Teste: Ram Dakota Laramie é mais do que uma Fiat Titano com grife?
Nova picape média compartilha base e mecânica com "prima" da Fiat, só que custa R$ 25 mil a mais; colocamos a caminhonete na pista e mostramos se vale a pena
"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". A famosa frase dita por Lavoisier há mais de 250 anos se refere à Lei de Conservação das Massas. Pois a máxima também se aplica à indústria automotiva com a nova Ram Dakota. Afinal, desde o nome até o produto em si, a nova picape da marca norte-americana é fruto de uma série de transformações.
Comecemos pelo batismo. Saudosistas vão lembrar que, ainda na época da Dodge, a Dakota foi uma caminhonete média produzida e vendida no Brasil. Dona de um visual invocado e com opção de motor V6, deixou uma legião de fãs e até hoje faz virar alguns pescoços quando uma unidade “inteira” aparece nas ruas. Eis que a nova Dakota só carrega o nome da antiga. Com a separação da Ram como uma marca independente, o prenome Dodge se foi.
Agora, a denominação oficial é Ram Dakota. São duas versões, que, no fechamento da edição, estavam com condição de pré-venda. Confira os valores:
- Ram Dakota Warlock 2026 - R$ 289.990
- Ram Dakota Laramie 2026 - R$ 309.990
O posicionamento é claro. Ficar imediatamente acima da Fiat Titano, que hoje vai de R$ 233.990 a R$ 285.990. Mas por que estou citando a picape da marca italiana? É hora de voltarmos ao conceito de Lavoisier.
Ram Dakota Laramie 2026
Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
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Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
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Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
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Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
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Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
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RAM Dakota Laramie 2026 - marca — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Auto News Brasil
RAM Dakota Laramie 2026 - versão — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Auto News Brasil
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RAM Dakota Laramie 2026 - Motor — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Auto News Brasil
RAM Dakota Laramie 2026 - Câmbio — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Auto News Brasil
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RAM Dakota Laramie 2026 - Bancos traseiros e espaço — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Auto News Brasil
RAM Dakota Laramie 2026 - Cabine e painel — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Auto News Brasil
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RAM Dakota Laramie 2026 - traseira reta e caçamba — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Auto News Brasil
Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
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Ram Dakota Laramie 2026 — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
Ram Dakota Laramie 2026 Central multimídia — Foto: Divulgação
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A Dakota não nasceu como um produto Stellantis. Designers da Ram em Auburn Hills (Estados Unidos) não desenharam portas, cabine ou lanternas. Tampouco engenheiros da marca decidiram que a plataforma seria A ou B. Grande parte desse trabalho foi feita na China, por equipes da Changan responsáveis pela criação da picape Hunter, lançada na Ásia em 2020.
Um acordo firmado entre as partes permitiu à Stellantis desenvolver o projeto KP1 com base na Changan Hunter. Logo, nasceram Peugeot Landtrek, Fiat Titano, Ram 1200 e, agora, a Dakota. Mas seria injusto dizer que as três variações são frutos do infame comando CTRL C + CTRL V. Aqui, sim, entram os trabalhos das equipes de design e engenharia da Stellantis.
No caso da Ram Dakota, o ponto de partida foi uma versão atualizada da Hunter lançada em 2024. Agora você entende a comparação de preços com a Titano. Mas tenho certeza de que surgiu a indagação: então a Dakota é apenas uma Titano com perfumaria? Adoraria responder sem rodeios, mas antes preciso elencar diferenças e semelhanças. Se quiser saber a resposta, sugiro que vá para o último parágrafo. Porém, aconselho a continuar a leitura para melhor compreensão.
Dakota e Titano compartilham a carroceria de chassi sobre longarinas e o conjunto mecânico formado pelo excelente motor 2.2 Multijet II turbodiesel, de 200 cv de potência e 45,9 kgfm de torque, com o câmbio automático de oito marchas e tração 4x4 — que possibilita alternar entre 4x2 traseira, 4x4 automática ou 4x4 reduzida.
Por fim, há bloqueio do diferencial traseiro e auxílio de descida. Falando em capacidades e dimensões, nada de ganhos, perdas ou transformações entre as duas picapes. Ambas têm capacidade de 1.020 kg de carga e 3.500 kg de reboque, e acomodam até 1.210 litros na caçamba.
