Comparativo: BYD Dolphin Mini ou Geely EX2, qual é melhor por R$ 120 mil?
Novato da Geely estreou com o objetivo de brigar com o líder de vendas entre os carros elétricos, o Dolphin Mini; veja quem levou a melhor nos testes
Gostaria de começar este comparativo com um pedido: resgate sua criança interior e imagine que a vida é um grande jogo de tabuleiro. A partida da vez trata do universo dos carros elétricos, que tem como líder absoluto de vendas o BYD Dolphin Mini. Porém, um novato chinês chegou para desafiar seu reinado: o Geely EX2 Pro. Ambos são boas opções para quem busca comprar seu primeiro carro elétrico, mas, na faixa de R$ 120 mil, também são alvo de motoristas de aplicativo e taxistas. Então acomode-se, pois os dados serão lançados para descobrir quem vence essa disputa.
A primeira fase do jogo, claro, é sobre custos. O preço de R$ 119.990 do Dolphin Mini chama a atenção — e ele começa na frente, já que recentemente o EX2 ficou mais caro, passando a custar R$ 123.800 na versão de entrada, a Pro. Os dois se armam com garantia de oito anos para a bateria e de seis anos para o veículo. Porém, se você pretende fazer uso comercial, ambos reduzem para dois anos a garantia para o carro.
No caso da BYD, ainda existem algumas pegadinhas, já que itens como amortecedores, suspensão e multimídia têm cobertura menor, de três anos. Para o EX2 Pro, a limitação é de 150 mil km.
As revisões dos dois veículos devem ser feitas a cada 12 meses ou 20 mil km rodados. Os custos são bem parecidos, com uma diferença de apenas R$ 611 nos cinco primeiros serviços, sendo o EX2 mais em conta. Para evitar surpresas ruins pelo caminho, também é importante adquirir um seguro, que fica, em média, em R$ 4.897 para o BYD e R$ 3.861 para o Geely — portanto, mil reais mais barato. Assim, o EX2 Pro avança no tabuleiro.
Visualmente, os competidores seguem direções opostas. O Geely EX2 aposta em um design minimalista e arredondado, com faróis de LED alongados. Já o BYD Dolphin Mini é um personagem mais ousado e futurista, com vincos e lanternas conectadas. Suas rodas de liga leve de 16” complementam o visual, que, particularmente, me agrada mais. Por outro lado, o rival tem rodas de 15” com calotas.
O novato, entretanto, rouba a cena quando o assunto é porte, quesito que o leva a assumir a liderança no jogo. Com seu entre-eixos de 2,65 metros, equivalente ao de um SUV médio como o Toyota Corolla Cross, o espaço para quem viaja na segunda fileira é surpreendente. Os passageiros contam ainda com recursos como saída de ar-condicionado, portas USB-C e um compartimento de 28 litros sob o banco traseiro — itens ausentes no Dolphin Mini, que tem 2,50 m de entre-eixos. Em comprimento, o EX2 é exatamente 36 centímetros maior.
O volume do porta-malas é outro fator decisivo na disputa. O Geely oferece bagageiro de 375 litros — o mesmo de um Volkswagen T-Cross — somado a um compartimento extra de 70 l sob o capô dianteiro, totalizando 445 l de volume. É um “inventário” de respeito se comparado aos modestos 230 l do Dolphin Mini, que flerta com a capacidade de subcompactos de entrada, como o Fiat Mobi (215 l). É bom lembrar que nenhum deles tem estepe, apenas um kit de reparo emergencial.
No quesito equipamentos — e olhando para rivais a combustão na mesma faixa de preço —, ambos são generosos, com seis airbags, freio de estacionamento eletrônico, monitoramento de pressão dos pneus, sensor de estacionamento traseiro e câmeras de ré. No BYD Dolphin Mini, contudo, as imagens são de melhor qualidade e há função 360 graus.
