VW Taos 2022 chega com bons atributos para tentar derrubar a hegemonia do Jeep Compass
Mais novo integrante da família de SUVs da marca, modelo agrada pelo bom espaço interno, tecnologia e ótimo desempenho
Por Thais Villaça
Eles reúnem espaço, posição alta de dirigir e bom valor de revenda. Não é segredo para ninguém que os SUVs vêm dominando as preferências dos consumidores, tanto que a categoria não para de crescer no mundo todo desde 2010.
Aproveitando essa popularidade, a Volkswagen passou a investir em sua família de utilitários esportivos. Deixou de lado o foco em modelos populares, como o Gol, seus tradicionais sedãs, como o Passat, ou carros consagrados, como o Golf, para centralizar as atenções em um segmento que, em um passado não tão distante, era reservado apenas aos clientes mais endinheirados, com o Tiguan (ainda na ativa) e o Touareg, que se despediu do mercado brasileiro no início de 2019.
Ao lançar o T-Cross, nesse mesmo 2019, a montadora testemunhou um sucesso instantâneo: o jipinho se tornou o mais vendido do segmento em 2020; foram 60.119 unidades em um ano dificílimo para o mercado em razão da pandemia.
Também no ano passado foi a vez de apresentar o Nivus, um crossover baseado no Polo com muita tecnologia, desempenho afinado e bom custo/benefício. Em seis meses de mercado, já havia entregado mais de 16 mil carros. Neste ano, os dois ocupam a quinta e a sexta posições entre os SUVs mais vendidos, com pouco mais de 20 mil e de 14 mil emplacamentos, respectivamente.
Tudo isso para falar que acaba de chegar ao mercado mais um integrante dessa recém-criada família. O Taos entra em cena para se tornar uma espécie de “irmão do meio”, posicionado entre o T-Cross e o Tiguan — que se mantém como modelo de topo da marca alemã, com seus sete lugares, 220 cv, porta-malas com capacidade para abrigar uma pequena família e preços acima de R$ 230 mil.
Não é à toa que as fabricantes tenham passado a ver esse segmento intermediário com outros olhos. Se no início havia uma distinção clara entre SUVs compactos e grandes, em 2016 o Jeep Compass chegou para bagunçar essa separação. Desde então, reinou praticamente sozinho, registrando participação de mercado impressionante para um veículo de mais de R$ 100 mil.
As marcas começaram a acordar somente cinco anos depois; primeiro a Toyota, que lançou o Corolla Cross em março, e agora a Volkswagen.
De origem argentina, o Taos segue a fórmula do caçula Nivus: apenas uma motorização e duas versões de acabamento, ou seja, uma gama bem enxuta — ao contrário do que a Stellantis oferece com o Compass e seus dois motores (flex e diesel) distribuídos em sete versões.
Ambas terão o conjunto mecânico formado pelo já conhecido motor 1.4 TSI de 150 cv e 25,5 kgfm e pelo câmbio automático de seis marchas, o mesmo que equipa a configuração de topo do T-Cross e a linha esportiva GTS de Polo e Virtus.
Faróis full LED, painel digital, rodas de 18’’, suspensão independente, ar-condicionado de duas zonas, aletas para trocas de marchas atrás do volante e a central multimídia VW Play com conexão para Android Auto e Apple CarPlay sem fio e tela de 10,1” serão itens de série em todas as versões.
A Comfortline custa R$ 154.990, mais cara que as opções mais simples de Compass e Corolla Cross, mas o VW é mais equipado. Por R$ 181.790, a Highline oferece mais tecnologia, com recursos como frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e controle de cruzeiro adaptativo. A marca criou uma Edição de Lançamento por R$ 191.060, essa das fotos, que tem teto, retrovisores e coluna A pintados de preto, teto panorâmico e mimos como Sem Parar e seguro pagos por um ano. Mas não adianta ir atrás dela: as 300 unidades do pré-lançamento esgotaram em sete minutos.
Algo que impressiona no Taos logo de cara é o seu tamanho. Com 2,68 m de entre-eixos (4 cm a mais que os dois concorrentes), ele é bem confortável por dentro e tem bastante espaço para os passageiros de trás, que ainda usufruem de saídas de ar e uma entrada USB do tipo C. O túnel central alto atrapalha para levar um quinto ocupante, mas os rivais também sofrem desse mal.
