche 911 Carrera GTS é o híbrido mais diferente que você já viu
Primeiro 911 híbrido da história usa a eletrificação de uma maneira diferente... e genial!
O Porsche 911 é mais do que um carro: é uma instituição. Justamente por isso, cada evolução tem de ser certeira. E o Carrera GTS inaugura a eletrificação na linhagem com ousadia, garantindo ao esportivo o “pior start-stop” do mundo. Não. Não é uma crítica negativa. É um elogio. Explicaremos já. Auto News Brasil teve contato com as variantes cupê e cabriolet da configuração. Por terem características similares, aqui vamos nos ater à segunda, com preço sugerido de R$ 1,28 milhão.
Nas duas opções, o inédito 3.6 boxer biturbo substitui o antigo 3.0. O aumento da capacidade cúbica não foi por mera casualidade: a Porsche entendeu que, com maior deslocamento e fluxo de ar, seria possível manter o caráter visceral do seis-cilindros mesmo com a adição do sistema T-Hybrid.
Sozinho e ajustado para a gasolina brasileira, o propulsor a combustão entrega 495 cv de potência e 58,1 kgfm de torque, e trabalha em conjunto com o motor elétrico integrado ao famoso câmbio PDK de dupla embreagem e oito marchas.
Resultado combinado: 541 cv e 62,2 kgfm, suficientes para levar o 911 Carrera GTS Cabriolet de zero a 100 km/h em 2,9 segundos no Campo de Provas Rota 127, nossa gloriosa pista de testes. Mais rápido do que os 3,1 s divulgados pela fabricante, talvez cautelosa na aferição. Tais números fazem a configuração figurar entre as mais rápidas da icônica família.
Não à toa, o sistema T-Hybrid é a joia da engenharia da Porsche. Trata-se de um sistema híbrido compacto, focado em desempenho. O motor elétrico de 56 cv atua diretamente sobre o eixo de saída da transmissão. Assim, temos torque imediato em qualquer regime, sem atrasos na entrega de potência.
Mais elaborado é o compressor do gás de escape do turbo elétrico. Elimina o “lag” das turbinas tradicionais e cria pressão de sobrealimentação instantânea. Em fases de recuperação, a mesma turbina gera energia por meio do fluxo dos gases — conceito semelhante ao do 919 Hybrid.
A bateria de 1,9 kWh foi projetada para ciclos rápidos de carga e descarga. A energia recuperada em descidas ou frenagens é convertida em novas explosões de aceleração, num ciclo que parece interminável. Esse grau de sofisticação traz algumas consequências curiosas. O 911 Carrera GTS tem um sistema híbrido feito para não parecer híbrido.
Calma que estamos falando no bom sentido: o motor elétrico apenas auxilia o boxer, mas jamais traciona as rodas sozinho. Ou seja, um híbrido feito para não parecer híbrido nem roubar o protagonismo do imponente seis-cilindros. Entretanto, como a arquitetura possui alta voltagem, 400 V, o 911 Carrera GTS é um híbrido pleno (HEV), e não leve (MHEV). Ao mesmo tempo, o start-stop é tão rápido no retorno que surpreende o motorista.
Apesar da pinta de superesportivo, o 911 Carrera GTS é dócil na cidade, propiciando arrancadas suaves e progressivas. O câmbio PDK ajuda nesse conforto, deslizando pelas marchas sem trancos. Ainda assim, a suspensão adaptativa com molas curtas e auxiliares na traseira cobra seu preço.
Buracos e desníveis são sentidos com clareza, lembrando a cada instante que se trata de um carro voltado para a pista. Com 4,55 metros de comprimento, 2,45 m de entre-eixos, 1,85 m de largura e 1,30 m de altura, o 911 Carrera GTS tem, claro, centro de gravidade reduzido e ataca bem as curvas.
Por outro lado, o entre-eixos mais curto aumenta as inclinações e exige compensações da suspensão para garantir estabilidade a velocidades altas. Em pisos irregulares, o combo entre-eixos curto/suspensão faz com que os impactos sejam mais sentidos, o que demanda atenção redobrada.
