Teste: Leapmotor C10 REEV faz quase 900 km de autonomia como prometido?
SUV chinês é o único híbrido em série à venda no Brasil e custa R$ 219.990
Dirigir um Leapmotor C10 da capital paulista até Porto Alegre (RS): essa foi a minha missão de fim de ano. Caso você não conheça esse carro, trata-se de um SUV chinês, mas que pertence à Stellantis, o maior grupo automotivo do Brasil. Só que há algo mais curioso do que isso: é o único à venda no nosso país com motorização híbrida em série.
Este teste faz parte do especial "Os Reis da Autonomia" publicado na edição 718 da Auto News Brasil. Clique aqui para conferir as outras avaliações.
Se você nunca leu nada sobre esse termo antes, trata-se de um veículo elétrico de autonomia estendida (REEV). Sob o capô fica um motor 1.5 turbo a gasolina que entrega modestos 96 cv. No entanto, essa potência pouco importa.
Acontece que esse propulsor opera apenas como um gerador para alimentar as baterias de 28,4 kWh. São elas que distribuem a energia para um motor elétrico, que está instalado no eixo traseiro e é o único responsável por tracionar as rodas. Nesse caso, são 215 cv de potência e 32,6 kgfm de torque para impulsionar um SUV de quase 2 toneladas.
Pode parecer pouco na teoria, mas, na vida real, o desempenho do C10 REEV agrada bastante. Mesmo com um total de quatro passageiros a bordo mais um porta-malas de 435 litros lotado de bagagens, o novato entregou uma condução tranquila até mesmo em subidas mais íngremes de serra — mas isso só com a bateria cheia.
Com a carga praticamente vazia, a perda de força fica perceptível. Inclusive, nos nossos testes no Rota 127 Campo de Provas, o Leapmotor C10 chegou a ficar quase 3 segundos mais lento. Com a bateria em 100%, a aceleração de zero a 100 km/h foi feita em 7,8 s. Com ela apenas em 16%, subiu para 10,5 s.
Para não ter esse tipo de problema, o mais indicado é usar o modo “Combustível” em viagens mais longas, a fim de otimizar os dois fluxos de energia. Há também uma função similar ao sistema SOC, da BYD, que ativa o motor a combustão para recarregar a bateria até o nível solicitado (no máximo, 80%). Foi o que eu fiz.
Dessa forma, consegui rodar 745 km sem precisar recarregar ou abastecer. É menos do que o estimado pelo Inmetro — 780 km com combustível mais 111 km só de autonomia elétrica, totalizando 891 km. Importante ressaltar que o trajeto todo foi feito em estradas, ou seja, com velocidade média por volta de 100 km/h, ambiente desfavorável para um veículo de propulsão elétrica. E com o ar-condicionado ligado, o que não colabora para a economia. A média de consumo foi de 13,3 km/l — razoável, se considerarmos as condições.
Leapmotor C10
| Destino: Sapucaia do Sul (RS) |
| Quilometragem total: 2.840 km |
| Autonomia declarada: 891 km |
| Autonomia alcançada: 745 km |
| Consumo médio: 13 km/l |
| Preço: R$ 219.990 |
Quando cheguei ao meu destino, depois de dirigir por cerca de 1.300 km, a bateria ainda estava na casa dos 70%. Mas não espere conseguir o mesmo resultado se você dirige somente na cidade. Afinal, a energia só é regenerada de maneira mais acelerada a velocidades altas. Se precisar carregar na tomada, a capacidade máxima em equipamentos rápidos é de 65 kW (DC). Portanto, o motorista estará liberado para seguir a vida depois de uma hora, aproximadamente.
Durante o longo percurso, foi possível perceber algumas outras particularidades do C10. Os bancos, por exemplo, são extremamente confortáveis. O entre-eixos de 2,82 metros proporciona um espaço interno de sala de estar. Meus pais nem se importaram de ficar tantas horas dentro do carro — ainda mais com a visão do gigante teto panorâmico.
Por outro lado, o Leapmotor C10 poderia ser mais prático. A chave é um cartão NFC e as portas só se destravam quando ele é posicionado no espelho retrovisor esquerdo — nem um pouco útil em dias de chuva. Pelo menos essa função pode ser feita por aplicativo no celular.
A história se repete com as maçanetas embutidas na carroceria, o pedal extremamente sensível do freio, a suspensão mole demais e o ar-condicionado, que demora a gelar em dias muito quentes e só tem comandos pela multimídia.
Falando nela, tem 14,6” e resolução impecável. Porém, não há Apple CarPlay nem Android Auto. E se o aviso de excesso de velocidade te incomodar, será preciso desligá-lo toda vez que entrar no carro. Para compensar, o mapa nativo funciona muito bem e informa o trânsito em tempo real.
Fato é que o Leapmotor C10 chega com uma tecnologia diferente de tudo que conhecemos e um preço competitivo: R$ 219.990. É R$ 10 mil mais barato que um Jeep Compass Série S. Tem tudo para ser bem-aceito em nosso mercado, mas ainda precisa de ajustes para cair no gosto dos brasileiros.
- Pontos positivos: Espaço interno, conforto e desempenho com a bateria cheia
Pontos negativos: Freio sensível, falta de botões e multimídia sem espelhamento
Leapmotor C10
| Ficha técnica |
| Motor: Tras., elétrico, síncrono, ímãs permanentes + gerador 4 cil. em linha, 1.5 16V, turbo, gasolina |
| Potência: 215 cv |
| Torque: 32,6 kgfm |
| Câmbio: Automático, 1 marcha, tração traseira |
| Zero a 100 km/h: 7,8 segundos |
| Bateria: 28,4 kWh (LFP) |
| Autonomia (EV): 111 km |
| Carregamento máximo: 6,6 kW (AC) e 65 kW (DC) |
| Consumo: 14,7 km/l (urbano) e 13,3 km/l (rodoviário) (G) |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e multilink (tras.) |
| Freios: Discos ventilados |
| Pneus: 245/45 R20 |
| Tanque: 50 litros |
| Porta-malas: 435 litros (fabricante) |
| Peso: 1.976 kg |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 4,73 metros |
| Largura: 1,91 m |
| Altura: 1,68 m |
| Entre-eixos: 2,82 m |
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