Top 10 das peruas que deveriam ser vendidas no Brasil agora mesmo
Mercados estrangeiros provam que as station wagons têm espaço mesmo com a infestação de SUVs
Por Julio Cabral
As station wagons perderam espaço para os SUVs em quase todos os lugares do mundo. Assim também foi no Brasil. Não há mais peruas populares, e somente pessoas ricas conseguem adquirir modelos mais recentes ou zero km. Nem nos segmentos premium elas se mantiveram — afinal, por que trazer um carro de nicho se o fabricante pode investir nos muito mais rentáveis SUVs? Auto News Brasil fez uma lista de dez carros que poderiam vir para cá.
A listagem inclui também peruas que já foram vendidas no Brasil, mas não modelos que têm alguma variante por aqui. É o caso da Audi A4 Avant, uma vez que a RS4 é comercializada no país - confira o teste.
E não se esqueça do babador. Garantimos que você vai precisar quando apreciar algumas das fotos.
BMW Série 3
Uma fonte da BMW até falou que a perua tinha chances de vir para o Brasil. Porém, o plano logo foi descartado. É uma pena, já que a Série 3 Touring tem tudo de que gostamos no sedã. Sua distribuição de peso lembra mais o modelo de três volumes do que qualquer SUV seria capaz. Até mesmo a dobra na última coluna está lá. Somente o porta-malas muda (e muito): são 500 litros, contra 365 l do sedã vendido no Brasil.
A tração pode ser integral, mas os entusiastas vão preferir queimar a borracha dos pneus traseiros. Claro que você tem de dar um bom exemplo para seus filhos, o que pode ser resolvido ao optar pela versão 330e Touring. A união dos motores 2.0 turbo e elétrico gera 252 cv, leva o carro de zero a 100 km/h em 6,1 segundos e possibilita que ele rode até 63 km apenas com eletricidade. Caso você não tenha medo de ser pecador, há ainda a M3 Touring vindo aí.
Ford Focus
Ford Escort SW. Essa perua deixou saudades e não foi substituída no Brasil pelo Focus station. Embora a marca americana já tenha deixado claro que só pretende investir em SUVs (ou crossovers) e picapes, a perua ainda está à venda na Europa e em outros mercados.
As linhas são um pouco controversas na parte dianteira, mas adquirem outro sex appeal na versão ST. Aproveitando que falei nela, a configuração tem motor 2.3 turbo de 280 cv. São cerca de 6 s de zero a 100 km/h. Já o porta-malas leva 575 l.
Jaguar XF Sportbrake
Dona Jaguar, dona Jaguar, por que você não aproveita que a V60 saiu do mercado e traz essa perua para cá? A XF Sportbrake nem parece que já tem seis anos, idade de muitos passageiros do banco traseiro. A atmosfera de clube londrino ajuda a educar as crianças à moda inglesa. Os pequenos lordes ainda podem levar suas coisas com folga, pois o porta-malas tem 565 l.
Pena que a Jaguar amansou o gato quando o assunto é motor. Diferentemente do XE, a perua tem como opção mais potente apenas o 2.0 de 300 cv na Inglaterra. Belo motor, sem dúvida, mas o V8 comprimido faz falta. Como tem tração AWD, a versão top avança de zero a 100 km/h em 5,9 s.
Mercedes-Benz Classe C
Poucas coisas mexem com a classe A como a Classe C. A nova geração da perua foi apresentada na Europa, mas não tem importação confirmada para o Brasil — o sedã vai chegar ainda neste ano. A station está sendo testada na cobiçada versão AMG, contudo ainda não está à venda. O jeito seria partir para uma normalzinha — o que não é ruim, já que a C200 tem um motor 1.5 turbo convencional associado a outro elétrico para gerar 204 cv. São necessários 7,5 s para alcançar os 100 km/h.
Clássico como o da sua antecessora, o estilo tem tudo aquilo de que gostamos: capô longo, teto em arco e uma bela traseira com lanternas horizontais. O espaço interno abusa do longo entre-eixos, e o compartimento para bagagens é bom (490 l).
Opel Insignia Sports Tourer
A Suprema moderna. Assim poderia ser definida a perua top de linha da Opel. O nome da marca já suscita saudades em muitos apaixonados pela era alemã da Chevrolet, justamente o período no qual foi feita a station wagon do Omega. A Insignia Sports Tourer segue a tradição da antepassada ao oferecer espaço e desempenho.
