Teste: Audi RS 7 é o sedã com desempenho de Ferrari que se preocupa com o consumo
Superesportivo híbrido de 600 cv adiciona desempenho extremo sem abrir do luxo
Por Rodrigo Ribeiro
A Ferrari F40 é um ícone da história automotiva, um carro feito com o único propósito de ser rápido. O carro abriu mão até das maçanetas para que seu V8 biturbo fosse capaz de levá-la de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos. Pensar que um confortável sedã de luxo fosse capaz de ter o mesmo desempenho certamente faria com que Enzo Ferrari lhe indicasse o sanatório mais próximo. Mas 33 anos de evolução constante certamente fariam o comendador se surpreender. Afinal, agora o novo Audi RS 7 não só se equipara à mais icônica das Ferrari como ele também a supera.
Em nossos testes o modelo cumpriu a mesma arrancada até os 100 km/h em meros 4,1 segundos, enquanto em 1.000 metros conseguiu alcançar os 257 km/h — a velocidade máxima como um opcional de R$ 95 mil que inclui freios de carbono-cerâmica é de 305 km/h, pouco abaixo dos 320 km/h da F40. Contudo, só o Audi pode fazer sombra em outros carros, encurtar (virtualmente) o entre-eixos e até te dar bronca se você acelera muito. Desde que, claro, você esteja disposto a pagar pelos R$ 921.990 cobrados pela marca.
Claro que não é justo comparar carros separados por três décadas de história, mas a ideia é contextualizar o nível dos superesportivos atuais. Não há número que não chame a atenção no novo RS 7: seu motor segue sendo um V8 biturbo de 600 cv, mas o torque subiu de 76,5 kgfm para 81,6 kgfm. Toda essa força é dosada pelo onipresente câmbio automático de oito marchas da ZF antes de ser enviado para as quatro rodas.
Por falar nelas, no pacote Brasil o sedã carrega rodas de 22 polegadas de diâmetro que podem ser recheadas com massivos freios de carbono-cerâmica com sensor de temperatura, cujo leve ruído no dia a dia mais do que compensa sua ampla eficiência sob uso intenso. E intensidade é o adjetivo mais adequado para descrever o RS 7 quando os modos de condução esportiva estão em uso.
Normalmente o sedã com mais de cinco metros de comprimento lida com a buraqueira do asfalto brasileiro com uma eficiência surpreendente (para um modelo da linha RS, claro). Mas são nos ajustes mais apimentados da suspensão a ar que o RS 7 troca de personalidade. Sai o modelo de luxo com estilo cupê, entra um carro capaz de rivalizar à altura do BMW M8 Gran Coupé.
A direção elétrica de relação variável tem agilidade quase sobrenatural, mas a rapidez deste Audi em contornar até a mais fechada das curvas vai além da velocidade de resposta do volante e dos enormes pneus com 28,5 cm de largura. O RS 7 vem de fábrica com um sistema capaz de virar as rodas traseiras em até 5 graus.
O mecanismo complexo reduz o diâmetro de giro em um metro durante manobras, ao mesmo tempo em que deixa o sedã muito mais rápido nas curvas, como se ele tivesse um entre-eixos mais curto.
Todo esse vigor naturalmente é acompanhado pela sinfonia do escapamento quádruplo com válvulas elétricas acionadas sempre que o motorista quiser ouvir um som à altura do desempenho — e felizmente dá para mantê-las abertas o tempo inteiro.
O aerofólio traseiro retrátil, como manda a cartilha do segmento, também pode ser mantido sempre levantado, independentemente da velocidade.
Andar rápido é algo que se espera de um Audi com as siglas RS, mas o que mais surpreende no RS 7 é a versatilidade com que ele deixa de ser um renn sport para virar um “simples” A7. Nos modos de condução mais mansos, o motor auxiliado por um conjunto elétrico quase não é ouvido. O V8 pode cortar a alimentação de quatro cilindros para reduzir o consumo de gasolina, de razoáveis 6,8 km/l na cidade e ótimos 14,6 km/l na estrada. O tanque de 73 litros, aliás, permite uma autonomia superior a 1.000 km.
O sistema híbrido leve não é dotado do start-stop de alta velocidade (que desliga o motor quando o acelerador é aliviado em trechos planos de estradas), mas o RS 7 tem alguns truques para poupar combustível.
No modo de condução mais econômico — e que raramente será usado — o sistema pode, por exemplo, te avisar que há uma curva fechada ou descida em frente e que é melhor aliviar o pé direito. Se mesmo assim você não ficar atento, um motor no pedal do acelerador faz ele vibrar para te alertar.
Outros truques do RS 7 também estão presentes no restante da gama, mas não deixam de impressionar. Os faróis matriciais de LEDs geram sombras em torno dos carros à frente para não ofuscá-los, e o facho alto auxiliar a laser é capaz de iluminar quase meio quilômetro à frente em condições específicas. Os próprios faróis e lanternas são um show à parte sempre que o carro é trancado ou aberto, acionando uma sequências de luzes em uma chamativa animação.
Os “defeitos”, como são esperados em um carro deste segmento e faixa de preço, estão mais para características do que problemas de fato. O maior deles é o fato de a Audi ainda esperar que você leve cinco adultos na cabine, apesar do túnel elevado e do banco central duro reforçarem que o máximo de conforto será possível com apenas quatro pessoas, sendo que o acesso à segunda fileira é levemente incômodo por conta do teto mais baixo.
Obviamente que nada disso é motivo para que um interessado deixe de colocar um RS 7 na garagem. E nós entendemos perfeitamente. Afinal, quem abriria mão de ter em casa um sedã confortável (e até econômico!) mais rápido que uma Ferrari F40?
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Desempenho
| ACELERAÇÃO | |
| 0 a 40 km/h | 1,6 s |
| 0 a 80 km/h | 3,1 s |
| 0 a 100 km/h | 4,1 s |
| 0 a 120 km/h | 5,3 s |
| 0 a 400 metros | 12,0 s |
| 0 a 1.000 metros | 21,4 s |
| Vel. em 1.000 metros | 257 km/g |
| Vel. real a 100 km/h | 98 km/g |
| RETOMADA | |
| 40 a 80 km/h (Drive) | 2,0 s |
| 60 a 100 km/h (D) | 2,2 s |
| 80 a 120 km/h (D) | 2,4 s |
| FRENAGEM | |
| 100 km/h a 0 | 43,2 metros |
| 80 km/h a 0 | 28,9 m |
| 60 km/h a 0 | 17,8 m |
| CONSUMO (Gasolina) | |
| Urbano | 6,8 km/l |
| Rodoviário | 14,6 km/l |
| Autonomia em estrada | 1.065 km |
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Ficha técnica
| Motor | Dianteiro, longitudinal, V8 4.0 32V, biturbo, injeção direta, híbrido leve |
| Potência | 600 cv a 6.000 rpm |
| Torque | 81,6 kgfm a 2.050 rpm |
| Câmbio | Automático, oito marchas |
| Tração | Integral |
| Direção | Elétrica, 12,2 m (diâmetro de giro), com eixo traseiro esterçante |
| Suspensão | Independente, com braços sobrepostos, amortecedores ajustáveis e molas pneumáticas |
| Freios | A disco de carbono-cerâmica ventilados e perfurados |
| Pneus e rodas | 285/30 R22 |
| Comprimento | 5,0 metros |
| Largura (s/ retrovisores) | 1,95 metro |
| Altura | 1,42 m |
| Entre-eixos | 2,93 m |
| Tanque | 73 litros |
| Porta-malas | 535 litros |
| Peso | 2.275 kg |









