Teste: Audi RS 4 Avant é o oásis de esperança no meio dos SUVs
Uma das únicas peruas do mercado pode levar sua família de 0 a 100 km/h em 4,1 s
Por Rodrigo Ribeiro
Alguns cálculos apontam que Jeff Bezos, polêmico empresário da Amazon, ganha o equivalente a R$ 12.796 por segundo. Então ele teria só R$ 52.463 no tempo em que a nova Audi RS 4 Avant demora para alcançar os 100 km/h. Por outro lado, bastaria a um dos homens mais ricos do mundo esperar pouco menos de 50 segundos para pagar os R$ 625.255 pedidos pela segunda perua mais divertida do Brasil.
Ela pode não ser tão rápida quando a RS 6 Avant, mas isso está longe de ser um demérito. Seu V6 2.9 biturbo manteve os 450 cv, mas passou por um leve incremento de torque e agora alcança 61,2 kgfm na versão reestilizada. O câmbio segue automático de oito marchas com, claro, tração integral quattro.
Por falar no design, as mudanças no estilo são as mesmas feitas no A4, com novos para-choques, rodas, faróis e lanternas — que fazem o já natural "show de luzes" sempre que o carro é aberto ou fechado.
O interior passou por mudanças pontuais, mas bem úteis: o sistema multimídia recebeu novas funções e pode ser comandando direto pela tela sensível ao toque. Isso permitiu a saída do nem tão prático comando sensível ao toque à frente do câmbio e ainda abriu espaço para mais um porta-trecos.
E locais para armazenar objetos é o que não falta para a RS 4 Avant, que dá um tapa na cara em muito SUV dito familiar. Falar que o enorme porta-malas de 505 litros é uma de suas virtudes é meio óbvio, mas estamos falando da versão topo de linha de um modelo alemão, então espere requintes que você nem sabia que precisava.
A iluminação é feita por duas luzes de LED nas laterais e é capaz de clarear todo o compartimento. A cobertura se ergue eletricamente quando a tampa (também automática) é aberta, e ainda há uma segunda tela retrátil feita para separar o compartimento da cabine, útil quando são colocados objetos além do limite do banco.
O espaço interno é o mesmo do A4, já que não há mudanças no entre-eixos de 2,82 metros. Isso é uma ótima notícia para até quatro adultos, enquanto o quinto passageiro vai se perguntar por que as fabricantes se preocupam em colocar cinto e encosto de cabeça para ele se o túnel central elevado e o banco com porção central mais dura deixam claro que ele não é bem-vindo ali.
Perua sim. Perigosa, nunca!
Bom, falamos das mudanças visuais, melhorias na cabine, espaço interno e alguns dos principais diferenciais da perua, então vamos para a parte mais interessante: como é acelerar a RS 4 Avant.
Ainda há quem não tenha perdoado a Audi por aposentar o V8 4.2 e seu ronco pra lá de encorpado, mas o ganho exponencial de torque mais do que compensa a troca pelo V6 2.9 biturbo — enquanto a adoção do turbocompressor reduziu o consumo para acalmar ambientalistas e governos.
Como estamos falando de um Audi, isso também significa que qualquer aceleração e retomada vem acompanhada do característico estampido no escapamento quádruplo, apesar do som ter sido amenizado nos últimos anos. E é possível deixar a RS 4 Avant marcando presença sonora o tempo inteiro sem compulsoriamente ter que lidar com a suspensão mais dura dos modos esportivos.
Por falar neles, na RS 4 há duas configurações extras além da Dynamic. Eles são batizados de RS 1 e RS 2 e permitem que você configure a direção mais firme e mantenha o câmbio no modo mais suave, por exemplo. Também é possível programá-los para deixar todos os sistemas eletrônicos na configuração mais esportiva, algo bem prático para ativar o controle de arrancada rapidamente.
Nesse modo a RS 4, que normalmente é "só" uma perua luxuosa e divertida, se transforma. A suspensão é naturalmente dura, mas configurá-la no modo mais esportivo é recomendável apenas em vias sem nenhum buraco à frente. Mas faz essa opção também a torna a Audi ainda mais ágil sem abrir mão da sensação de segurança, com a direção direta aceitando os mais diferentes abusos sem provocar uma saída de traseira abrupta, por exemplo.
Não dá para falar de lado negativo, e sim de defeitos — mas do Brasil, e não da RS 4 Avant. Os intermináveis buracos serão ameaças constantes aos pneus de perfil baixo com rodas de 20", enquanto a baixa altura do solo será um atormento permanente aos para-choques. Isso, infelizmente, explica porque carros como esse estão em extinção no Brasil.
É verdade que estamos alguns bilhões de reais distantes de Bezos e precisaríamos trabalhar por dezenas de anos para conseguir ter uma dessas na garagem. Mas, como um oásis no meio de um deserto proliferado de SUVs, só de saber que o mercado ainda tem uma opção como essa já é um alento para entusiastas sedentos por esportivos tradicionais.
Desempenho
| ACELERAÇÃO | |
| 0 a 40 km/h | 1,2 segundo |
| 0 a 80 km/h | 3,0 s |
| 0 a 100 km/h | 4,1 s |
| 0 a 120 km/h | 5,4 s |
| 0 a 400 metros | 12,2 s |
| 0 a 1.000 metros | 22,1 s |
| Vel. em 1.000 metros | 242,3 km/h |
| Vel. real a 100 km/h | 97 km/h |
| RETOMADA | |
| 40 a 80 km/h (Drive) | 2,1 segundos |
| 60 a 100 km/h (D) | 2,4 s |
| 80 a 120 km/h (D) | 2,6 s |
| FRENAGEM | |
| 100 km/h a 0 | 39,3 metros |
| 80 km/h a 0 | 26 m |
| 60 km/h a 0 | 14,7 m |
| Consumo (Gasolina) | |
| Urbano | 8,3 km/l |
| Rodoviário | 12,4 km/l |
| Autonomia em estrada | 719 km |
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Ficha técnica
| Motor | Dianteiro, longitudinal, V6 2.9 24V, biturbo, injeção direta |
| Potência | 450 cv entre 5.700 e 6.700 rpm |
| Torque | 61,2 kgfm entre 1.900 e 5.000 rpm |
| Câmbio | Automático, oito marchas |
| Tração | Integral |
| Direção | Elétrica, 11,7 m (diâmetro de giro) |
| Suspensão | Independente, braços sobrepostos (dianteira) e multibraço (traseira) |
| Freios | A disco de carbono-cerâmica ventilados e perfurados (D) e disco perfurado e ventilado (T) |
| Pneus e rodas | 275/30 R20 |
| Comprimento | 4,78 metros |
| Largura | 1,87 m |
| Altura | 1,40 m |
| Entre-eixos | 2,83 m |
| Tanque | 58 litros |
| Porta-malas | 505 l |
| Peso | 1.715 kg |
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