A central multimídia de 14,6” do EX2 é fácil de mexer, mas até então tinha como penalidade a falta de conexão para Android Auto e Apple CarPlay. Ainda bem que a Geely resolveu essa questão em uma atualização recente. No entanto, o sistema da BYD me agrada mais, mesmo com uma tela (que é giratória) menor, de 10,1”. O menu é simples, todas as funções são facilmente encontradas. Além disso, tem mais botões e atalhos para o ar-condicionado, o que facilita a vida a bordo.
É o Dolphin Mini, portanto, que ganha a disputa de dados da vez, já que ainda tem ajustes de altura e de profundidade do volante, painel de instrumentos configurável, carregador de celular por indução e ajuste elétrico no banco do motorista. Sem falar no acabamento, que é mais refinado, com uma boa mistura de texturas ausente no rival.
BYD Dolphin Mini x Geely EX2 Pro: dando “partida”
Chegamos a outro ponto decisivo do jogo: a dinâmica. Você deve ter se perguntado onde fica o motor do EX2, já que sob o capô há um compartimento extra. Pois bem, o motor elétrico é instalado no eixo traseiro. Ou seja, esse é um dos poucos carros (elétricos ou não) com tração traseira disponíveis no Brasil.
Com 116 cv de potência e 15,4 kgfm de torque, o Geely precisou de 9,7 segundos para ir de zero a 100 km/h em nossos testes no Campo de Provas Rota 127. O conjunto garante uma aceleração gradual e mais esperta que a dos 75 cv e 13,8 kgfm do Dolphin Mini. Os 41 cv de diferença se refletem no desempenho, visto que o BYD cumpre o zero a 100 km/h em longos 14,5 s, mesmo sendo 61 kg mais leve que o rival (1.239 kg contra 1.300 kg).
Ambos são espertos na cidade, ainda que o Geely tenha uma dinâmica melhor. Nas retomadas, por exemplo, o estreante supera com fôlego o rival, com destaque para a prova de 60 km/h a 100 km/h, feita em 5 s. O BYD, por sua vez, precisou de 8,3 s. A distância em relação ao solo tem diferença de 5 cm (11 cm para o BYD e 16 cm para o Geely), e isso se reflete muito no momento de passar por lombadas, valetas e outros obstáculos urbanos.
Por outro lado, o Dolphin Mini surpreende na ergonomia, graças aos ajustes elétricos e à possibilidade de alterar a profundidade do volante. Confesso que não sou muito fã de banco inteiriço (presente nos dois), por achar desconfortável para ajustar uma boa posição para a cabeça, mas o do BYD é mais agradável.
Caso você não saiba, a Geely é parceira da Renault no Brasil, o que ajudou na hora de tropicalizar a suspensão do EX2, que tem um ajuste mais acertado em virtude da experiência de uma marca que conhece bem o público brasileiro. Porém, admito que esperava um pouco mais de firmeza, pois senti que o hatch balança bastante — mesmo com um conjunto mais refinado, com suspensão traseira multilink.
Mas aí vem a surpresa. Embora a suspensão traseira do Dolphin Mini seja por eixo de torção, a BYD cumpriu sua promessa de fazer ajustes mais do que necessários para deixar o carro mais confortável, corrigindo seu principal alvo de críticas. A fabricante não fala exatamente no que mexeu, mas a diferença é perceptível, já que o hatch ficou bem mais firme.
Os rivais, inclusive, têm algumas características parecidas, como o pedal do freio sensível. O do Geely, contudo, é mais alongado: é preciso pisar mais fundo para parar o carro por completo. Mas esse detalhe não se reflete na capacidade de frenagem, uma vez que o EX2 se sai muito bem. De 100 km/h a zero, por exemplo, a diferença em nosso teste de frenagem foi de 1 metro (veja na ficha técnica).
Como estamos falando de carros elétricos, nada mais justo do que encerrar com os números de consumo. Com uma bateria de 39,4 kWh, o Geely EX2 tem autonomia declarada de 289 km, segundo o Inmetro. Já o Dolphin Mini vem com uma bateria de 38 kWh, que possibilita rodar 280 km com apenas uma carga. Isso mostra que, mesmo com pouca diferença na capacidade, o EX2 tem um alcance maior. Ainda sim, nossas médias de consumo ficaram bem próximas — o modelo da Geely se saiu ligeiramente melhor, principalmente na estrada.
