Volkswagen quer iniciar 'nova fase' no Brasil com Polo, Virtus, novo SUV e picape
Marca alemã pretende mudar imagem de ser forte apenas em 'carros de entrada' no Brasil. Mudança só será possível com o uso da plataforma MQB, que dará origem a mais 4 modelos até 2020.
Por G1
Se a fase é boa, não é preciso se reinventar. Mas se a fase é ruim, nada melhor que uma mudança, ou uma “virada de página”, como afirmou nesta quinta-feira (27) David Powels, presidente da Volkswagen do Brasil e América do Sul.
No ano passado, a marca alemã foi a 3ª entre as marcas que mais venderam carros no país, sendo superada pela Chevrolet, que liderou, e pela Fiat.
“De 2015 para cá, estamos deixando a nossa companhia mais enxuta, ágil e eficiente. E 2017 marcará essa virada de página”, disse Powels.
Segundo o executivo, a Volkswagen tem uma história de 60 anos no Brasil, marcada por modelos de entrada, como Kombi, Fusca e Gol. E ele quer mudar essa imagem.
“Até 2020 haverá total renovação do portfólio atual”, afirma o presidente da marca.
Uma plataforma, vários modelos
Mas essa mesma estrutura permite construir modelos variados, de portes diferentes. Uma versão menor dela, chamada MQB-A0, deu origem ao novo Polo, mostrado recentemente na Europa e que chegará ao Brasil ainda neste ano.
Ela resultará também no sedã Virtus, previsto para o 1º trimestre de 2018, em um inédito SUV compacto e em uma nova picape, ambos sem data de lançamento.
Painel digital no Polo
Veja como é o painel digital do novo Volkswagen Polo
O compartilhamento de peças entre modelos tão distintos também reduz o custo de desenvolvimento e permite que tecnologias de segmentos mais caros cheguem a veículos menos caros. Por isto a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) foi reestruturada para produzir com a matriz MQB.
É lá que serão produzidos o novo Polo e o Virtus no Brasil: para abrir espaço, a produção do Gol naquela unidade foi encerrada, e o hatch passa a ser feito somente em Taubaté, junto com Up! e Voyage.
Estes modelos deverão ser equipados com direção elétrica de série, além de freios a disco nas 4 rodas e controle de tração de série nas versões TSI e opcional nas aspiradas (MPI).
Também haverá como opcionais bloqueio eletrônico do diferencial, limpeza automática dos discos de freio, sistema de frenagem automática pós-colisão e indicador de perda de pressão dos pneus.
No interior, os grandes destaques serão o painel de instrumentos totalmente digital de 10 polegadas e a central multimídia de 8 polegadas. Mas nem todas as versões terão essa tecnologia, apenas as mais caras.
Motores com novos nomes
A maioria destes novos modelos será equipada com os propulsores turbo (TSI), que são menores em cilindradas, mas entregam maior potência, mais torque e economia de combustível.
Isso é um problema no Brasil, onde a Volkswagen ainda percebe um preconceito do consumidor com os motores menores, 1.0 por exemplo.
Por isto, os modelos TSI ganharão uma nova nomenclatura na carroceria, que reforçará o número do torque, não do tamanho do motor (1.0, 1.4 ou 2.0).
O torque é a força que o carro possui para se colocar em movimento e é o responsável por aquela sensação de colar as costas no banco ao pisar no acelerador.
O Polo será o primeiro a estampar o nome “200 TSI”, por exemplo, para o motor 1.0 turbo de 3 cilindros, que desenvolve 128 cavalos de potência.
Neste caso, o 200 representa o torque máximo em Nm (Newton-metro). O Nm não é a métrica mais usada no Brasil, que normalmente adota o kgfm para informar o torque.
A escolha foi feita porque o Nm dá um número mais “bonito” para o marketing – 200 Nm é a mesma coisa que 20,4 kgfm, por exemplo.
A montadora terá um desafio de explicar ao consumidor o que significa o número 200, sem confundir com um motor 2.0, que antigamente vinha com o nome “2000” em alguns modelos.
Para ampliar participação
Além disso, a “nova Volkswagen” quer trazer mais modelos importados ao mercado brasileiro, para brigar em todos os segmentos. No próximo ano chegam a Tiguan de 7 lugares e um novo Jetta.
No entanto, segundo Powels, há espaço para manter os velhos conhecidos Gol e Fox, que serão reposicionados na gama com a chegada do Polo. “Cada modelo terá atrativos para um público específico”, disse.
Tudo isso para retomar a liderança? Não. De acordo com o presidente da Volkswagen, o maior objetivo é ampliar o portfólio e buscar uma maior participação em outros mercados na América Latina, onde a marca tem cerca de 3% das vendas.
“É claro que, se lançarmos os produtos certos, podemos voltar à liderança. Mas ela não é buscada a qualquer custo”, explicou Powels.
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