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Testes de Carros

Por Por Sérgio Duarte, com transcrição e adaptação de Marcos Rozen

Quando ainda mantinha suas linhas anteriores, da primeira geração, a Belina contava com uma versão enfeitada com imitação de madeira nas laterais, bem do tipo Station Wagon americana, tentando conquistar – ou mesmo criar – um mercado próprio para as peruas familiares no Brasil.

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Hoje as coisas estão bem mudadas, e a Belina II mais ainda. Não só entrou no mercado como foi tão bem-sucedida que agora o influencia. Uma das razões para isso é que a Ford soube usar de grande coerência no processo de adequação do modelo ao mercado, adiantando-se em requintes necessários e usando de equilíbrio nos demais quesitos.

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A Belina II tornou-se um dos veículos mais procurados e, o que é muito importante, mais valorizados no mercado de carros usados. Penetrou com muita homogeneidade em capitais e regiões interioranas, tudo resultado da confiabilidade que foi angariando ao longo dos anos.

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Para que se possa fazer uma avaliação correta de qualquer veículo, temos que considerá-lo em função de seu uso, sob pena de dar nota zero ao banco traseiro de um Ferrari Mondial 8 ou a mesma nota zero à aceleração de uma Kombi diesel. Como a Belina evidencia seus propósitos familiares como veículo versátil e econômico, sem pretender recordes em aceleração ou estilo, tamanho ou preço, consideramos as notas dadas (ao final da reportagem) tendo como referencial uma família e o que ela pode exigir de um carro.

Essencialmente familiar, Belina II LDO chegou a 147 km/h de velocidade máxima — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU
Essencialmente familiar, Belina II LDO chegou a 147 km/h de velocidade máxima — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU

Economia absurda

Quando fizemos as medições de consumo a velocidades constantes de estrada, tomamos como errado o resultado obtido na primeira medição, a 80 km/h. Refizemos a prova e passamos, em virtude dos números alcançados, a prestar o dobro de atenção. E, a cada nova medição, mais uma confirmação.

Em todas as medições passamos dos 14 km/l, graças ao uso da quinta marcha, chegando, em seis medições, à excelente média de 14,3 km com apenas um litro de etanol! Transformando isso em dados mais reais para quem enfrentará uma estrada, temos um custo por quilômetro de Cr$ 3,64, ou Cr$ 3.640,00 para uma viagem de 1.000 km (cerca de R$ 327 em valores corrigidos até setembro de 2025 pelo IPCA). É claro que seria uma marca difícil de ser obtida em todas as viagens, uma vez que as condições mudam em função da estrada, horário, movimento e carga.

Mas também em outras condições foram obtidos dados animadores – como, por exemplo, os números que indicam o consumo em cidade: 8,2 km/l para centro urbano, 8,8 km/l para bairros periféricos e 9 km/l para vias expressas.

O cômputo desses números, de acordo com a média ponderada de Auto News Brasil, resulta em 8,6 km/l para cidade, ou um custo/quilômetro de Cr$ 6,05 (R$ 0,54 em valores atualizados até setembro de 2025), um ótimo valor, sem dúvida. Em todos os resultados de consumo obtivemos números excelentes, razão pela qual a Belina II mereceu nota máxima nesse item.

Console com relógio digital do Del Rey e toca-fitas marcavam a versão LDO da  — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU
Console com relógio digital do Del Rey e toca-fitas marcavam a versão LDO da — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU

As inovações para 1982

O ar-condicionado é a primeira novidade na linha 1982. Por meio de um pequeno painel de controle, situado na parte inferior esquerda do módulo principal de instrumentos, pode-se comandá-lo e receber ótimos resultados.

Apenas para fazer uso de um bom exemplo, estranhamos a ausência do desembaçador térmico para o vidro traseiro. Na primeira oportunidade que tivemos de enfrentar um embaçamento, ligamos o sistema que desembaça o para-brisa e o fluxo de ar, além de limpar a visibilidade frontal, foi, em pouco espaço de tempo, responsável por desembaçar por completo também o vidro traseiro. Demonstrou-se então que não seriam tão necessários os filamentos térmicos ali.

Para enfrentar viagens ou mesmo o trânsito urbano com uma temperatura mais agradável em dias quentes, o sistema de ar-condicionado mostrou-se de rara eficiência, com temperatura agradável sem fluxo direto de ar – e a possibilidade de atuar em curto espaço de tempo.

