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A vida do brasileiro não é fácil. São Paulo, maior e mais rica cidade do país, oferece diversos problemas de infraestrutura. Um dos mais críticos são as enchentes que assolam a população durante o verão, época em que mais chove na região. Mesmo que não sofram o temido calço hidráulico, muitos motoristas perdem a placa do carro ao trafegar por vias alagadas. Depois, ficam com muitas dúvidas sobre como proceder para obter a segunda via.

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Aconteceu comigo. No final de janeiro, eu trafegava pela avenida Sumaré, Zona Oeste da capital paulista, uma baixada rodeada de morros íngremes dos dois lados, quando foi registrada a chuva mais forte da história do município em mais de 36 anos. Singelo. Fiquei ilhado e, enquanto tentava escapar do alagamento, lá se foi a placa dianteira do meu Volkswagen Up! levada pela correnteza.

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Segunda via de placa veicular: troca sempre será por uma chapa do padrão Mercosul — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil
Segunda via de placa veicular: troca sempre será por uma chapa do padrão Mercosul — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil

E, aí, tive de iniciar um périplo em busca da regularização do veículo. Não durou tanto quanto no passado, verdade. A resolução demorou duas semanas e meia, que poderiam ter sido apenas uma semana se eu tivesse dado mais urgência ao caso. Mas me custou caro: R$ 754,51, para ser mais preciso. Isso porque eu aproveitei a deixa para transferir o carro de estado, visto que eu o comprei de minha mãe e ele estava registrado em outra UF.

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Posso rodar com o carro temporariamente sem placa?

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Antes de explicar como fiz a substituição da chapa de identificação do meu carro, preciso responder a dúvida acima, muito comum entre proprietários de veículo que perdem uma das placas. E a resposta direta é: não. Nem mesmo temporariamente, com a documentação em mãos para comprovar o processo de troca.

O artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que qualquer veículo só pode rodar em vias públicas devidamente emplacado. As exceções são quando a montadora precisa transportá-lo da fábrica ou do porto para a concessionária, quando a concessionária vai transportá-lo para o local de emplacamento ou durante os primeiros 15 dias de uso após a compra, como zero-quilômetro, por parte do usuário.

Segunda via de placa veicular: antes de procurar a emplacadora, é preciso seguir os trâmites do Detran — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil
Segunda via de placa veicular: antes de procurar a emplacadora, é preciso seguir os trâmites do Detran — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil

Ainda assim, mesmo que você trafegue com o BO e os documentos de solicitação da nova placa impressos no porta-luvas, pode ser autuado por infração gravíssima, com multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e apreensão do veículo. Importante: o motorista está suscetível a essas sanções mesmo quando está apenas levando o veículo para colocar a segunda via da placa de carro.

Quando uma placa veicular é perdida, o Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo (Detran-SP) recomenda que se faça um Boletim de Ocorrência (BO). O processo pode ser feito de forma online, por meio deste link.

Questionamos o Detran-SP a respeito do tema, e esta foi a resposta: “É importante fazer o BO, pois a pessoa se resguarda de diversas maneiras, inclusive contra alguém que encontre a placa e resolva usá-la. Mas a pessoa precisa colocar a placa nova o quanto antes”, resumiu a assessoria.

Segunda via de placa veicular: laudo de vistoria oficial é o primeiro passo — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil
Segunda via de placa veicular: laudo de vistoria oficial é o primeiro passo — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil

Ou seja, não há garantia plena de levar o carro à emplacadora sem risco de ser multado e ter o veículo apreendido. Aparentemente, cabe apenas levar os documentos e o BO consigo, torcer pelo melhor e contar com o bom senso do policial caso haja uma abordagem… Ou contratar uma plataforma para levar seu veículo.

Como obter a segunda via da placa de carro: passo a passo

A segunda via das placas seguirá sempre o padrão novo, do tipo Mercosul, mesmo se a anterior for do antigo padrão cinza ou do atual. E não adianta ir direto a uma emplacadora sem passar pelas demais etapas do processo, como o proprietário da empresa que eu procurei me relatou.

Segunda via de placa veicular: Detran vai emitir um documento comprovando a troca da placa e do CRV — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil
Segunda via de placa veicular: Detran vai emitir um documento comprovando a troca da placa e do CRV — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil

“Não dá para a emplacadora ir providenciando a nova placa enquanto eu inicio o pedido no Detran?”, é uma pergunta recorrente. Não. Na verdade, antes mesmo de iniciar o pedido de novo emplacamento, é preciso consultar se há débitos pendentes, como IPVA e licenciamento. E, claro, quitá-los. Também é necessário consultar se há algum outro tipo de restrição que impeça o serviço.

Segunda via de placa veicular: a confusa e quase ilegível lista de emplacadoras autorizadas pelo Detran-SP — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil
Segunda via de placa veicular: a confusa e quase ilegível lista de emplacadoras autorizadas pelo Detran-SP — Foto: Leonardo Felix/Auto News Brasil

Caso a situação veicular esteja regular, para fazer o processo de segunda via de placa é preciso proceder com os seguintes passos:

  1. Procure uma Empresa Credenciada de Vistoria (ECV) para a emissão de um laudo oficial atestando a necessidade da segunda via da placa. O Detran-SP informa que cada empresa cobra seu próprio valor e que este pode variar de uma para outra. No meu caso, paguei R$ 121,72. A consulta pode ser feita clicando aqui, com filtro por cidade e bairro.
  2. No estado de São Paulo, o próximo passo é agendar horário no chamado Poupatempo. Lá, leve os seguintes documentos: o laudo descrito acima; um documento de identificação pessoal original com foto, que pode ser a Carteira Nacional de Habilitação (CNH); CPF original, que já pode estar contido na CNH; comprovante de residência, caso o usuário precise informar que houve mudança de endereço do cadastro; documento do veículo (CRV) impresso em papel moeda ou o CRV digital, caso já seja. Atenção: estamos falando do CRV, que atesta a propriedade do veículo, e não do CRLV, o licenciamento.
  3. É no Poupatempo que se paga a taxa cobrada pelo Detran-SP, de R$ 285,05 caso o licenciamento daquele ano esteja em dia. Se não estiver, serão R$ 452,79. Eu paguei este segundo valor, mas no meu caso foi porque fiz também a transferência de estado.
  4. O Poupatempo ou Detran vai reter o CRV físico e informar um prazo longo de 15 dias úteis para a geração do CRV digital no aplicativo da CNH digital. Quando essa atualização ocorrer, o motorista está autorizado a ir para a última etapa. No meu caso, como houve mudança da antiga placa cinza para a Mercosul, houve também a mudança do código de identificação do veículo, mas pelo menos a atualização no meu app aconteceu em apenas dois dias úteis, e não 15.
  5. Só então é possível contatar uma emplacadora para confeccionar a segunda via de suas placas. A lista completa no estado de São Paulo pode ser conferida clicando aqui. Mas se prepare, pois vai abrir uma tabela gigante e sem filtros, de péssima visualização. Dica: use a ferramenta de busca por palavra em seu navegador de celular ou desktop para facilitar a pesquisa do local mais próximo. Novamente, o Detran-SP não informa um preço tabelado pelo serviço. Eu paguei R$ 180. Passei os dados de maneira antecipada assim que meu CRV digital atualizado ficou pronto e, quando cheguei lá, as placas já estavam prontas e foram instaladas em 5 minutos.

Não é de São Paulo? Os passos serão praticamente os mesmos, mas trocando a etapa do Poupatempo pelo contato direto com o Detran de seu Estado.

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