Teste: BYD Song Plus 2026 vale a compra mesmo com rivais mais baratos?
SUV híbrido plug-in está de cara nova, ficou R$ 5 mil mais caro e tem novos equipamentos; veja se compensa contra rivais mais baratos
“O tempo dita o rumo do mercado” é uma frase que define bem a indústria automotiva. Quando o BYD Song Plus foi lançado no Brasil, por exemplo, em novembro de 2022, veio com um forte apelo sendo o híbrido plug-in mais barato do mercado. Não por menos, se consagrou como o mais vendido do segmento no ano passado. No entanto, a chegada de concorrentes começou a ameaçar o império do SUV médio que, hoje, custa R$ 249.990. E aí vem a grande questão: será que ainda vale a pena?
Um dos modelos que incomodou seu posto, inclusive, foi justamente o BYD Song Pro. Embora sejam da mesma família e tenham conjunto híbrido plug-in, divergem em outros detalhes como o pacote de baterias e lista de equipamentos. Como consequência, mesmo atuando basicamente no mesmo segmento, o Song Pro é bem mais barato e lhe roubou o título de híbrido mais emplacado do Brasil.
Além dele, há também rivais de outras marcas que estão chegando com preços competitivos (principalmente, claro, de chinesas). Temos, por exemplo, o Caoa Chery Tiggo 7 PHEV, que estreou recentemente e está disponível por R$ 219.990. Outro é o Jaecoo 7, mais um chinês que chegou em terras tupiniquins por R$ 230 mil. Ainda assim, o Song Plus bate de frente com o GWM Haval H6 PHEV19, com valor de tabela em R$ 245 mil.
Para tentar se manter firme, a BYD trouxe novidades para a linha 2026 do Song Plus. A principal delas é o novo design, agora idêntico ao do modelo mais caro da família: o Song Plus Premium. Portanto, sai de cena a enorme grade frontal e entra um visual mais robusto, com linhas horizontais no para-choque e um novo conjunto óptico de LED. Na traseira, a única mudança fica por conta do posicionamento da placa, que agora está na tampa do porta-malas.
Dimensões do BYD Song Plus 2026
Tamanho permanece sendo um dos fortes predicados do Song Plus. Os 4,77 metros de comprimento e 2,76 m de entre-eixos proporcionam um ótimo espaço na cabine do SUV médio. Medidas essas que o fazem se destacar perante os rivais, já que o Tiggo 7 PHEV tem 4,51 m e 2,67 m, respectivamente. Haval H6 PHEV19 (4,73 m e 2,74 m) e Jaecoo 7 (4,50 m e 2,67 m) também ficam atrás.
A segunda fileira é muito generosa para as pernas, já que o assoalho é plano e o console central não tão recuado. Saídas de ar e portas USB-C estão disponíveis.
Apesar de manter uma boa capacidade no porta-malas, suficiente para comportar uma quantidade satisfatória de bagagens, o compartimento diminuiu na linha 2026 por conta da instalação de novos subwoofers no local, caindo de 574 litros para 552 l. Lembrando que não há o tradicional estepe e sim um kit de reparo emergencial.
Vida a bordo confortável
Se o foco do consumidor é o acabamento, o Song Plus ainda segura uma posição elevada. A BYD acerta na fórmula da cabine em relação aos rivais, com materiais de qualidade que misturam plástico com tecidos sensíveis ao toque. Algo que, por exemplo, você não vai encontrar no Tiggo 7 PHEV — que tem acabamento inferior, mas custa R$ 30 mil a menos. Fora que há um novo tom para o interior, que mescla marrom com preto, e deixa o visual elegante.
Outro ponto positivo é a lista de equipamentos recheada. Na linha 2026, o BYD Song Plus passa a adotar o head-up display, ou seja, aquela tela que fica refletida no para-brisa com informações básicas de velocidade. Recurso que, aliás, acho bastante funcional. Central multimídia de 15,6 polegadas, com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, teto solar panorâmico, freio de estacionamento eletrônico e painel digital completam a vida a bordo por R$ 250 mil.
Um pensamento que me vem toda vez que entro em um carro da marca chinesa é que o condutor vai precisar desvendá-lo. Isso porque quase não há botões físicos na cabine para acessar as configurações básicas. Justamente por isso, existem algumas soluções, como ajustar o ar-condicionado diretamente no volante, mas é preciso de tempo de uso para encontrar todas as funcionalidades. O que nem sempre temos.
Em contrapartida, o que facilita a vida do motorista são os recursos de assistência como frenagem autônoma de emergência, alerta de mudança e saída de faixa, bem como controle de cruzeiro adaptativo. Senti falta, no entanto, do alerta de ponto cego. Embora seja fácil manobrar o Song Plus com as câmeras 360° de boa definição, o item ajuda bastante no dia a dia e já está presente nos rivais da mesma faixa de preço (ou mais baratos).
Como anda o BYD Song Plus 2026?
Embora o consumidor considere muito mais que a mecânica na hora da compra de um carro, essa ainda é uma questão importante. No caso do Song Plus, estamos falando do conjunto DMi híbrido plug-in (com recarga externa) que une o motor 1.5 aspirado a gasolina a outro propulsor elétrico. Juntos, entregam 235 cv de potência suficientes para empurrar o SUV nada leve de 1.790 kg.
