Teste: Jaguar F-Type conversível mostra que um 2.0 é mais do que parece
Um conversível reestilizado com motor de Range Rover Evoque e preço abaixo dos R$ 500 mil. Será que agrada?
Por Michelle Ferreira
É bem fácil definir o propósito do Jaguar F-Type. Ele nasceu para alegrar, para abrir sorrisos. Não dá para dizer que a versão que testamos, a de entrada, tem desempenho de superesportivo, mas o motor 2.0 turbo de 300 cv impressiona.
O conversível também será capaz de lhe fazer feliz em uma rodovia num dia ensolarado. Mas nada de levar a família ou muita bagagem, pois só há dois lugares. O porta-malas comporta apenas 233 litros com a capota fechada e 132 litros com o teto aberto. É, sem dúvida, o segundo (ou terceiro, quarto...) carro de alguém.
O modelo reestilizado chegou ao Brasil no final do ano passado. A grande mudança visual está na dianteira, principalmente nos faróis, que antes eram mais verticais. Agora eles estão mais finos e horizontais. O design elegante e imponente tornou-se mais agressivo depois das mudanças. A grade ficou maior e as entradas de ar ganharam novo formato. Os traços estéticos também têm função aerodinâmica: de acordo com a fabricante, as duas novas saídas de ar no capô favorecem a refrigeração do motor.
A silhueta do carro continua a mesma. O desenho das rodas, porém, está diferente. Podem ser de 19 ou de 20 polegadas (a peça maior é opcional). Já o teto pode ser preto, vermelho ou bege. Na traseira, o para-choque foi redesenhado e as lanternas de LED perderam aquele formato redondo. As luzes da seta agora são dinâmicas.
As maçanetas são embutidas, assim como as do Range Rover Velar. O F-Type compartilha muitos elementos de outros carros do grupo (o que inclui modelos da Land Rover). A tela multimídia de 10 polegadas sensível ao toque também já é conhecida, assim como o sistema de som, da grife Meridian, que tem 380 Watts, dez alto-falantes e um subwoofer.
O acabamento é impecável e discreto. Como na maioria dos carros de luxo, existe uma infinidade de maneiras para customizar o interior. É possível escolher detalhes de fibra de carbono ou alumínio, o cinto de segurança pode ser vermelho e os bancos esportivos têm nove tipos de revestimentos.
Jaguar F-Type conversível tem motor de Range Rover Evoque e preço abaixo dos R$ 500 mil
A manopla, no estilo joystick, tem inspiração aeronáutica, segundo a montadora. Os assentos possuem ajuste elétrico, assim como a coluna de direção. Também há memória de posição tanto para o motorista quanto para o passageiro.
Já o painel de instrumentos configurável é novo e conta com tela de alta resolução de 12,3 polegadas. Embora o F-Type 2022 seja bastante moderno, ainda fica devendo o carregamento de celular por indução. No entanto, você pode carregar seu aparelho em uma das duas entradas USB-C que ficam dentro de um compartimento para guardar objetos no console central.
O F-Type possui quatro airbags, câmera de ré e sensores de estacionamento dianteiro e traseiro. O ar-condicionado tem só uma zona, mas dá para acrescentar outra com um pacote extra de equipamentos. O preço aumenta cerca de R$ 20 mil em troca de mimos adicionais, como para-brisa térmico, volante com aquecimento, ar bizona, assistente de ponto cego e monitor de tráfego cruzado.
E o que o F-Type esconde debaixo do capô? Um motor 2.0 turbo de quatro cilindros e 300 cv de potência (a gasolina) — o mesmo usado no Range Rover Evoque. A tração é traseira e a velocidade máxima é de 250 km/h. Existe a opção de um 3.0 V6 de 380 cv, mas as vendas, que eram feitas sob encomenda, estão suspensas. Os preços para o seis cilindros ficam entre R$ 633 mil e R$ 643 mil.
Mas e o motor V8? A má notícia é que a Jaguar deixou (de vez) de oferecer o 5.0 de oito cilindros no Brasil. Possivelmente porque o preço chegaria perto de R$ 1 milhão com a atual cotação do dólar e da libra. Em compensação, o 2.0 turbo torna viável ao F-Type se candidatar a segmentos “mais baixos”.
O propulsor de 300 cv tem disposição e proporciona um ronco instigante, ainda mais se você deixar o sistema de escapamento ativo acionado. Um botão no console abre as válvulas eletrônicas do escapamento, alterando o timbre do som. Fica mais alto e mais grave.
Claro que o F-Type com motor 2.0 não tem desempenho parelho com a versão V6, muito menos como a do V8. Porém, está longe de desapontar, até porque é muito leve: são só 1.540 kg.
