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Motoristas de aplicativo estão infringindo recomendações de segurança e fechando corridas por fora, a preços fixos e mais altos, durante grandes eventos. Acontece em festas, formaturas, rodeios, jogos de futebol e, principalmente, shows e festivais de música. Embora os apps não aconselhem a prática, este acordo “informal” entre motoristas parceiros e passageiros se tornou comum.

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Auto News Brasil conversou com os três lados (motoristas, passageiros e aplicativos) para entender os motivos deste acordo ter se popularizado — especialmente em São Paulo (SP), onde a agenda de shows internacionais está movimentada. No mês passado, artistas como Dua Lipa, Linkin Park e Oasis se apresentaram na cidade; nesta sexta-feira (5) será a vez do Maroon 5.

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Corridas mais caras

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Motorista de aplicativo compartilha sua taxa de aceitação baixa em grupo no Facebook — Foto: Reprodução/Facebook
Motorista de aplicativo compartilha sua taxa de aceitação baixa em grupo no Facebook — Foto: Reprodução/Facebook

Ao sair de um show do Coldplay no estádio do Morumbi, a secretária executiva Beatriz Gregnani solicitou uma corrida pelo Uber até sua casa, em Guarulhos. O valor exibido no app era de R$ 150, mas nenhum motorista aceitou.

“Estava muito difícil conseguir um Uber. Fiquei com receio [da espera]. Tinha vários motoristas de apps passando pela região, mas nenhum aceitou”, relatou.
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Em grupos de WhatsApp e no Facebook, motoristas compartilham o método para dificultar caronas pelo app — Foto: Reprodução/Facebook
Em grupos de WhatsApp e no Facebook, motoristas compartilham o método para dificultar caronas pelo app — Foto: Reprodução/Facebook

Depois de vários cancelamentos, Beatriz e sua mãe, enfim, conseguiram embarcar após combinarem o pagamento de R$ 210 a um motorista — representando aumento de 40% no preço. “Tudo correu normalmente no trajeto”, disse.

O que dizem os apps?

Auto News Brasil entrou em contato com a Uber, que recomendou que todas as viagens sejam solicitadas direto pelo aplicativo. “Um serviço feito fora destes padrões não é uma viagem de Uber e, portanto, não dispõe das ferramentas de tecnologia e processos de segurança oferecidos pela plataforma”, relatou o app em nota oficial enviada à nossa reportagem.

A empresa se refere ao rastreamento do trajeto e à garantia de segurança dos passageiros, tendo em vista que, para ser aprovado, o motorista deve passar por uma série de processos: verificação de identidade periódica, validação da CNH, documentação do veículo, histórico de antecedentes criminais, etc. Fechar a corrida por fora ao fim de um evento tampouco garante que o motorista, de fato, está afiliado a um aplicativo.

“A oferta de viagens fora da plataforma configura uma violação aos Termos e Condições de adesão ao aplicativo, além de um descumprimento ao que estabelece a lei [...]”, informou o app.

É a mesma opinião da 99 que, em seu site oficial, desaconselha que os motoristas parceiros cobrem valores fechados em corridas fora do aplicativo. Quem o fizer estará infringindo uma regra e poderá ter sua conta banida.

"Nossos motoristas parceiros recebem orientações frequentes quanto ao uso adequado do aplicativo, justamente para evitar esse tipo de ocorrência. Reforçamos que comportamentos que não estejam alinhados com os nossos valores não são tolerados, e medidas corretivas são adotadas conforme a gravidade do caso, podendo incluir ações que vão desde uma orientação formal até a suspensão da plataforma", respondeu a 99 a uma passageira no Reclame Aqui.

O que dizem os motoristas?

Motorista de app - motorista de aplicativo - Uber - 99 - GPS - motorista mulher — Foto: Getty Images
Motorista de app - motorista de aplicativo - Uber - 99 - GPS - motorista mulher — Foto: Getty Images

O motorista de aplicativo Ronaldo Lopes, de Barueri (SP), compartilha seu dia a dia para mais de 36 mil seguidores no Instagram. Ele contou para Auto News Brasil que a corrida particular é “uma resposta direta à insatisfação de ambos os lados: motoristas e passageiros”.

“A remuneração dos apps é vista como insuficiente. As taxas descontadas pelas plataformas, somadas aos custos operacionais, tornam o lucro cada vez menor, incentivando a busca por 100% do valor da viagem”, afirmou Lopes.

Ainda de acordo com o motorista, quem trabalha em shows e festivais precisa lidar com o deslocamento não remunerado e a ociosidade. “O tempo de espera — devido ao trânsito e bloqueios — não é devidamente compensado pela plataforma. Isso prejudica o motorista, que perde tempo e combustível, e o passageiro, que enfrenta cancelamentos e longas esperas”.

Segundo o motorista, além de uma remuneração mais digna, os apps poderiam criar zonas de embarque e desembarque otimizadas em parceria com a engenharia de tráfego municipal. "Bolsões ou pontos de embarque exclusivos e bem sinalizados poderiam reduzir drasticamente o tempo de espera. Se os aplicativos oferecerem segurança, agilidade e preços justos, a corrida particular seria outra história".

Apps de carona com negociação são alternativa

Neste cenário, algumas empresas surgem no Brasil com a proposta de negociação entre passageiro e motorista. Menos populares que Uber e 99, o InDrive permite que o interessado na corrida dê um preço pelo trajeto. O motorista poderá recusar ou fazer uma contraproposta por valor maior.

Dessa forma, o passageiro poderá usufruir da escolha do preço enquanto terá as validações de segurança do motorista. No caso do InDrive, o app diz que as corridas podem ser até 20% mais baratas do que nos apps convencionais.

Errata: a primeira versão deste texto apontava que o aplicativo BlaBlaCar permitia que os passageiros determinassem o preço da corrida. O app afirmou que o valor definido pelo condutor nunca excede o limite máximo estabelecido pela plataforma. A informação foi corrigida.

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