Fato é que os rivais diretos são mais potentes. O Jaecoo 7 tem 339 cv, enquanto o Tiggo 7 PHEV oferta 317 cv máximos. Por fim, o Haval H6 PHEV19, que já foi astro de um comparativo com o Song Plus na Auto News Brasil (e ganhou!), tem 326 cv. Em nosso teste no Rota 127 Campo de Provas, o 0 a 100 km/h do Song Plus levou longos 8,2 segundos.
Ser menos potente é decisório, mas não implica em um mau desempenho. O Song Plus é um híbrido honesto, visto que você consegue dirigir de diversas maneiras. É possível, por exemplo, travar a bateria em uma determinada porcentagem e utilizar apenas o motor a combustão, que raramente traciona as rodas do SUV médio.
Nesse caso, os singelos 98 cv do 1.5 aspirado vão sofrer um pouco mais na hora da direção. Entretanto, ainda sim é uma boa saída para quando o condutor quiser priorizar o uso do motor elétrico na cidade, fazendo trajetos triviais sem gastar uma gota de combustível. De modo geral, vale dizer, é o motor elétrico de 197 cv que traciona o Song Plus. Desse modo, nem sempre o motorista terá a combinação dos 235 cv e o motivo é que o motor a combustão funciona mais como um gerador para o elétrico.
Durante um trecho do nosso teste, ativei o modo Sport (além dele, há também Normal e Eco), o que deixou o carro mais esperto. As respostas de aceleração foram mais perpicaz e pude sentir os momentos em que o 1.5 entrou em ação. E dirigindo no modo híbrido, o motorista vai encontrar boas retomadas. Em nossos testes, constatamos que ele fica mais ágil partindo de velocidades mais amenas, de 40 a 80 km/h.
Importante dizer que, desde a linha 2025, o Song Plus é equipado com uma bateria de maior capacidade. São 18,3 kWh que, segundo a marca, permitem ao modelo rodar até 100 km no modo elétrico. Esse número é menor no padrão do Inmetro, de 63 km. E apesar de ter uma autonomia geral de até 1.200 km, de acordo com a BYD, reduziu o consumo. No PBEV, as médias ficam em 14,9 km/l para a cidade e 12,1 km/l na estrada.
Outro ponto negativo é o carregamento, que permite apenas corrente alternada (AC). Ou seja, uma corrente de baixa potência de até 6,6 kW. Isso significa, na prática, que o SUV vai demorar mais para completar a bateria do que outros rivais que já permitem o carregamento rápido (DC).
Fato é que o BYD Song Plus é bastante confortável. Não só pela ergonomia, que possibilita encontrar uma boa posição de dirigir e ótima empunhadura ao volante, mas a suspensão não é o calcanhar de Aquiles do modelo, como acontece com outros carros da marca como Dolphin Mini.
Mesmo não sendo a mais acertada para o solo brasileiro, transmite muito conforto para os passageiros. O que deixa a desejar é a estabilidade. Durante o teste, senti que a carroceria balança em momentos de curvas mais rápidas. Além disso, a direção é leve, mas sem ser molenga.
Como conclusão, posso dizer que, após três anos de mercado, o BYD Song Plus construiu seu nome como uma opção interessante quando se busca tecnologia, acabamento e espaço interno. Entretanto, na faixa de R$ 250 mil, começa a ser ameaçado por rivais que tem como palavra chave “custo-benefício”, além de (muito) mais potência.
E se o tempo é soberano de todas as coisas, só ele dirá como ficará a situação do SUV no Brasil. Com as outras marcas chinesas afunilando cada vez mais o mercado, podemos adiantar que fácil não será.
- Pontos positivos: acabamento, lista de equipamentos generosa e espaço interno;
- Pontos negativos: não há opção de carregamento rápido e é menos potente que os rivais.
BYD Song Plus 2026 - R$ 249.990
| Motor | Diant., transv., 4 cil. em linha, 1.5, 16V, aspirado, injeção direta, gasolina + elétrico |
| Potência do motor a combustão | 98 cv |
| Torque do motor a combustão | 12,4 kgfm |
| Potência do motor elétrico | 197 cv |
| Torque do motor elétrico | 30,6 kgfm |
| Potência combinada | 235 cv |
| Torque combinado | 40,1 kgfm |
| Velocidade máxima | 170 km/h |
| Câmbio | Automático, 1 marcha |
| Bateria | 18,3 kWh |
| Autonomia no modo elétrico | 63 km (Inmetro) |
| Carregamento máximo | 6,6 kW (AC) |
| Direção | Elétrica |
| Suepnsão | Indep., McPherson (diant.) e multlink (tras.) |
| Freios | Discos ventilados |
| Pneus | 235/50 R19 |
| Tração | Dianteira |
| Comprimento | 4,77 metros |
| Largura | 1,89 metro |
| Altura | 1,67 metro |
| Entre-eixos | 2,76 metros |
| Tanque | 57 litros |
| Peso | 1.790 kg |
| Porta-malas (fabricante) | 552 litros |
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