O câmbio é sempre automático de oito marchas. As trocas são muito suaves e praticamente imperceptíveis. A esportividade aumenta ainda mais por ser possível realizar trocas manuais por meio das borboletas atrás do volante.
No painel alteram-se os modos de condução: o modo Dinâmico deixa a suspensão mais rígida e as respostas do acelerador, mais rápidas. Já o modo Chuva, Gelo e Neve restringe a entrega de potência, bem como a primeira marcha, uma vez que nessas situações o carro precisa de menos torque e mais modularidade no acelerador.
Na nossa pista de testes, o equilíbrio do conjunto fica ainda mais visível. O zero a 100 km/h foi feito em 6 segundos, três milésimos a mais do que o número oficial divulgado pela Jaguar. O turbo deu agilidade ao F-Type nas retomadas e deixou o consumo incrivelmente satisfatório para um carro de 300 cv. O conversível fez 9,9 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada. A versão de entrada do Jaguar F-Type perdeu cilindros e ganhou o turbo. Não é um carro barato, claro, mas não deixa de ser uma alternativa mais acessível ao mundo dos esportivos conversíveis. Seu principal rival, o Porsche 718 Boxster, também tem motor 2.0 turbo de 300 cv e custa 460 mil. Aliás, não deixe de conhecê-lo antes de fechar negócio, ok?
Jaguar F-Type Conversível
| Números |
| ACELERAÇÃO |
| 0 - 40 km/h: 1,9 s |
| 0 - 80 km/h: 4,3 s |
| 0 - 100 km/h: 6 s |
| 0 - 120 km/h: 8,2 s |
| 0 - 400 m: 14,2 s |
| 0 - 1.000 m: 25,7 s |
| Veloc. a 1.000 m: 207,5 km/h |
| Vel. real a 100 km/h: 96 km/h |
| RETOMADA |
| 40 - 80 km/h (Drive): 3,1 s |
| 60 - 100 km/h (D): 3,2 s |
| 80 - 120 km/h (D): 3,8 s |
| FRENAGEM |
| 100 - 0 km/h: 37,5 m |
| 80 - 0 km/h: 24,3 m |
| 60 - 0 km/h: 13,7 m |
| CONSUMO |
| Urbano: 9,9 km/l |
| Rodoviário: 13,3 km/l |
| Média: 11,6 km/l |
| Aut. em estrada: 838 km |
Jaguar F-Type Conversível
| Ficha Técnica |
| Preço sugerido: R$ 488.950 |
| Motor: Diant., longit., 4 cil. em linha, 2.0, 16V, gasolina |
| Potência: 300 cv a 5.500 rpm |
| Torque: 40,7 kgfm a 1.500 rpm |
| Câmbio: Automático de 8 marchas |
| Direção: Elétrica, 10,6 m de diâm. de giro |
| Suspensão: Independente, braços sobrepostos (dianteira e traseira) |
| Freios: Discos ventilados |
| Pneus e rodas: 255/35 R20 (diant.) 295/30 R20 (tras.) |
| Tanque: 63 litros |
| Porta-malas: 233 litros (capota fechada) e 132 litros (capota aberta) |
| Peso: 1.540 kg |
Jaguar F-Type Conversível
| O Que Mais Importa |
| O CARRO |
| - Produzido na fábrica da Jaguar em Castle Bromwich, no Reino Unido |
| - Oferecido em duas carrocerias: coupé e conversível |
| - A tração é sempre traseira |
| - As vendas da versão 3.0 V6 com compressor estão suspensas |
| CURIOSIDADES |
| - Manopla no formato de joystick foi inspirada na aeronáutica |
| - Para abrir o porta-luvas basta apertar um botão |
| - O aerofólio é acionado conforme a velocidade aumenta |
| Um botão no console central abre as válvulas eletrônicas do escapamento e eleva o ronco do motor |
Jaguar F-Type Conversível
| Gastos |
| REVISÕES |
| 10 mil km: R$ 1.950 |
| 20 mil km: R$ 2.790 |
| 30 mil km: R$ 1.950 |
| Cesta de peças: R$ 73.716 |
| Garantia: 3 anos |
| PROJEÇÃO PARA 1 ANO |
| Consumo (média urbana de 30 km diários percorridos): R$ 4.559 (gasolina) |
| Troca de óleo (inclui troca dos filtros de ar e óleo): R$ 758,65 |
| Seguro: N/D |
Jaguar F-Type Conversível
| Ponto positivo | Ponto negativo |
| Motor 2.0 turbo é equilibrado: agrada no desempenho e no consumo. O acabamento e os itens de série são pontos fortes | Não é tão divertido quanto a versão com motor V6 ou V8, que não estão mais disponíveis no Brasil. É mais caro que o rival Porsche 718 Boxster |
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