Teste: novo GWM Haval H6 2026 resolve falha mais grave e provamos na pista
Teste de Auto News Brasil com versão PHEV19 mostra que os freios do SUV estão muito mais eficientes; veja o que mais melhorou (ou não) no SUV híbrido
O GWM Haval H6 colhe hoje os frutos de ter sido um dos pioneiros entre os SUVs chineses no mercado brasileiro. No primeiro trimestre deste ano, vendeu em média mais de 3 mil unidades por mês, colocando-se como um dos carros híbridos mais emplacados do Brasil. Isso não significa que o SUV médio esteja alheio a críticas ou necessidades de mudança. Por isso mesmo, a fabricante tentou resolver os pontos mais criticados pelos usuários do H6 na recém lançada linha 2026.
Auto News Brasil já havia trazido as primeiras impressões da versão PHEV35 e da HEV2, a opção de entrada do portfólio e única com conjunto híbrido plena (HEV). Agora, foi a vez de testarmos o novo GWM Haval H6 PHEV19 2026, versão mais barata com motorização híbrida plug-in (PHEV), que custa R$ 249.000. Aproveitamos a oportunidade para testar as novidades mecânicas em nossa pista de testes, o Campo de Provas Rota 127, em Tatuí (SP), e comprovar quais foram os ganhos reais.
Além disso, será que o novo H6 PHEV19 é a versão de melhor custo-benefício no portfólio do SUV? Fizemos as contas e te detalhamos tudo no vídeo e no texto abaixo:
O que muda no GWM Haval H6 2026?
Na linha 2026, a GWM promoveu um facelift em quase toda a família Haval H6, com exceção da versão de topo, GT, com carroceria SUV cupê. Nas demais opções, a dianteira traz novidades no desenho de grade, faróis e para-choque. Por conta disso, o comprimento do SUV creseu em 2 centímetros, para 4,70 metros. As demais dimensões seguem as mesmas: 1,89 m de largura, 1,73 m de altura e 2,74 m de entre-eixos.
O porta-malas tem 560 litros e abertura elétrica, incluindo um sensor no para-choque traseiro para abertura com os pés. Dica: quando quiser usar esse recurso, posiciona o pé abaixo da letra G do letreiro GWM, um pouco à esquerda do centro do veículo. Só assim funciona. Dentro do bagageiro, há um kit de reparo emergencial em vez do convencional estepe.
Por conta do para-choque mais proeminente, o ângulo de ataque foi reduzido para 22° (menos 1,7°). Por outro lado, com os ajustes de suspensão, que recebeu batentes mais firmes, o vão livre do solo cresceu em 1,8 cm, para 20 cm, o que se refletiu em um ângulo de saída também maior: 30°, um aumento de 2,1°.
A principal mudança mecânica, porém, está nos freios. O conjunto com discos ventilados nas quatro rodas passa a contar com atuadores elétricos em vez de hidráulicos, a fim de acabar com o comportamento borrachudo do pedal. Mais adiante contaremos se a mudança surtiu o efeito esperado. De resto, o H6 continua como antes, incluindo rodas de liga leve aro 19 na versão PHEV19.
Desempenho do GWM Haval H6 2026 melhorou?
Abrir o capô do novo H6 continua difícil, porque a chapa é pesada e não há molas a gás, como em outros modelos de porte e faixa de preço similar. Já o conjunto motriz tem novidades. O motor 1.5 turbo de quatro cilindros, 16 válvulas, ciclo Miller e injeção direta continua movido só a gasolina, mas recebeu intercooler refrigerado água, bomba de óleo variável e bomba d'água eletrônica, todas melhorias vindas do Wey 07, para ficar mais eficiente.
Esses ajustes renderam 1 kgfm a mais de torque, de 23,4 para 24,4 kgfm. A potência de 150 cv não foi alterada, assim como o motor elétrico segue com os mesmos 177 cv e 30,6 kgfm de outrora. Assim, a potência combinada continua em 326 cv, mas o torque subiu de 54 kgfm para 55 kgfm.
