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Testes de Carros

Considero híbridos plug-in (PHEV) como veículos de múltiplas facetas. Podem ser usados como elétricos ou como híbridos convencionais. Mas há muitos mitos a respeito da tecnologia. Um dos mais propagados é o de que, ao fazer uma viagem com um automóvel desse tipo, a bateria vai acabar rapidamente e, a partir disso, você terá só o motor a combustão trabalhando e um desempenho de modelos 1.0 dos anos 1990.

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Este teste faz parte do especial "Os Reis da Autonomia" publicado na edição 718 da Auto News Brasil. Clique aqui para conferir as outras avaliações.

Mas será que isso é verdade? Essa foi minha terceira grande viagem com um híbrido plug-in. As percepções sobre as outras duas estão aqui. E digo que o mito que narrei não passa de boato — pelo menos quando falamos de produtos mais modernos. O meu companheiro da vez foi um BYD King GS, de R$ 175.990, e posso afirmar com propriedade: impossível ficar sem bateria com ele.

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Um sistema chamado SOC (sigla para “estado da carga”, na tradução livre do inglês), é programado para “travar” a carga automaticamente em um mínimo de 25%. No teste de 1.356 km pelo qual o King GS 2026 passou comigo, experimentei todos os modos possíveis de tração, sempre rodando no modo de condução Eco, a fim de conferir o consumo e a autonomia do sedã médio.

O resultado foi surpreendente: o King é capaz de superar 50 km/l sob as condições mais ideais possíveis. Contudo, também faz menos de 13 km/l em situações mais adversas de uso. Vai do modo de tração e da inteligência do condutor no uso entre a motorização elétrica ou a combustão.

BYD King

Destino: Londrina (PR)
Quilometragem total: 1.356 km
Autonomia declarada: +1.000 km
Autonomia alcançada: 900 km
Preço: R$ 175.990

Comecei o teste com tanque e bateria em 99%. Rodando em modo híbrido, o conjunto prioriza o uso da energia elétrica das baterias Blade de 18,3 kWh. O combustível é usado em raros momentos nos quais o sedã precisa de elasticidade e velocidades de cruzeiro.

BYD King  — Foto: Auto News Brasil
BYD King — Foto: Auto News Brasil

Assim, em uso prioritário em rodovia e com o ar-condicionado sempre ligado, obtive impressionantes 52,6 km/l de consumo. O número mostra o quanto um híbrido plug-in será econômico se o dono puder recarregar suas baterias frequentemente.

Entretanto, após exatos 130 km, a bateria chegou aos mencionados 25% e, mesmo sem que eu mexesse em nenhuma configuração no painel, que estava com o SOC em “Auto”, percebi que o motor 1.5 de quatro cilindros, 16 válvulas, injeção indireta e ciclo Atkinson passou a ser mais acionado como gerador.

Nos 431 km seguintes, até meu destino final, Londrina (PR), o consumo caiu para 16,7 km/l. Não é um número ruim, mas sedãs médios a combustão também são capazes de alcançá-lo. Vale observar que, com a carga travada em 25%, o King passa a operar como um híbrido pleno, tipo o Toyota Corolla.

Linha 2026 do King passou a oferecer itens de segurança ativa como ACC e frenagem de emergência — Foto: Auto News Brasil
Linha 2026 do King passou a oferecer itens de segurança ativa como ACC e frenagem de emergência — Foto: Auto News Brasil

Ou seja, ninguém fica sem bateria e parecendo dirigir um “Uno”. Ao chegar à cidade, a frequência da regeneração aumentou e o consumo melhorou, para 17,9 km/l, o que me fez relembrar que a vantagem de um PHEV está no uso urbano.

Importante dizer que, assim que o tanque de combustível baixa de um quarto, a ECU do veículo passa a administrar as duas fontes de energia de modo combinado. Só então a carga da bateria começa a baixar de 25%.

BYD King  — Foto: Auto News Brasil
BYD King — Foto: Auto News Brasil

Assim, meu passo seguinte foi recarregar o sedã, mesmo com o tanque em 20%. Durante o processo, constatei o principal vacilo do King: só permite recargas lentas a até 6,6 kW (AC). Levei 2 horas e 25 minutos para subir de 22% para 93%, a um custo de R$ 25,50. E já afirmo: surpreendentemente, encontrar um carregador público lento é bem mais difícil do que um rápido.

O Inmetro anuncia autonomia elétrica de 78 km para o King GS 2026, mas, em meu teste, rodando sempre em ciclo urbano com o carro em modo EV, com o tanque vazio, a bateria cheia e o ar desligado, projetei um alcance elétrico total de 146 km entre 100% e 0 de carga na cidade, com uma autonomia de até 900 km em modo HEV na cidade e 720 km na estrada. Nada mau, mas não chega aos mais de 1.000 km prometidos pela BYD.

King trava a bateria em 25% e evita perda de desempenho na estrada — Foto: Juliana Carneiro/Auto News Brasil
King trava a bateria em 25% e evita perda de desempenho na estrada — Foto: Juliana Carneiro/Auto News Brasil

Por fim, reabasteci o King e acionei o modo mais “beberrão”: recuperação de energia até 70%. Tomei de novo a estrada para retornar a São Paulo (SP) e, depois de mais 121 km, o painel acusou a bateria de volta aos 70%. Busquei no gerenciador de energia da central multimídia a informação e vi que o veículo passou esse trecho fazendo 12,8 km/l.

Você já deve ter percebido que não existe uma resposta absoluta para o consumo do King. Como há uma série de condições de uso, cabe ao motorista definir qual é a mais adequada. Sabendo usar o veículo, é possível alcançar até os mágicos 50 km/l e, ainda assim, manter um bom desempenho.

BYD King GS 2026 - Prós e contras

  • Pontos positivos: há diversos modos de tração; autonomia elétrica surpreende
  • Pontos negativos: velocidade de recarga é baixa, mesmo entre os carros PHEV

BYD King

Ficha técnica
Motor: Diant., transv., 4 cil. em linha, 1.5 16V, aspirado, gasolina + elétrico
Potência: 235 cv
Torque: 33,1 kgfm
Câmbio: Automático, 1 marcha, tração dianteira
Zero a 100 km/h: 7,9 segundos
Bateria: 18,3 kWh (LFP)
Autonomia: 78 km
Carregamento máx.: 6,6 kW (AC)
Consumo (Inmetro): 16,4 km/l (urbano) e 12,8 km/l (rodoviário) (G)
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.)
Pneus: 215/55 R17
Tanque: 48 litros
Porta-malas: 450 litros (fabricante)
Peso: 1.620 kg
DIMENSÕES
Comprimento: 4,78 metros
Largura: 1,84 m
Altura: 1,50 m
Entre-eixos: 2,72 m

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