Achado usado: Fiat Coupé tinha base do Tipo e traços de Ferrari
Assinado por Bangle e Pininfarina, esportivo competiu com Calibra e Eclipse
O Fiat Coupé é um daqueles esportivos inesquecíveis que enfeitaram muitas paredes de adolescentes dos anos 1990 e, atualmente, é visto como objeto de adorno nas salas de grandes colecionadores do mundo inteiro. Apresentado no Salão de Bolonha de 1993, as vendas na Europa começaram no início de 1994, sendo que no Brasil, as primeiras unidades chegaram em 1995.
Este Fiat Coupé 2.0 16V 1995/1996, pintado na ousada cor Verde Chamonix, é uma das 1.124 unidades importadas e vendidas para o mercado brasileiro até 1997. Com apenas 20.500 km originais, o neo colecionável pode ser conferido na loja Europar Veículos, de Ribeirão Preto (SP).
De acordo com Ricardo Laguna, o cupê da Fiat teve poucos donos e esta é a segunda vez que ele entra para a loja, que também possui outros clássicos interessantes: “Vendi esse carro em 2021 e retornou para o nosso estoque recentemente por meio de um amigo e colecionador que sempre nos procura para negociar seus carros”, explica.
Interior com ‘Disegno Pininfarina’
O que mais chama a atenção no Coupé 2.0 16V é o esmerado acabamento, com destaque para a faixa pintada (na mesma cor do carro) que percorre até as laterais de portas. A instrumentação é farta, porém bem direta e de fácil leitura. O velocímetro — com escala otimista para até 260 km/h — está posicionado bem ao centro, junto ao tacômetro (conta-giros). Do lado direito, há o indicador do nível de combustível e temperatura da água do motor e, do esquerdo, concentra-se o manômetro e indicador da pressão do óleo.
O exterior foi desenhado dentro do Centro Stile Fiat por Chris Bangle, conhecido por ser o primeiro chefe de design norte-americano na BMW e criador dos estilos controversos dos modelos da Serie 7 (E65) de 2001. Já o interior trazia a assinatura do estúdio italiano Pininfarina, conhecido por projetos da Ferrari, Maserati, Alfa Romeo, Lancia, Peugeot etc.
A sensibilidade de Bangle era notada pelos traços e pequenos elementos — a exemplo das lanternas traseiras e tampa de combustível — inspirados nos clássicos esportivos da Ferrari. À frente, chamavam a atenção os faróis duplos cobertos por coberturas de policarbonato fixados sobre o grande capô que terminava até as linhas dos arcos dianteiros de rodas, criando um visual arrebatador. Não é à toa que suas inconfundíveis formas parecem atuais até hoje.
No entanto, a sua base era mais simples, do Fiat Tipo de 1988, um modelo em larga escala de produção na Itália. Embora tenha mantido os mesmos 2,54 m de distância entre-eixos, o Coupé era 30 cm maior (4,25 m contra 3,95 m) e 6 cm mais largo (1,76 m ante 1,70 m) que o hatch. Já na altura, ele era 10 cm mais baixo (1,34 m e 1,44 m), o que lhe conferia um espaço reduzido para apenas dois passageiros à frente e mais duas crianças pequenas, do tipo 2+2.
No porta-malas, até que os 304 litros não faziam tão feio para um esportivo de seu calibre, lembrando que o Chevrolet Calibra comporta 252 l e o Mitsubishi Eclipse, 170 l.
Motor era o mesmo do Tipo Sedicivalvole
O motor aspirado de quatro cilindros 2.0 e 16 válvulas do Coupé era o mesmo do Tipo Sedicivalvole. Com 137 cv de potência e 18,4 kgfm de torque, despejado a partir das longas 4.500 rpm, com a ajuda da transmissão manual de cinco marchas, ele cumpria o zero a 100 km/h em 9,3 segundos, segundo dados oficiais. Era só 0,8 s mais lento que o carro nacional mais rápido do mercado, o Chevrolet Vectra GSi, com seus 8,5 s. Já na velocidade máxima, a Fiat declarava pouco mais de 200 km/h.
Na Europa, o Coupé foi vendido com outros propulsores que iam desde um raquítico 1.8 16V de pouco mais de 130 cv até um vitaminado 2.0 16V, de cinco cilindros que, com a ajuda do turbo, rendeu respeitados 220 cv de potência bruta. Esta última variação ficou conhecida no Brasil mais tarde por equipar os Fiat Marea Turbo, porém ‘estrangulada’ para 182 cv.
Mesmo na Europa, onde foram produzidos um total de 72.800 exemplares até o término de 2000, o esportivo é raro e passou a ser cobiçado, graças às suas linhas ousadas e estilo inconfundível.
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