- Motor a combustão: 1.5 turbo 16V a gasolina com injeção direta e ciclo Miller.
- Potência e torque: 150 cv e 24,4 kgfm
- Motor elétrico: dianteiro e síncrono por ímãs permanents
- Potência e torque elétricos: 177 cv e 30,6 kgfm
- Potência e torque combinados: 326 cv e 55 kgfm
O câmbio é automatizado com embreagem multidisco e duas marchas mecânicas, que se acoplam ao motor 1.5 turbo a velocidades de cruzeiro. As demais relações são preenchidas pela motorização elétrica. A bateria de 19 kWh rende 73 km de alcance, segundo o Inmetro, mas a autonomia elétrica real pode chegar a 100 km se o condutor dirigir de modo econômico. A recarga atinge meros 6,6 kW de potência em corrente alternada (AC), do tipo lento, chegando a 33 kW em carregadores rápidos de corrente continua (DC). Ou seja, dá para recuperar 80% da carga em cerca de 30 minutos.
Na prática, o acréscimo de torque não se refletiu em ganho de desempenho. Em nosso teste no Rota 127, o Haval H6 PHEV19 2026 foi de 0 a 100 km/h em 7,8 s, curiosamente 0,1 s a mais do que a linha 2025, com menos torque. Nas provas de 0 a 400 m e de 0 a 1.000 m, os resultados foram rigorosamente iguais aos anteriores. Nas retomadas, ficaram ligeiramente piores. Compare os números:
GWM Haval H6 PHEV19 - Testes de aceleração
| Prova | H6 PHEV19 2025 | H6 PHEV19 2026 |
| 0-100 km/h | 7,7 s | 7,8 s |
| 0-400 m | 15,5 s | 15,5 s |
| 0-1000 m | 27,6 s | 27,6 s |
GWM Haval H6 PHEV19 - Testes de retomada
| Prova | 2025 | 2026 |
| 40-80 km/h | 3,2 s | 3,2 s |
| 60-100 km/h | 3,2 s | 3,3 s |
| 80-120 km/h | 3,5 s | 3,9 s |
Em consumo, obtivemos 16,7 km/l na cidade e 14,7 km/l na estrada com o carro em modo de tração HEV (também há o EV e o EV prioritário) e o SOC (estado de carga) ativado em gerenciamento inteligente. É possível travar o estado de carga em um percentual mínimo entre 20% e 80%, o que significa que o motorista nunca ficará sem bateria, mesmo em trajetos mais longos, nem que, para isso, o conjunto tenha que usar o motor a combustão para recarregar a energia.
Outra boa notícia é que, a partir da linha 2026, o H6 memoriza o modo de tração e de condução escolhido previamente. Antes, o carro ligava sempre em modo de tração EV prioritário e modo de condução Eco. Além deste, há as opções Normal, Sport e Neve, embora o H6 PHEV19 tenha tração apenas dianteira. Somente as versões com bateria maior, de 34 kWh, trazem um motor elétrico traseiro e tração integral.
Os freios do GWM Haval H6 2026 ficaram melhores?
Já a evolução em frenagem é perceptível, tanto na sensibilidade do pedal – embora ainda não esteja perfeita no primeiro estágio – quanto nos números de teste. Na linha 2026, o H6 PHEV19 precisou de 41 metros para frear de 100 km/h até a imobilidade. São 5,3 m a menos do que o antecessor. Compare:
GWM Haval H6 PHEV19 - Testes de frenagem
| Prova | 2025 | 2026 |
| 100-0 km/h | 46,3 m | 41 m |
| 80-0 km/h | 32,1 m | 30,7 m |
| 60-0 km/h | 18,9 m | 16,9 m |
Além disso, com a nova calibragem de suspensão, o Haval H6 está com um comportamento dinâmico mais firme e menos molenga, contendo melhor as inclinações tanto laterais quanto longitudinais da carroceria. Claro, ainda é o comportamento de um SUV médio com mais de 1,70 m de altura, mas a rolagem foi reduzida substancialmente. Apenas o diâmetro de giro segue em 12 metros, número alto até para as dimensões fartas do GWM.
