Teste: Jeep Compass 2022 chega com novo motor turboflex para brigar com VW Taos e Toyota Corolla Cross
Com concorrentes fortes chegando no mercado, SUV se atualiza para não perder espaço em um segmento no qual reinou sozinho por anos
Por Thais Villaça
Nos últimos cinco anos, o Jeep Compass reinou praticamente sozinho no mercado brasileiro de SUVs médios. Isso porque não havia concorrentes diretos: acabava brigando com as versões topo de linha de utilitários compactos, ou até mesmo abocanhava vendas de modelos maiores (que ficariam muito fora de preço com a lista de equipamentos oferecida nas versões mais caras do Compass).
Para um carro cujo preço começa em R$ 140 mil, vendas anuais de 60 mil unidades não são nada desprezíveis, como aconteceu no seu auge, em 2018 e 2019. Mesmo em 2020, quando todo o mercado sofreu uma queda brutal devido à pandemia da covid-19, quase 53 mil compradores levaram o SUV para casa. É um fenômeno.
Por isso, as rivais começaram a acordar; afinal, é um segmento que só cresce e novas opções são sempre bem recebidas por esse público. A Toyota saiu na frente: lançou o Corolla Cross no Brasil em março, modelo com bastante apelo por pegar carona no nome de seu consagrado sedã e ainda oferecer uma versão híbrida. A VW, claro, também se mexeu. Anunciou a estreia do Taos, que deve chegar às lojas entre o fim de maio e o início de junho com motor 1.4 turbo de 150 cv para entrar nessa briga.
Apesar do sucesso do Compass, a Jeep resolveu dar uma repaginada no SUV para que não fique com o fardo de ser um carro “velho”. A reestilização foi sutil, é verdade. Por fora, só os mais detalhistas vão perceber as diferenças. Mas, além do interior e de novos equipamentos, a principal mudança do modelo está sob o capô: o inédito motor 1.3 turbo GSE.
Sai de cena o 2.0 aspirado de 166 cv e 19,2 kgfm para dar lugar à novidade, que tem até 185 cv e 27,5 kgfm — é o motor com mais potência e torque produzido no país. Isso significa que o SUV ficou mais econômico e melhorou bastante o desempenho, que, convenhamos, já era acertado no modelo antigo.
As primeiras versões a estrear serão as flex, em cinco opções: Sport, Longitude, Especial 80 Anos, Limited e Série S — que antes só existia como diesel e agora será a de topo com o motor 1.3. Os preços partem de R$ 139.990 na Sport, enquanto a versão mais cara vai custar R$ 187.990.
Mas antes de falar do comportamento do Compass ao volante, vamos conferir o que muda no seu estilo. O para-choque dianteiro é novo, especialmente nos nichos que abrigam os faróis de neblina, além de ser mais projetado para fora. Com isso, o ângulo de entrada ficou maior, de 16,2 graus para 21,5 graus, o que ajuda na hora de passar por lombadas e valetas sem raspar a frente do carro. A famosa grade de sete aberturas verticais recebeu uma leve inclinação, e todo o conjunto de faróis agora é full LED. As lanternas, apesar de manterem o formato antigo, têm novos elementos internos.
Na Série S, as peças plásticas dos para-choques e das laterais, como molduras de rodas e portas, são pintadas na cor do carro. Já as molduras dos vidros e da grade e o nome da marca e da versão são foscos, ou seja, mais discretos que em outras variantes com detalhes cromados.
O interior, que já era um dos pontos fortes do Compass, tem muito mais novidades. A começar pelo painel de instrumentos digital com 10,25”, fácil de mexer e de ótima visualização. Volante, console central e painéis de porta também são novos. Por falar em porta, sabe aquela piadinha “não tem geladeira em casa?”, quando batem forte a do seu carro? Você não vai usá-la. Como elas são pesadas, precisam de força para serem fechadas, então prepare o muque!
Há ainda uma nova opção de revestimento interno para as configurações Longitude e Série S, um cinza clarinho chamado Steel (que não era o da unidade testada). A Limited também recebe uma opção na cor marrom Arizona.
A nova central multimídia tem tela de 10,1" com estilo flutuante e traz a nova geração do sistema UConnect, com conexão para Apple CarPlay e Android Auto sem fio. É bem simples de mexer e tem algumas funções interessantes, como a possibilidade de configurar a tela principal com atalhos que o proprietário escolhe, como as funções mais usadas, por exemplo. Tem também GPS embarcado e sistema de concierge e monitoramento, assim como o MyLink, da Chevrolet.
Jeep Compass 2022 ficou mais econômico e rápido com o novo motor 1.3 turbo de 185 cv?
O Compass vem agora com novas tecnologias que já trazem um pezinho na condução semiautônoma, como frenagem de emergência com detecção de pedestres e reconhecimento de placas pela câmera frontal. A lista de itens de segurança tem ainda detector de fadiga do motorista, auto hold (que permite ao condutor retirar o pé do freio com o veículo parado no trânsito sem colocar na posição P) e sete airbags.
Outras novidades são rebatimento automático dos retrovisores, carregador de celular por indução, entrada USB do tipo C para o banco de trás e porta-malas com sensor de presença, que abre quando você passa o pé sob o para-choque traseiro.
