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Desde o lançamento dos motores 1.0 e 1.2 turbo da Chevrolet, a correia banhada a óleo causou controvérsia entre donos de Onix, Onix Plus e Tracker. O sistema prometia mais eficiência, menor atrito e longa durabilidade, com a substituição da tradicional correia dentada por uma peça lubrificada internamente.

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No entanto, o cenário brasileiro, com lubrificantes adulterados, manutenções negligenciadas e combustíveis de qualidade variável, expôs fragilidades do componente. Rompimentos prematuros minaram a confiança dos consumidores e levaram a GM a rever o projeto.

Para a linha 2026, a marca conta com uma nova fornecedora, a Dayco, no lugar da Continental, e introduziu uma composição química reformulada para a correia. Além disso, ampliou a garantia do componente para 240 mil km ou cinco anos, o maior período já oferecido pela montadora. Conversamos com especialistas e fornecedores para entender as mudanças. Mas o que muda para os motoristas?

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O reforço químico trouxe maior resistência a óleos de menor qualidade, de acordo com a General Motors — Foto: Divulgação
O reforço químico trouxe maior resistência a óleos de menor qualidade, de acordo com a General Motors — Foto: Divulgação

1) Proteção contra lubrificantes adulterados


A principal motivação para a mudança foi aumentar a resistência da correia à presença de lubrificantes fora da especificação. Segundo a Chevrolet, testes apontaram degradação acelerada da borracha ao contato com óleos adulterados, vencidos ou diferentes dos recomendados no Manual do Proprietário.

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De acordo com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), cerca de 20% dos lubrificantes vendidos no país podem estar adulterados. A General Motors não confirma oficialmente a troca de fornecedor, mas a Dayco revela que passou a fornecer a nova correia.

“Todo o desenvolvimento foi feito pela engenharia de ambas as empresas”, explica Nelson Morales, coordenador de produto da Dayco na América Latina. A fórmula visa tolerar melhor os contaminantes, embora a recomendação de uso continue restrita aos óleos aprovados pela GM, como os que seguem as normas dexos1 Gen3 e API SP.

A especificação correta do óleo que deve ser trocado a cada 10 mil km está na tampa do motor do carro — Foto: Divulgação
A especificação correta do óleo que deve ser trocado a cada 10 mil km está na tampa do motor do carro — Foto: Divulgação

2) Composição mais resistente


A nova composição não foi detalhada pelas marcas, mas a General Motors admite ter substituído um composto que reagia com aditivos de alta acidez. Correias desse tipo costumam usar borracha nitrílica hidrogenada (HNBR) reforçada com cabos de aramida e fibras de vidro.

Outros elementos incluem óxido de zinco e ácido esteárico (ativadores da vulcanização), negro de carbono (proteção térmica e estrutural), sílica branca, plastificantes e agentes de cura como o peróxido DCP e o enxofre.

A principal hipótese da mudança está no aumento do teor de acrilonitrila (ACN) na matriz da borracha, o que daria maior resistência ao composto em reação com ácidos. Para o engenheiro Marcelo Rocha, especialista em lubrificantes, é difícil afirmar qual foi a alteração na fórmula.

Ele pondera que “a correia deve ficar mais rígida, mas o impacto da mudança na durabilidade ou eficiência tende a ser pequeno”. Para o especialista, a troca de fornecedor indica uma demanda localizada: “A mudança é marginal, e não compensa para um grande fornecedor fazer todo um retrabalho para um recorte regional de mercado”, finaliza.

3) O que muda para o motorista?

Apesar da nova composição, a recomendação oficial de manutenção segue: troca de óleo a cada 10 mil km e troca da correia aos 240 mil km ou cinco anos, o que ocorrer primeiro. A GM também não flexibiliza as exigências quanto ao tipo de óleo usado.

A boa notícia é que alguns modelos de anos anteriores de Onix e Onix Plus podem receber a nova correia, desde que a substituição seja feita por uma concessionária, como parte de inspeção ou manutenção preventiva.

Mesmo mais robusta, a correia continua sensível ao óleo fora de padrão. Para garantir a durabilidade, a melhor estratégia ainda é simples: seguir o manual, trocar o óleo no prazo e evitar produtos de procedência duvidosa.

4) Como é a correia

As correias são feitas de materiais como borracha de alta qualidade e, em alguns casos, reforço de fibra de vidro para dar maior resistência, como é o caso da peça da Dayco que está no Tracker e no Onix.

Confira na imagem abaixo a composição da correia banhada a óleo dos carros da Chevrolet:

Como é a nova correia de Onix, Onix Plus e Tracker — Foto: Laura Andrade
Como é a nova correia de Onix, Onix Plus e Tracker — Foto: Laura Andrade

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