Mercedes-Benz G 63 AMG: 10 absurdos do jipão de R$ 2 milhões
Símbolo de status, longevo utilitário alemão tem motor híbrido, acelera feito um supercarro e tem preço que pode subir em até R$ 144 mil com acessórios
Que o Mercedes-Benz Classe G atrai olhares nas ruas de São Paulo é indiscutível. Isso não aconteceria na badalada Los Angeles (EUA), onde é figurinha carimbada nas garagens das celebridades, jogadores de basquete, atores de Hollywood e socialites. O modelo se tornou símbolo do status de quem “chegou lá” — não à toa, o jipão pode ser encomendado por singelos R$ 2.039.900 nesta versão G 63 AMG, a única disponível no Brasil.
Se engana quem pensa que os absurdos do Mercedes-Benz G 63 AMG se restringem ao preço. Ele traz o que há de mais moderno na tecnologia off-road, um sistema híbrido leve e o motor V8 4.0 biturbo a gasolina feito artesanalmente. Aos que gostam de falar — e conhecer — sobre carros, é um deleite.
Nos parágrafos seguintes, contarei dez coisas que chamaram atenção enquanto estive com ele na semana do meu aniversário. Antes, veja o vídeo de quando meu colega André Paixão dirigiu a versão sem conjunto híbrido leve:
Os 10 absurdos do Mercedes-Benz G 63 AMG
1°) É elegante e rústico ao mesmo tempo
Me aproximo do “G-Wagen” — como o Classe G ficou conhecido mundialmente após o rapper Post Malone lançar uma música sobre ele. A sensação é um tanto quanto estranha, pois o jipão é muito rústico.
As maçanetas lembram um Volkswagen quadrado dos anos 80; a luz da seta é de LED, mas se encontra em uma redoma acrílica antiquada; e o som das portas batendo lembra carros de 40 anos atrás. Sua cabine não é tão grande quanto aparenta pelo lado de fora, pois os para-lamas dão um aspecto mais encorpado ao G-Wagen.
Ele precisou de alguns metros para atrair olhares na noite paulistana. É o mesmo “efeito Mercedes” que o SL 63 me causou, mas fiquei menos afoito ao volante do jipão pela posição de dirigir alta. No caso do cupê conversível, cada motociclista que se aproximava gerava ansiedade.
2°) Acessórios incrementam ainda mais o jipão
Elevando a exclusividade, o G 63 ainda oferece um extenso catálogo de acessórios. Grade AMG fosca, iluminação de porta com o logo da Mercedes, rodas forjadas de 22 polegadas, sistema de escape pintado de preto e estribos laterais e detalhes de carbono deixam o modelo ainda mais chamativo.
Vários destes equipamentos correm "por fora" do extenso pacote de customização que abordaremos mais à frente. É o típico carro para perder alguns minutos brincando no configurador. Dá até para escolher o material da capa acrílica que reveste o estepe exposto na tampa do porta-malas.
3°) É mais prático do que imaginava
O G 63 é carro relativamente tranquilo de manobrar, apesar dos 4,87 metros de comprimento, 1,98 m de largura (viu, nem é tão largo assim), 2,89 m de distância entre-eixos e — a medida que mais impressiona — 1,96 m de altura.
No entanto, o motorista ainda precisa de cautela, pois o Classe G pode exceder o limite de vários estacionamentos: o ideal é deixá-lo nos modos de condução urbanos, que também reduzem a altura do vão livre do solo.
Deixei no estacionamento da Auto News Brasil à noite sem grande dificuldade, ainda me acostumando com seu corpanzil. A cabine se acende com belas luzes ambientes de LED que colorem o interior. Tudo é configurável pela central multimídia MBUX de 12,3 polegadas.
4°) Motor V8 tem sistema híbrido
Piso no acelerador e o motor V8 4.0 a gasolina emite seu característico som metálico. Está atrelado a um conjunto híbrido leve de 48 volts, em que uma pequena máquina elétrica dianteira produz 20 cv e 20,4 kgfm. Os números totais, segundo a marca, são 585 cv de potência e 86,7 kgfm de torque.
Trata-se de uma receita mais rudimentar e simples em comparação com o SL 63, que tem conjunto híbrido plug-in. Sozinha, a máquina elétrica auxiliar instalada no eixo traseiro do conversível entrega 204 cv e 32,6 kgfm. Os números combinados são de 816 cv e impetuosos 144 kgfm. Não à toa é o conversível mais rápido já testado por Auto News Brasil, indo de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos.
Só não espere economizar combustível no G 63 pois, segundo o Inmetro, ele faz 5,4 km/l na cidade e 6,2 km/l na estrada com gasolina. Durante meu teste, o melhor resultado exibido no computador de bordo foi de 7,2 km/l, isso num trecho de via expressa a 80 km/h. É o típico carro poluidor que virou híbrido única e exclusivamente para continuar existindo. No caso do SL 63, o conjunto híbrido plug-in permite até alguns poucos quilômetros de autonomia elétrica.
5°) Só um cara montou este motor (do início ao fim)
Assim como o SL, o G-Wagen segue a filosofia “one man, one engine”. Somente uma pessoa é responsável por toda a montagem — e a unidade até leva uma plaquinha assinada pelo montador.
No caso deste G, quem ficou responsável pela confecção do motor do início ao fim em Affalterbach (Alemanha) foi o camarada Siegfried Seifert. Se um funcionário não finalizar a montagem antes de entrar em férias, ela ficará intocada até seu retorno.