Outra boa novidade é o volante. A fabricante enfim se desfez da peça grande, com aro fino e empunhadura excessivamente alta do H6 anterior. No lugar, entrou um volante menor e mais elegante, de base achatada, com apenas dois raios e uma empunhadura mais grossa e ergonômica. A sensação é de ter um carro mais à mão e até divertido de dirigir.
O que muda na cabine do GWM Haval H6 2026?
Essa é uma das poucas novidades do H6 2026 internamente. O desenho geral do painel, das forrações das portas e dos bancos continua igual, mas o console central mudou e ficou mais bonito e funcional, deixando de lado os questionáveis revestimentos em preto brilhante. Além disso, a versão PHEV19 passa a ter um acabamento mais sóbrio, quase todo predominado pelo tom preto, deixando de lado as faixas em tom cinza ou caramelo.
O espaço interno continua generoso, mesmo para o ocupante traseiro central, que precisa lidar com um console invasivo e um túnel central elevado para posicionar as pernas. Pelo menos há duas saídas de ar e duas tomadas USB (uma do tipo A, outra do tipo C) dedicadas à fileira traseira. Mesmo a presença de um teto solar panorâmico, que deixa o teto mais baixo num geral, não compromete o vão para a cabeça.
À frente, a central multimídia de 14,6 polegadas foi atualizada com um nova interface chamada Coffee, muito mais rápida e intuitiva. A resolução da imagem impressiona positivamente, com destaque para a câmera em 360° com projeção “transparente” do veículo. É preciso fazer muito esforço para ralar as rodas em uma guia tendo à disposição um recurso com esse nível de qualidade.
Pena que a régua para os comandos do ar, que deveria ficar fixa na base da tela, se perde quando você conecta o Android Auto ou o Apple CarPlay sem fio. Isso compromete a experiência de ajustar a climatização interna enquanto se dirige. Já o novo carregador de celular por indução, de 50 Watts, funciona muito bem e permite o pareamento sem fio de smartphones sem superaquecer o celular durante a recarga.
De modo geral, o acabamento do H6 continua a ser um de seus pontos mais fortes, com muitos elementos macios ao toque e encostos de cabeça dianteiros facilmente ajustáveis por botões nas laterais das peças. Aliás, os dois bancos dianteiros são elétricos e permitem a regulagem até do encosto lombar, o que ajuda muito a encontrar uma boa posição de dirigir.
Contudo, alguns detalhes na cabine do H6 ainda incomodam, como a falta de luzes individuais na parte dianteira do console de teto (é possível apenas acender ou apagar as duas de uma vez), as duas tomadas USB apenas do tipo A na parte da frente e a exposição dos cabos que fixam os cintos de segurança dianteiros ao assoalho. Não se espera um detalhe assim em um carro de R$ 250 mil.
Diferentemente de outros modelos chineses, o GWM Haval H6 disponibiliza botões físicos para regular os retrovisores elétricos no apoio de braço da porta do motorista. Já outros comandos, como os dos faróis ou o freio de estacionamento eletrônico só podem ser acessados pela central multimídia. Claro que os faróis têm ajuste automático e o freio de estacionamento destrava sozinho ao colocar o câmbio em D, mas só se o motorista estiver com o cinto afivelado.
O pacote Adas de segurança inclui controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem autônoma emergencial e assistente de permanência em faixa. O funcionamento é menos suave do que em outros carros, mas acontece. Felizmente, na linha 2026, os avisos sonoros do H6 estão muito mais discretos do que antes, mas ainda é comum a luz de seta não desativar após uma mudança de faixa.