Comandos do ar-condicionado da Ford Belina eram posicionados de forma que só o motorista conseguia usá-los — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU
Comandos do ar-condicionado da Ford Belina eram posicionados de forma que só o motorista conseguia usá-los — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU

No mesmo painel de controle está todo o sistema de ventilação, inclusive o ar quente, que funciona gradualmente. As saídas de ar são distribuídas em quatro venezianas de painel, com fluxo dirigível, sendo duas centrais e duas nas laterais. Oferecem também a possibilidade de bloqueio.

Para a melhora da atuação do sistema, foi implantada uma hélice de ventilação adicional em nylon, movida por motor elétrico, acionada automaticamente quando necessário. Ao entrar o compressor em funcionamento, um comando no acelerador registra um novo regime de marcha lenta, cerca de 750 giros a mais, para que a rotação não caia em excesso nas paradas de trânsito.

Aproveitando a referência ao conta-giros, há indicações de como usá-lo. Entre as marcações tradicionais de rotações e seu respectivo limite, encontramos uma zona verde. Começa pontilhada, passa à linha cheia e volta a ser pontilhada. É a faixa “econômica” de utilização do motor, melhorando na linha cheia e chegando ao ponto de economia máxima localizado em cerca de 2.750 rpm.

Suspensão mudou na Ford Belina 1982, mas o conforto continuou a ser a prioridade — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU
Suspensão mudou na Ford Belina 1982, mas o conforto continuou a ser a prioridade — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU

Outro acessório muito bom para a Belina LDO é o console central. Localizado em boa posição, contém um porta-objetos central com aleta divisória e porta-mapa do lado direito, de bom uso também como porta-revista. Pouco acima, o rádio AM/FM com toca-fitas e mais acima o relógio com calendário e cronômetro, o mesmo que equipa o Del Rey Ouro. A alavanca de mudanças fica pouco atrás, mais bonita e bem melhor de ser operada.

Ainda por dentro, a Belina II LDO ganhou apoios de cabeça, equipamento que a Ford tanto relutou, mas acabou adotando, no mais recente estilo europeu: em poliuretano expandido em forma de elemento vazado. Cumpre sua função, permitindo ainda que se melhore tanto a visibilidade quanto a sensação claustrofóbica dos modelos compactos.

Continuando com os novos equipamentos de segurança, temos agora o cinto inercial de três pontos de fixação com "ponto de relaxamento” que permite uma folga mesmo depois de regulado, evitando o atrito desagradável dos outros modelos.

O painel da Ford Belina 1982, simples porém eficiente, ganhou conta-giros no lugar do relógio — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU
O painel da Ford Belina 1982, simples porém eficiente, ganhou conta-giros no lugar do relógio — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU

E o retrovisor externo do lado direito agora também está equipado com comando interno, facilitando muito sua regulagem pelo motorista – vale lembrar que a maioria dos motoristas ainda faz uso incorreto desse precioso auxiliar de visibilidade pela dificuldade de regulagem. Também por dentro, o sentido de rotação das maçanetas de acionamento dos vidros foi invertido.

Três importantes alterações mecânicas

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A primeira delas, por ordem de uso, é a implantação de novos limitadores para a alavanca de mudança de marchas. Com isso os engates ficaram mais fáceis, os movimentos mais curtos e a tensão permaneceu a mesma.

A segunda das alterações importantes é a modificação da suspensão, tornando-a mais firme sem endurecer, e eliminando grande parte do balanço que ocorria em curvas em S ou irregularidades do solo. Nas curvas de maior velocidade, pode-se controlar melhor a trajetória, e a forte tendência a sair de frente, embora ainda permaneça, ficou menos acentuada. Pode-se, inclusive, “trazer” a traseira em casos extremos, recurso quase impossível anteriormente.

O emblema indicando o nome Ford Belina, estranhamente, ficava só nas laterais — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU
O emblema indicando o nome Ford Belina, estranhamente, ficava só nas laterais — Foto: Auto News Brasil/Acervo MIAU

Como terceiro item pela ordem, mas talvez primeiro em importância, está o novo banho de níquel químico N28 que o carburador recebeu. Evitando em grande parte a corrosão, dispensa o uso de aditivos no etanol. Essa camada não pode ser aplicada antes porque a liga de zinco (zamac) do carburador não a aceitava. Um banho intermediário de cobre eliminou o problema e o aditivo, o que se transforma em grande vantagem a longo prazo.