Como se trata apenas de uma reestilização, as medidas não mudaram, portanto o porta-malas manteve seus 410 litros de capacidade. Apesar do bom tamanho, é menor que o de seus concorrentes: o Corolla Cross leva 440 l e o Taos contará com um bagageiro de ótimos 498 l quando começar a ser vendido, nos próximos meses.
Agora vamos ao que interessa, contar como é dirigir o novo Compass. O motor 1.3 turbo flex surpreende pelo desempenho afinado. Ele leva os mais de 1.500 kg do SUV sem sofrimentos — pelo contrário, é bem espertinho nas arrancadas e extremamente ágil nas retomadas de velocidade, ainda mais levando em conta o peso do veículo.
Em nosso teste, a versão Série S acelerou até os 100 km/h em 9,4 segundos — uma boa diferença em relação ao modelo com o antigo 2.0, que realizou a prova em 11,6 s na pista. Melhor tempo que o do Corolla Cross, que registrou 9,6 s.
As retomadas foram rápidas, levando 4,1 s para ir de 40 km/h a 80 km/h, 5,1 s de 60 km/h a 100 km/h e 6,3 s de 80 km/h a 120 km/h (o 2.0 fazia 5,1 s, 6,4 s e 7,6 s, respectivamente). São médias bem próximas às do concorrente japonês — resta saber se o Taos vai ter fôlego para bater os rivais.
Os números servem para dar uma ideia geral, mas você deve estar se perguntando como eles se traduzem na vida real. Já na saída é possível sentir que as respostas são mais rápidas que as do anterior, mesmo mantendo o câmbio automático de seis marchas — que tem trocas suaves e pode ficar ainda mais esperto com o uso das borboletas no volante, recurso de série na versão de topo.
A aceleração é bem linear e, dependendo da força aplicada no pedal da direita, o motor sobe rapidamente o giro e um som alto invade a cabine, mas nada que chegue a incomodar. Em velocidade de cruzeiro, é silencioso e se comporta sem grandes surpresas. O controle de tração ajuda a entrar nas curvas mais fortes com confiança, apesar da estabilidade comprometida pela altura comum dos SUVs. Outro ponto positivo é o ajuste da suspensão, que prioriza o conforto em baixas velocidades.
E o consumo? Como só tivemos contato com o carro em pista, não conseguimos fazer nossa medição. Contudo, segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), o SUV é mais econômico que seu antecessor: 10,2 km/l na cidade e 11,7 km/l na estrada com gasolina (ante 8,8 km/l e 10,8 km/l do anterior) e 7,2 km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada com etanol (6,1 km/l e 7,5 km/l no 2.0).
E quem disse que SUVs familiares não podem ser divertidos? Acione a tecla Sport, localizada abaixo da alavanca de câmbio. O primeiro aspecto notado é o volante, que se torna imediatamente mais firme. O acelerador fica mais sensível, o câmbio segura as trocas para um giro mais alto e o ronco do motor ganha um leve rugido rouco. Está longe de ser ser um SUV esportivo, mas é possível fazer uma graça.
A vida mansa do Compass está prestes a acabar. Toyota Corolla Cross e principalmente o inédito VW Taos podem se tornar grandes ameaças. Porém, a Jeep deu novas armas ao utilitário, que vai brigar de igual para igual e tentar manter seu reinado.
Jeep Compass Série S
| Teste |
| ACELERAÇÃO |
| 0 - 100 km/h: 9,4 s |
| 0 - 400 m: 16,7 s |
| 0 - 1.000 m: 30,4 s |
| Veloc. a 1.000 m: 175 km/h |
| Vel. real a 100 km/h: 96 km/h |
| RETOMADA |
| 40 - 80 km/h (Drive): 4,1 s |
| 60 - 100 km/h (D): 5,1 s |
| 80 - 120 km/h (D): 6,3 s |
| FRENAGEM |
| 100 - 0 km/h: 43,6 m |
| 80 - 0 km/h: 28 m |
| 60 - 0 km/h: 15,8 m |
| CONSUMO (Etanol) |
| Urbano: 7,2 km/l |
| Rodoviário: 8,3 km/l |
| Média: 7,7 km/l |
| Aut. em estrada: 498 km |
Jeep Compass Série S
| Ficha Técnica |
| Preço (estimado): R$ 190 mil |
| Motor: Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.3, 16V, turbo, injeção direta de combustível, flex |
| Potência: 180 cv (G) e 185 cv (E) a 3.750 rpm |
| Torque: 27,5 kgfm (G e E) a 1.750 rpm |
| Câmbio: Automático, 6 marchas; tração dianteira |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Independente, McPherson (D e T) |
| Freios: Discos ventilados (D); discos sólidos (T) |
| Pneus: 235/45 R19 |
| Tanque: 60 litros |
| Porta-malas: 410 litros (fabricante) |
| Peso: 1.589 kg |
| Central multimídia: 10,1 pol., sensível ao toque |
| DIMENSÕES |
| Compr.: 4,40 metros |
| Largura: 1,82 m |
| Altura: 1,62 m |
| Entre-eixos: 2,64 m |
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