Também compartilham os 5,33 metros de comprimento, 3,18 m de entre-eixos, 1,96 m de largura e 1,90 m de altura. Contudo, só a Dakota traz molas a gás para amortecer a abertura e o fechamento do capô e da tampa da caçamba.
Aqui começam as diferenças, e também passamos a entender que a briga da Ram não será diretamente com a “irmã” Titano, mas sim com outras titãs do mercado. Se o preço da Dakota não subir muito após o fim da pré-venda, a novata deve ficar bem alinhada com Toyota Hilux SRV (R$ 314.690), Ford Ranger XLT V6 (R$ 315.900) e Chevrolet S10 Z71 (R$ 321.990). A vantagem da Dakota é ser a mais bem equipada do grupo, além de ter a grife Ram. Mas perde em potência para a Ranger V6, por exemplo.
Uma picape quatro-cilindros ficar atrás de uma V6 em desempenho é até esperado. No entanto, como a Dakota se sai diante de suas rivais diretas? Em nossos testes no Rota 127 Campo de Provas, a Ram levou 10,7 segundos para acelerar de zero a 100 km/h. Na comparação com as concorrentes, a novata é posicionada em um pelotão intermediário. Perde para S10 (9,3 s), Hilux (10,4 s) e, como previsto, para a Ranger V6 (8,6 s). Mas supera Triton (11,5 s) e Poer P30 (11,2 s).
E em relação à Titano? Ainda que as duas tenham o mesmo peso, a Dakota foi meio segundo mais lenta para atingir 100 km/h. O mesmo tempo adicional foi necessário na retomada de 40 km/h a 80 km/h. Nos demais ensaios, a Ram também se saiu pior do que a Fiat. Na frenagem de 80 km/h a zero, a diferença foi de quase 3 m. Talvez a unidade testada não estivesse tão “amaciada”.
Como a Ram Dakota enviada pela Stellantis estava sem placas, não foi possível aferir o consumo. Para isso, vamos recorrer ao Inmetro. No ciclo urbano, a picape faz 9,7 km/l, só um pouco abaixo dos 9,9 km/l da Titano e entre as mais econômicas do segmento.
Na estrada, empata com a picape da Fiat em 10,8 km/l, marca que não surpreende. Triton e S10, por exemplo, rompem a casa dos 11 km/l. A explicação para um consumo ligeiramente pior pode estar relacionada à aerodinâmica. Além disso, ângulos de ataque e de saída são inferiores aos da Titano.
E ao volante? A Ram justifica a “grife” da marca? Nosso contato com a picape foi bastante limitado, em um autódromo em Belo Horizonte (MG). As condições de pista variaram entre asfalto seco, úmido e molhado, além de um pequeno trecho off-road em solo encharcado pelas chuvas dos dias anteriores e bastante lama.
A versão Laramie, voltada para um público mais urbano, não traz pneus de uso misto, restritos à Dakota Warlock. Logo, a percepção de aptidão para terrenos acidentados acabou prejudicada. Ainda assim, a Dakota foi capaz de superar, sem dificuldades, alguns lamaçais.
Na pista do autódromo, onde as picapes, em grande parte, ficam desconfortáveis, uma grata surpresa. A Dakota se mostrou relativamente à vontade. Óbvio que a lei de Lavoisier não se aplica nesse caso. A caminhonete não se transforma em carro esportivo. Os quase 2 m de altura, além da arquitetura de carroceria sobre chassi, criada pensando em robustez, não contribuem para um comportamento esportivo em curvas, inclinando a cabine e obrigando o motorista a ter parcimônia no pedal do acelerador. Mas a direção mais precisa e o acerto de suspensão superior ao da Titano em firmeza entregam uma experiência de condução interessante. Por fim, o câmbio de oito marchas tem funcionamento suave. A relação de marchas é a mesma da picape da Fiat e há opção de trocas sequenciais na própria alavanca.
Saindo da pista bem asfaltada rumo ao local das fotos, atravessamos uma área de paralelepípedos. Faltaram imperfeições para ver se a Dakota chacoalha mais ou menos que as rivais, mas a construção de mostrou sólida, sem “grilos” de acabamento mal encaixado. Nesse ponto, a evolução em relação à Titano é clara.