Ponto de destaque é o eixo traseiro esterçante. Em baixas velocidades, as rodas traseiras giram em sentido oposto ao das dianteiras, reduzindo o diâmetro de giro e tornando o carro mais ágil nas manobras urbanas. Quando a velocidade aumenta, elas esterçam na mesma direção das dianteiras, ampliando a estabilidade nas curvas.
Na cabine, o 911 Carrera GTS Cabriolet segue a filosofia Porsche. Antes, claro, bom dizer que o acesso também é padrão: não é dos mais fáceis. O condutor tem banco esportivo com ajuste elétrico de 18 vias e memória e volante com ótima pegada.
Embora minimalista, a cabine tem bom acabamento. O forro do capô cria uma ambiência envolvente e as soleiras das portas são em alumínio escovado. Para completar, o sistema de som é Bose. Entre os itens de segurança, o esportivo conversível traz assistência de manutenção em faixa, aviso de colisão e frenagem autônoma emergencial, incluindo proteção de pedestres.
Mas é na estrada que o 911 Carrera GTS mostra a que veio. A cada pisada, graças ao auxílio do motor elétrico, o 3.6 responde de imediato, sem hesitação. O motor sobe a até 7.500 rpm com vigor e as retomadas são fulminantes. A suspensão dá ao carro estabilidade quase antinatural. Os 1.675 kg são bem disfarçados pela distribuição de peso e pelo trabalho de chassi; e a recuperação de energia das frenagens transforma o que seria perda em ganho.
Não à toa, os números de pista impressionam. O zero a 100 km/h evidencia o papel do sistema híbrido em eliminar o “lag”. A progressão até 120 km/h em 3,95 s mostra como a entrega de torque é linear. Outro registro assombroso obtido em nossa pista de teste foi o zero a 1.000 m em 19,8 s, cruzando a marca a 269 km/h. Caracteriza, na prática, não apenas uma aceleração explosiva como também elasticidade — sinal de que, mesmo com capota e peso extra em relação ao cupê (80 kg), o cabrio não tem seu desempenho comprometido.
O 911 Carrera GTS Cabriolet é, ao mesmo tempo, brutal e civilizado. Um carro difícil para uso na cidade, mas que domina as estradas com maestria, entregando desempenho de pista com consistência. Ser híbrido é só um detalhe.
Ponto positivo: Desempenho e dirigibilidade dignos de um esportivo de estirpe
Ponto negativo: Acesso complicado, espaço interno limitado e difícil uso no dia a dia
Porsche 911 GTS Cabriolet
| TESTE |
| ACELERAÇÃO |
| 0 - 100 km/h: 2,93 s |
| 0 - 400 m: 10,86 s |
| 0 - 1.000 m: 19,8 s |
| Vel. a 1.000 m: 269 km/h |
| Vel. real a 100 km/h: 98 km/h |
| RETOMADA |
| 40 - 80 km/h (Drive): 1,7 s |
| 60 - 100 km/h (D): 1,6 s |
| 80 - 120 km/h (D): 2,3 s |
| FRENAGEM |
| 100 - 0 km/h: 35,9 m |
| 80 - 0 km/h: 23,4 m |
| 60 - 0 km/h: 12,6 m |
| CONSUMO |
| Urbano: 7,4 km/l |
| Rodoviário: 11,7 km/l |
| Média: 9,6 km/l |
| Aut. em estrada: 737 km |
Porsche 911 GTS Cabriolet
| Ficha técnica |
| Preço: R$ 1,28 milhão |
| Motor: Tras., longit., 6 cil. contrapostos, 3.6, 24V, biturbo, injeção direta, gasolina + elétrico |
| Bateria: 1,9 kWh (íons de lítio) |
| Potência: 541 cv a 6.500 rpm |
| Torque: 62,2 kgfm a 1.950 rpm |
| Câmbio: Dupla embreagem, 8 marchas, tração traseira |
| Direção: Eletromecânica |
| Suspensão: Ativa, indep., McPherson (diant.) e multilink (tras.) |
| Freios: Discos ventilados |
| Pneus: 245/35 ZR 20 (diant.) e 315/30 ZR 21 (tras.) |
| Tanque: 63 litros |
| Porta-malas: 135 litros (fabricante) |
| Peso: 1.675 kg |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 4,55 metros |
| Largura: 1,85 m |
| Altura: 1,30 m |
| Entre-eixos: 2,45 m |
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