O tempo de “recarga de energia” também favorece o novato. O EX2 aceita cargas rápidas de até 70 kW, indo de 30% a 80% em apenas 21 minutos. Já o Dolphin Mini limita-se a 40 kW, e precisa de 30 minutos para recuperar o mesmo nível de carga.
Olho no lance
Antes de anunciarmos o vencedor, é importante falar de mercado. No primeiro bimestre deste ano, o EX2 vendeu 1.124 unidades, contra 7.723 do Dolphin Mini. Mesmo com vendas abaixo do rival, o Geely fez tanto sucesso que o estoque inicial de lançamento se esgotou antes de atender à demanda, o que fez com que os números caíssem de forma significativa em fevereiro, para menos de 200 vendas, exigindo da marca uma corrida contra o tempo para trazer mais carros para o Brasil.
O sucesso não acontece à toa, já que o estreante entrega performance, bom espaço interno e porta-malas mais espaçoso, além de revisões e seguro mais em conta. O Dolphin Mini ficou longe de fazer feio: é mais equipado e tem melhor ajuste de suspensão por um preço ligeiramente menor. Entretanto, no último lance de dados e contando os pontos extras, é o EX2 que leva a grande vitória nessa partida.
Mas pense bem, pois a BYD prepara atualizações importantes para o Dolphin Mini, como a implementação de um LiDar com tecnologias avançadas de direção autônoma, até pouco tempo reservado apenas para carros de luxo. Que venham as próximas rodadas.
VENCEDOR: Geely EX2
O Geely EX2 termina o jogo como vencedor pelo melhor desempenho, o que é ajudado pelos 41 cv a mais, além da performance nas retomadas e frenagens. Pontos como espaço interno, volume do porta-malas e custos mais em conta de seguro e revisões pesaram, tornando o modelo mais atrativo do que o rival.
Seu bolso
| BYD Dolphin Mini | Geely EX2 Pro | |
| Preço | R$ 119.990 | R$ 123.800 |
| Cesta de peças* | R$ 12.178 | R$ 13.422 |
| Revisões (5 primeiras) | R$ 3.856 | R$ 3.245 |
| Seguro** | R$ 3.985 (M) e R$ 5.810 (F) | R$ 3.196 (M) e R$ 4.528 (F) |
| Garantia | 6 anos (carro) e 8 anos (bateria) | 6 anos (carro) e 8 anos (bateria) |
| Consumo cidade (autoesporte) | 10,6 km/kWh | 10,8 km/kWh |
| Consumo estrada | 6,2 km/kWh | 6,8 km/kWh |
| Desvalorização | 4,5% | 5,2% |
| Concessionárias | 211 | 37 |
*Cesta de peças: Retrovisor direito, farol direito, para-choque dianteiro, lanterna traseira direita, filtro de ar (elemento), filtro de ar do motor, jogo de quatro amortecedores, pastilhas de freio dianteiras, filtro de óleo do motor e filtro de combustível (se aplicável)
**Seguro: O valor é uma média entre as cotações das principais seguradoras do país com base no perfil padrão de Auto News Brasil, sem bônus
Teste
| BYD Dolphin Mini | Geely EX2 Pro | |
| ACELERAÇÃO | ||
| 0 - 100 km/h (segundos) | 14,5 s | 9,7 s |
| 0 - 400 m (s) | 19,3 s | 17,2 s |
| 0 - 1.000 m (s) | 36,5 s | 33,1 s |
| Velocidade a 1.000 m | 131,5 km/h | 135,5 km/h |
| Veloc. real a 100 km/h | 97 km/h | 97 km/h |
| RETOMADA DE VELOCIDADE | ||