É no porta-malas, porém, que a vantagem fica ainda mais evidente. O SUV da Volkswagen tem capacidade para ótimos 498 litros, contra 440 l do Corolla Cross e somente 410 l do Compass.
Bem que tentamos levar o Taos para a pista, mas a chuva atrapalhou, então teremos os números de desempenho em uma próxima oportunidade. Mas já deu para sentir que o SUV não vai ser um mero coadjuvante nessa briga de médios.
Segundo a montadora, o 1.4 turbo leva o Taos aos 100 km/h em 9,3 segundos e o faz chegar aos 194 km/h de velocidade máxima. Os dados são semelhantes aos registrados no segmento: em nossa pista, o Compass fez a prova de aceleração em 9,4 s e o Corolla Cross, em 9,6 s.
Já o consumo não impressiona, e estamos falando em dados do Inmetro. Com gasolina, o SUV roda 10,2 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada; com etanol, 6,8 km/l e 8,5 km/l, respectivamente.
Apesar de ter menos potência que os rivais, o modelo conta com a maior relação peso/torque (que equivale à força do motor), com seus 25,5 kgfm e 1.420 kg. O Compass tem 27,5 kgfm, mas pesa 1.589 kg, e o Corolla Cross tem o mesmo peso do Taos, mas 21,4 kgfm. Então, se você achava que os 150 cv não iam dar conta diante dos 185 cv do Jeep e dos 177 cv do Toyota, enganou-se.
O comportamento do Taos surpreende quem vê o bichão de fora e acha que, por seu tamanho avantajado, as acelerações seriam letárgicas. Pelo contrário. Ele responde rápido aos comandos e tem um bom casamento com o câmbio, que faz trocas ligeiras quando o motor é mais exigido e sem que haja trancos fortes nas reduzidas.
Os quatro modos de direção também ajudam a encontrar o tipo de condução ideal para o perfil de quem está atrás do volante. No Normal, feito para quem não quer pensar em nada ao dirigir, ele já tem uma pegada interessante. O Sport, por sua vez, torna o volante mais firme e faz as trocas a quase 7.000 rpm, deixando o carro mais rápido, sim, mas, ao mesmo tempo, barulhento e gastão. Já o Eco faz o contrário: corta o giro logo que ele começa a subir para economizar combustível, mas o desempenho fica mais chocho.
A graça é usar o perfil Individual para descobrir a melhor combinação, ajustando os parâmetros que mais lhe agradem. Colocar no modo Sport e deixar o câmbio com trocas manuais (usando as borboletas para a função, claro) deixa o Taos mais arisco, combinando a direção durinha com a possibilidade de subir as marchas um pouquinho antes (em relação às trocas no automático) sem perder potência e evitando o desconforto de ouvir o motor se esgoelar. Vale a pena. Só faltou ter um ajuste mais firme de suspensão para aumentar a esportividade.
É claro que a Volkswagen, com toda sua expertise, não ia deixar barato ao entrar nessa disputa. O Taos pode até ter um design menos interessante —apesar de estrear no Brasil o conceito da grade iluminada, que será tendência nos carros da marca — e um preço menos convidativo, mas certamente possui atributos que devem catapultá-lo a uma boa posição de vendas, incomodando o reizinho Compass, coisa que o Corolla Cross ainda não conseguiu fazer.
VW Taos 2021 tem o maior preço comparado aos rivais, mas será que o desempenho é superior?
Volkswagen Taos - Edição de Lançamento
| Ficha Técnica |
| Preço: R$ 191.060 |
| Potência: 150 cv a 5.000 rpm (G e E) |
| Torque: 25,5 kgfm a 1.500 rpm (G e E) |
| Câmbio: Automático, seis marchas; tração dianteira |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Independente, McPherson (D) e multilink (T) |
| Freios: Discos ventilados (D) e discos sólidos (T) |
| Pneus: 215/55 R18 |
| Porta-malas: 498 litros (fabricante) |
| Peso: 1.420 kg |
| Central multimídia: 10,1", sensível ao toque |
| DIMENSÕES |
| Compr.: 4,46 metros |
| Largura: 1,84 m |
| Altura: 1,63 m |
| Entre-eixos: 2,68 m |
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