Detran faz reparo em airbags mortais antes de leiloar carros apreendidos
Iniciativa do órgão de trânsito é promovida em São Paulo e 18 reparos já foram concluídos em carros da Honda
Após a polêmica envolvendo as longas filas de espera para o recall dos airbags defeituosos da Takata no início do ano, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) criou uma iniciativa para fornecer reparo aos veículos apreendidos antes dos leilões. Até o momento, 18 automóveis da Honda tiveram o item restaurado. O orgão de trânsito prevê a regularização de outros 400 veículos da marca.
Com a correção dos airbags, o projeto pretende devolver os carros aos seus proprietários ou encaminhá-los às praças de leilão em condições seguras de circulação. Para identificar os veículos, o órgão de trânsito realizou um cruzamento de dados a partir da lista de chassis compartilhada pela própria marca.
Como funciona o reparo dos airbags?
A manutenção corresponde à troca do insuflador dos airbags da Takata, que equiparam mais de 64 milhões de veículos no mundo. Unidades defeituosas permitem a infiltração de umidade, que pode desgastar as partes metálicas do airbag. Quando a bolsa é disparada em um acidente, a intensidade do impacto faz a peça se romper, lançando estilhaços contra o motorista. Em alguns casos, os ferimentos podem ser fatais.
É importante dizer que a troca do insuflador do assento do motorista é sempre realizada, enquanto uma verificação é feita para constatar se o airbag frontal do passageiro precisa ser substituído. No caso da ação de reparo do Detran-SP, todos veículos que passaram pela manutenção tiveram os dois airbags frontais renovados.
Quase 7 milhões de casos no Brasil
Também é possível que veículos de outras fabricantes recebam o reparo, desde que os dados sejam compartilhados com o órgão de trânsito. Isso porque o recall da Takata afeta veículos de 16 marcas no Brasil: Audi, BMW, Chevrolet, Chrysler, Citroën, Dodge, Fiat, Ford, Honda, Mitsubishi, Mercedes-Benz, Peugeot, Renault, Subaru, Toyota e Volkswagen. A Volvo também abriu uma campanha pelo mesmo motivo, mas seus airbags são da fornecedora Autoliv.
Quando consideramos os problemas com airbags frontais no país, independentemente da fabricante do item de segurança, são 6.862.264 casos registrados, sendo 134 modelos de carros, uma van e uma motocicleta. Vale lembrar que os dados se referem a airbags de qualquer fabricante com recall similar, não apenas a Takata.
Auto News Brasil teve acesso ao levantamento em março deste ano, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), em março de 2025. O estudo exclusivo revelou que 23 marcas fizeram 112 campanhas para substituição do item de segurança obrigatório.
Segundo o Ministério da Justiça, responsável pela Secretaria Nacional do Consumidor, 73% das chamadas já haviam sido atendidas até o primeiro trimestre deste ano, resultando em 4.963.900 de peças substituídas. Mesmo assim, 1,9 milhão de veículos ainda não haviam cumprido a chamada no período mencionado.
Defeito causou duas mortes em 2024
Nos dias 11 e 23 de dezembro de 2024, duas mortes foram registradas em Rio Verde (GO) e no Rio de Janeiro (RJ), respectivamente. Os veículos em questão eram um Honda Civic e um Toyota Corolla, que ao terem os airbags acionados na colisão lançaram estilhaços metálicos que levaram os motoristas a óbito.
As marcas japonesas foram as mais afetadas pelo recall da Takata. A Honda repercute 943 mil unidades defeituosas e 861.617 veículos consertados, correspondendo a uma reparabilidade de 92%. Já a Toyota tem 2.034.745 veículos no recall, mas 1.892.091 já foram consertados. Neste caso, o índice é de 93%.
Consultadas por Auto News Brasil em janeiro deste ano, outras duas marcas divulgaram as estatísticas do recall. A HPE Automotores, responsável pela Mitsubishi, diz que 67.777 veículos estão envolvidos no Brasil, mas 84% deles passaram pelo reparo. A Nissan tem cerca de 340 mil chamados, com 81% de atendimento. Demais fabricantes não divulgaram seus índices.
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