| 40 - 80 km/h (Drive) | 5,6 s | 3,7 s |
| 60 - 100 km/h (D) | 8,3 s | 5 s |
| 80 - 120 km/h (D) | 12,9 s | 7,1 s |
| FRENAGEM | ||
| 100 - 0 km/h (metros) | 39,9 m | 40,9 m |
| 80 - 0 km/h (m) | 26,7 m | 26,1 m |
| 60 - 0 km/h (m) | 16,3 m | 14,9 m |
Dados da montadora
| BYD Dolphin Mini | Geely EX2 Pro | |
| Motor | Elétrico, dianteiro, síncrono, ímãs permanentes | Elétrico, traseiro, síncrono, ímãs permanentes |
| Potência | 75 cv | 116 cv |
| Torque | 13,8 kgfm | 15,5 kgfm |
| Velocidade Máxima | 130 km/h | 140 km/h |
| Câmbio | Automático, 1 marcha | Automático, 1 marcha |
| Bateria | 38 kWh (LFP) | 39,4 kWh (LFP) |
| Autonomia (Inmetro) | 280 km | 289 km |
| Carregamento máximo | 40 kW (DC) | 70 kW (DC) |
| Direção | Elétrica | Elétrica |
| Suspensão | Indep., McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.) | Indep., McPherson (diant.) e multilink (tras.) |
| Freios | Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.) | Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.) |
| Pneus | 175/55 R16 | 205/65 R15 |
| Tração | Dianteira | Traseira |
| Comprimento | 3,78 m | 4,14 m |
| Largura | 1,72 m | 1,81 m |
| Altura | 1,58 m | 1,58 m |
| Entre-eixos | 2,50 m | 2,65 m |
| Peso | 1.239 kg | 1.300 kg |
| Porta-malas (Fabricante) | 230 litros | 375 litros (tras.) e 70 l (diant.) |
Itens
| BYD Dolphin Mini | Geely EX2 Pro | |
| Airbags | 6 | 6 |
| Câmera 360° | Série | Não disponível |
| Banco com ajuste elétrico | Série | Não disponível |
| Freio de estac. elétrico | Série | Série |
| Painel de instrumentos | Série | Série |
| Rodas | 15" | 16" |
| Ar-condicionado digital | Série | Série |
| Carregador por indução | Série | Não disponível |
| Monitoramento dos pneus | Série | Série |
| Alerta de ponto cego | Não disponível | Não disponível |
| Assist. de partida em rampa | Série | Série |
| Sensor estacionamento tras. | Série | Série |
| Faróis de LED | Série | Série |
| Central multimídia | 10,1" | 14,6" |
| Apple e Android sem fio | Série | Série |
| Estepe | Série | Série |
| Assistente de perm. em faixa | Não disponível | Não disponível |
Notas
| BYD Dolphin Mini | Geely EX2 Pro | |
| CONFORTO | ||
| Acabamento | 9 | 7 |
| Espaço interno | 7 | 9 |
| Porta-malas | 6 | 8 |
| Ergonomia | 8 | 7 |
| Equipamentos de série | 7 | 6 |
| Equip. de segurança | 7 | 7 |
| Subtotal | 44 | 44 |
| DINÂMICA | ||
| Motor | 6,5 | 8 |
| Frenagem | 7 | 8 |
| Suspensão | 8 | 7 |
| Desempenho | 7 | 9 |
| Consumo | 7 | 7 |
| Autonomia | 7 | 7,5 |
| Sensação ao volante | 7 | 8 |
| Subtotal | 49,5 | 54,5 |
| MERCADO | ||
| Preço | 9 | 9 |
| Garantia | 6 | 7 |
| Seguro | 7 | 8 |
| Revisões | 7 | 7,5 |
| Preço das peças | 8 | 7 |
| Atualidade | 8,5 | 9 |
| Desvalorização | 9 | 8 |
| Impacto de mercado | 10 | 9 |
| Concessionárias | 9 | 6 |
| Subtotal | 73,5 | 70,5 |
| TOTAL | 167 | 169 |
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Auto News Brasil? É só clicar aqui para acessar a revista digital.