Conclusão

Definitivamente, o que determina a vantagem de compra de um veículo é o quanto ele é completo para o uso a que se destina, como já dissemos no início da matéria. Os quadros de notas e medições se encarregarão de dizer o resto. Mas ainda vale a pena lembrar que são nos menores detalhes que a evolução de um modelo é avaliada.

No caso da Belina II, a alça de abertura da porta traseira é uma prova disso: ninguém deixaria de comprar o carro se não houvesse, pois até hoje muitos o compraram assim, sem ela. Mas este ano ela está lá, facilitando o manuseio da tampa, sem que o consumidor tivesse exigido isso da fábrica. Convenhamos, é um bom caminho.

Texto publicado originalmente na edição 206, de janeiro de 1982

Notas de Auto News Brasil

Desempenho 9
Consumo 10
Estabilidade 9
Autonomia 10
Dirigibilidade 9
Conforto 9
Comandos 9
Painel 8
Porta-malas 9
Estilo 9
Motor 10
Freios 9
Direção 8
Suspensão 8
Transmissão 10
Segurança 9
Nível de ruído 9
Acabamento 10
Visibilidade 10
Iluminação 9
Média 9,2

Ficha técnica - Ford Belina

Carroceria e chassi Carroceria em chapas de aço estampado, tipo perua, três portas e cinco lugares. Estrutura monobloco diferenciada
Motor Dianteiro, longitudinal, quatro cilindros verticais em linha, bloco em ferro fundido, cabeçote em liga leve, árvore de manivelas com cinco mancais, árvore de comando de válvulas lateral acionada por corrente; alimentação por carburador de corpo simples e fluxo descendente; refrigeração a água por embreagem eletromagnética; combustível etanol
Diâmetro e curso dos pistões 76,96 x 83,50 mm
Cilindrada total 1.556 cm3
Potência 67 cv/49,1 kW (SAE) a 4.800 rpm
Torque 12,2 mkgf/119,5 Nm (5AE) a 2.800 rpm
Transmissão Tração dianteira, embreagem monodisco a seco de acionamento mecânico, caixa de câmbio mecânica de cinco marchas sincronizadas à frente e uma à ré, alavanca de comando no assoalho
Relações de câmbio 1.º) 1:3,46; 2.º) 1:2,21; 3.º) 1:1,42; 4.º) 1:0,97; 5.º) 1:0,86; ré) 1:3,08
Suspensão Dianteira independente, com braços triangulares inferiores, braços tensores diagonais, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos; traseira por eixo rígido, braços tensores longitudinais, braço triangular superior, molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos
Freios Freios de serviço de acionamento hidráulico, servo-assistido, com duplo circuito convencional, discos na frente e tambores atrás. Freio de estacionamento mecânico sobre as rodas traseiras, alavanca entre os bancos
Direção Mecânica, tipo pinhão e cremalheira, com 3,5 voltas de batente a batente
Rodas De aço estampado, aro de 13 polegadas, tala de 5 polegadas
Pneus Radiais de aço de perfil baixo, 185/70 SR 13
Distância mínima do solo 200 mm
Tanque de combustível 63 litros
Porta-malas 388 litros/1.796 litros
Peso 997 kg

Resultados dos testes de Auto News Brasil

ACELERAÇÃO
0 a 80 km/h 11,5 segundos
0 a 100 km/h 16,7 segundos
0 a 400 metros 21,6 segundos
0 a 1.000 metros 37,8 segundos
RETOMADA
40 a 60 km/h (3ª. m) 4,2 segundos
40 a 60 km/h (4ª. m) 7,1 segundos
60 a 80 km/h (3ª. m) 4,3 segundos
60 a 80 km/h (4ª. m) 7,4 segundos
80 a 100 km/h (3ª. m) 6 segundos
80 a 100 km/h (4ª. m) 7,8 segundos
FRENAGEM
60 a 0 km/h 16,8 metros
80 a 0 km/h 27,6 metros
100 a 0 km/h 44,6 metros

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