6°) Tem cabine digna de um carro de R$ 2 milhões
Tanto a construção quanto a qualidade dos materiais usados na cabine do Classe G encantam. O formato é muito coeso e, apesar da disposição verticalizada do painel, tem boa ergonomia. Coloque isso na conta dos bancos e do volante com ajustes elétricos, que facilitam a tarefa de encontrar uma boa posição para guiar.
E aqui temos boa variação nos materiais, com muito couro, aço escovado, costuras aparentes, borracha e fibra de carbono. As luzes ambientes que mencionei antes realçam ainda mais essas superfícies.
7°) Acelera feito um supercarro
O acionamento progressivo dos cilindros traz um som metálico e encorpado ao Classe G, ainda mais quando arranca enfurecido. Precisa de 4,4 segundos para atingir 100 km/h — e, se o motorista tiver coragem, poderá chegar a 220 km/h. Com o pé embaixo, senti as costas grudarem no banco e a necessidade de fazer pequenas correções no volante. É um "brucutu" que pode ser desengonçado devido ao peso e altura da cabine.
Brilha o câmbio automatizado de dupla embreagem e nove marchas, que traz elasticidade digna dos supercarros e transmite a força do V8 às quatro rodas. O Classe G não exita ao reduzir da oitava para a terceira marcha em milésimos de segundos, o que proporciona retomadas de velocidade impressionantes para um carro de 2.640 kg. Os paddle-shifters atrás do volante deixam o passeio mais divertido.
O volante multifuncional tem duas pequenas telas giratórias acopladas à parte inferior, onde o motorista pode selecionar o modo de condução. Destaco a escolha do couro que reveste a peça, de excelente toque, assim como a ótima empunhadura.
8°) Opcionais podem deixá-lo com a sua cara (e ainda mais exclusivo)
O configurador do Classe G no site da Mercedes permite incrementar ainda mais o jipão. Exemplo disso são as várias combinações de couro Nappa — são 37 ao todo — ao preço fixo de R$ 12,7 mil. Para escolher cintos de segurança diferenciados e coloridos, são mais R$ 6,4 mil. Ah, e o painel com acabamento de fibra de carbono custa R$ 55,6 mil (!!!).
Quer massageadores, aquecimento e resfriamento nos bancos frontais? É possível com o pacote que soma R$ 52 mil ao valor final do G-Wagen. Já o volante de fibra de carbono custa R$ 13 mil. Achou caro? Dá para optar pelo revestimento de couro Nappa por R$ 6,7 mil.
Em suma, com todos os equipamentos opcionais (alguns deles atrelados a outros, como a fibra de carbono), o valor do G 63 AMG pode subir em R$ 144 mil.
9°) Vai bem no asfalto e na terra
Já elaboramos sobre como o G-Wagen é surpreendente no asfalto. Mas ele foi feito (ou, pelo menos, desenvolvido) para andar na terra — e, para isso, tem atributos para cumprir a missão com maestria. Infelizmente, não pude colocá-los em prática no meu breve contato na cidade.
Primeiro, o pacote AMG Dynamic Select é item de série. Trata-se de um ecossistema eletrônico que faz a leitura instantânea da aderência do pneu com o solo, podendo interferir em casos de pouco contato. Segundo a Mercedes, o recurso está atrelado ao gerenciamento eletrônico do câmbio de nove marchas.
Outro sistema é o AMG Active Ride Control, que usa estabilizadores hidráulicos ativos que compensam a rolagem da carroceria em frações de segundo. Em terrenos difíceis de encarar, a tecnologia permite maior articulação dos eixos e proporciona a tração necessária. O mais interessante é que dá para acompanhar o seu funcionamento em um diagrama 3D projetado na central multimídia.
10°) Charme retrô único
Para finalizar, não poderia deixar de enaltecer que o Classe G é um carro de personalidade — pensado para pessoas de personalidade. Por isso, é um dos queridinhos dos artistas de Hollywood.
Ele foi apresentado em 1979 e teve poucas mudanças visuais desde então. As atualizações ficam restritas à adoção de um chassi mais atualizado, novas tecnologias, motores e acabamentos internos. É a maior definição de “atemporalidade”.
O Classe G é um carro que nunca estará fora do “hype”. Será sempre a estrela mais brilhante no catálogo da Mercedes, e mudará pouco ao longo das próximas décadas. O que resta é a saudade.
Mercedes-Benz G 63 AMG - Ficha técnica
| Motor | Diant., transv., 8 cil. em "V",4.0, injeção direta, gasolina + motor elétrico |
| Potência | 585 cv a 6.000 rpm |
| Torque | 86,7 kgfm a 2.500 rpm |
| Câmbio | Dupla embreagem, nove marchas |
| 0 a 100 km/h | 4,4 s |
| Direção | Elétrica |
| Suspensão | Indep., braços sobrepostos (diant.), eixo rígido (tras.) |
| Freios | Discos ventilados (diant. e tras.) |
| Pneus | 295/40 R22 |
| Consumo (Inmetro) | 5,4 km/l (cidade), 6,2 km/l (estrada) |
| DIMENSÕES | |
| Comprimento | 4,87 metros |
| Altura | 1,97 m |
| Largura | 1,98 m |
| Entre-eixos | 2,89 m |
| Peso | 2.640 kg |
| Porta-malas (VDA) | 454 litros |
| Tanque de combustível | 100 litros |
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