Apesar de alguns detalhes, o saldo de conforto, espaço e nível de tecnologia do GWM Haval H6 2026 continua muito positivo para sua faixa de preço.
Custos para manter o GWM Haval H6 PHEV19 2026
Como dissemos, o GWM Haval H6 PHEV19 2026 custa R$ 249.000. Mas é a versão de melhor custo-benefício? Tomando como base o preço médio da gasolina e da energia elétrica no estado de São Paulo, além do consumo urbano médio, o seu custo por km rodado é de R$ 0,15, contra R$ 0,42 da configuração de entrada do H6, a HEV2.
Assim, seria necessário rodar cerca de 92 mil km para compensar os R$ 25 mil a mais no preço, levando em consideração que as duas opções têm o mesmo pacote de equipamentos e o custo das quatro primeiras revisões (a cada um ano ou 12 mil km) também é idêntico: R$ 4.991,96.
Por outro lado, só o H6 PHEV19 permite rodar em modo apenas elétrico, o que significa abdicar do uso da gasolina caso o dono prefira. Outro detalhe: segundo a Tabela Fipe de março de 2026, o Haval H6 PHEV19 é a versão que menos desvaloriza na gama do SUV com alguma sobra: 4,57%, enquanto o percentual de todas as demais opções fica acima de 10%. Dito isso, a PHEV19 é mais versátil, justamente por ter uma boa autonomia elétricas, mas pela diferença desses 92 mil km para compensar os R$ 25 mil, a HEV ainda tem melhor custo-benefício.
GWM Haval H6 PHEV19 2026 – Prós e contras
- Pontos positivos: desempenho; consumo; nível de espaço, acabamento e equipamentos; melhorias de frenagem, suspensão e volante.
- Pontos negativos: sistema Adas não é tão suave; comandos do ar somem da tela com o celular pareado; paleta de seta que não desativa.
Teste - GWM Haval H6 PHEV19 2026
| ACELERAÇÃO |
| 0 a 100 km/h: 7,8 s |
| 0 a 400 m: 15,5 s |
| 0 a 1.000 m: 27,6 s |
| Velocidade a 1.000 m: 187 km/h |
| Velocidade real a 100 km/h: 98 km/h |
| RETOMADA |
| 40 a 80 km/h (Drive ou 3ª, se manual): 3,2 s |
| 60 a 100 km/h (Drive ou 4ª, se manual): 3,3 s |
| 80 a 120 km/h (Drive ou 5ª, se manual): 3,9 s |
| FRENAGEM |
| 100 a 0 km/h: 41 m |
| 80 a 0 km/h: 30,7 m |
| 60 a 0 km/h: 17 m |
| CONSUMO |
| Urbano: 16,7 km/l |
| Rodoviário: 14,7 km/l |
| Média: 15,7 km/l |
| Autonomia em estrada: 808 km |
Ficha técnica - GWM Haval H6 PHEV19 2026
| Preço: R$ 249.000 |
| Motor: Diant., transv., 4 cil. em linha, 1.5 16V, injeção direta, turbo, gasolina + elétrico |
| Potência combinada: 326 cv |
| Torque combinado: 55 kgfm |
| Câmbio: Embreagem multidisco, 2 marchas + relações elétricas, tração dianteira |
| Bateria: 19 kWh (LFP) |
| Autonomia: 73 km (Inmetro) |
| Carregamento máx.: 6,6 kW (AC) / 33 kW (DC) |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e multilink (tras.) |
| Freios: Discos ventilados |
| Pneus: 235/55 R19 |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 4,70 metros |
| Largura: 1,89 m |
| Altura: 1,73 m |
| Entre-eixos: 2,74 m |
| Tanque: 55 litros |
| Porta-malas: 560 litros |
| Peso: 1.915 kg |
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