O preço mais elevado também é justificado pelo interior caprichado. Por ser baseada em uma versão mais moderna da Changan Hunter, a Dakota traz painel atualizado com duas telas para quadro de instrumentos (7 polegadas) e central multimídia (12,3”). Há conexões Android Auto e Apple CarPlay sem fio e interface amigável. Mesmo com o bom acabamento, composto de material emborrachado, tiras de couro e plástico com ranhuras, muito acima do padrão de uma Hilux ou S10, sinto falta da identidade Ram. A cabine da Dakota exala a Changan. Nem é preciso caçar muito para encontrar o nome da marca chinesa grafado em locais como o encaixe dos cintos e as dobradiças das portas.
O pacote de equipamentos é completo. Há faróis de LED automáticos, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, bancos de couro com ajustes elétricos para o motorista, ar digital de duas zonas e pacote Adas com assistente de permanência em faixa, frenagem de emergência, controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e alerta de ponto cego.
Respondendo à pergunta do início, sim, a Dakota é bem mais do que uma Titano disfarçada. Há melhorias que justificam o maior status e os quase R$ 25 mil a mais cobrados para deixá-la na alça de mira das líderes do segmento. Mas falta a personalidade que a Dodge Dakota tinha. Para isso, a Ram Dakota teria de contrariar a lei de Lavoisier e renascer. Quem sabe em uma próxima geração...
Eu era assim... e fiquei assim
Da antiga Dakota, só sobrou o nome. Nem a insígnia da Dodge restou após a Ram se tornar uma marca independente, focada em picapes. A velha Dakota até foi nacional, entre 1999 e 2002. Já a nova é produzida na Argentina
A grande família
Partindo da Changan K70/Hunter, a Stellantis criou outras quatro picapes. A Dakota, última delas, surgiu com base em uma evolução lançada em 2024 na China
Pontos positivos: Entrosamento de motor e câmbio; suspensão e isolamento acústico melhores que os da Titano
Pontos negativos: Falta de identidade da marca Ram; desempenho é inferior ao de boa parte das rivais diretas
RAM Dakota Laramie 2026
| Teste |
| ACELERAÇÃO |
| 0 - 100 km/h: 10,7 s |
| 0 - 400 m: 17,4 s |
| 0 - 1.000 m: 33,1 s |
| Vel. a 1.000 m: 161 km/h |
| Vel. real a 100 km/h: 96 km/h |
| RETOMADA |
| 40 - 80 km/h (Drive): 4,8 s |
| 60 - 100 km/h (D): 6 s |
| 80 - 120 km/h (D): 7,8 s |
| FRENAGEM |
| 100 - 0 km/h: 47,6 m |
| 80 - 0 km/h: 30,3 m |
| 60 - 0 km/h: 16,7 m |
| CONSUMO (Inmetro) |
| Urbano: 9,7 km/l |
| Rodoviário: 10,8 km/l |
| Média: 10,3 km/l |
| Aut. em estrada: 864 km |
RAM Dakota Laramie 2026
| Ficha técnica |
| Preço: R$ 309.990 |
| Motor: Diant., longit., 4 cil. em linha, 2.2 16V, injeção direta, turbo, diesel |
| Potência: 200 cv a 3.500 rpm |
| Torque: 45,9 kgfm a 1.500 rpm |
| Câmbio: Automático, 8 marchas, tração 4x4 com reduzida |
| Zero a 100 km/h: 9,9 segundos (fabricante) |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Indep., braços sobrepostos (diant.) e eixo rígido com molas semielípticas (tras.) |
| Freios: Discos ventilados |
| Pneus: 265/65 R18 |
| Caçamba: 1.210 litros |
| Capacidade de carga: 1.020 kg (fabricante) |
| Ângulo de entrada: 27,6º |
| Ângulo de saída: 26,7º |
| Tanque: 80 litros |
| Peso: 2.150 kg |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 5,33 metros |
| Largura: 1,97 m |
| Altura: 1,83 m |
| Entre-eixos: 3,18 m |