Há outro ponto em que o saudosismo é aflorado: a versão mais potente se chama GSi. O motor 2.0 de 230 cv tem como aliada a tração integral. O conjunto a leva de zero a 100 km/h em 7,6 s. O espaço interno é bom até para adultos altos e o porta-malas leva interessantes 560 l.
Peugeot 508
Já vendido por um curto tempo no Brasil, o 508 não deixou tanta saudade. Talvez a coisa fosse diferente se tivesse vindo a station wagon no lugar do sedã. Não faria sentido mercadologicamente, mas seria uma lembrança mais forte. A nova geração do 508 faz dele um dos carros mais belos do segmento. A perua é larga, longa e baixa, com dianteira pronunciada e linhas ousadas.
O design poderoso fica ainda mais acentuado na versão PSE (Peugeot Sport Engineered). O motor 2.0 tem reforço de outros dois propulsores elétricos para chegar aos 360 cv, o que a torna o modelo de produção mais potente da história da marca. O zero a 100 km/h é deixado para trás em apenas 5,2 s, e a perua roda até 42 km com eletricidade. É até difícil fixar a bagagem no porta-malas de 530 l.
Renault Megane Estate
Também fabricada no Brasil durante alguns anos, a Megane Estate é daquelas que despertam cobiça nos órfãos dos Renault europeus — a marca comercializa basicamente carros emergentes no país. Ainda mais nessa nova geração, que traz a opção híbrida plug-in.
A Megane Estate E-Tech tem o estilo da grife R.S., mas seu motor rende “apenas” 160 cv, valor obtido pela potência do 1.6 aspirado somada à ajuda da eletricidade. O desempenho é parecido com o do antigo modelo 2.0 manual feito no nosso país: zero a 100 km/h em 9,8 s. Porém, o veículo se destaca mesmo por poder rodar até 50 km sem queimar gasolina. Pena que o porta-malas é reduzido em relação ao carro convencional: são 447 l contra 504 l. Melhor, só se tivesse uma legítima versão R.S.
Toyota Corolla Touring Sports
Quem se lembra da Fielder? A perua do Corolla foi produzida aqui há algum tempo e deixou os fãs da Toyota sem sucessora nacional ou importada. É isso que nos faz salivar um pouco mais ao vermos que a Touring Sports é a versão mais bonita da nova geração. O capô em cunha combina com a carroceria espichada; já a dirigibilidade deve ter melhorado (e muito) com a suspensão traseira independente.
Claro que a versão preferida é a Hybrid, que não tem desempenho maravilhoso, a julgar pelo sedã nacional (que vai aos 100 km/h em 12,8 s). Se não é tão Sports assim, a perua justifica o nome Touring ao levar 598 l de bagagem — quase 600 l!
Volkswagen Golf Variant
Oi, sumida! Seria assim que alguém falaria com a Golf Variant se tivesse um crush por ela. Da mesma maneira que a perua da Volvo, a VW desapareceu recentemente no nosso mercado, e deixou saudade para aqueles que não veem o T-Cross como sucessor dela. O sentimento fica ainda mais aflorado quando vemos a oitava geração desfilando pela Europa. O design frontal pode ser polêmico, mas o resto é bem parecido. Mudar sem mudar muito é algo que o Golf domina.
A configuração mais bacana até o momento é a 2.0 turbo de 190 cv e tração nas quatro rodas, um arranjo que a leva aos 100 km/h em bons 7,2 s — desempenho do antigo Jetta Highline. O melhor é o fato de que o porta-malas abarca 611 litros! Ela é bem mais espaçosa que o carro vendido anteriormente por aqui. Agora que dá vontade mesmo.
Volvo V60
A Volvo V60 tem como ponto alto do estilo a traseira, e foi justamente ela que observamos quando a perua foi embora do nosso mercado e não olhou mais para trás. Sabemos que o XC60 é um belo SUV e tudo o mais, porém nosso coração talvez não tenha superado esse relacionamento rápido — a station wagon sueca foi oferecida por pouco tempo.
Se fôssemos escolher qual versão deveria retornar, sem dúvida a T8 ganharia. Ela tem desempenho superior ao da V60 T6 testada por Auto News Brasil na Europa. Os 408 cv do conjunto 2.0 turbo híbrido plug-in também ficam bem à frente dos 252 cv da T5 vendida anteriormente no nosso mercado. A station precisa de apenas 4,9 s para pular do zero até os 100 km/h, número que faz dela a mais rápida entre os carros desta matéria. Além disso, leva 529 l de bagagem.
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