Hyundai Creta Limited: 5 razões para comprar e 5 motivos para pensar bem

Carro mais vendido do Brasil no varejo em 2025, SUV tem bom espaço interno e vai bem na liquidez; preço similar ao de SUVs médios e desempenho deixam a desejar


Hyundai Creta Limited - Equilíbrio é a chave para o sucesso do Creta: tem preço competitivo, é bem equipado e espaçoso Renato Durães/Auto News Brasil

O Hyundai Creta foi o carro mais vendido no varejo brasileiro em 2025. Ou seja, é o modelo que os consumidores comuns mais buscam, desconsiderando grandes locadoras e frotistas. Recentemente, o SUV compacto chegou à linha 2027 com atualizações no motor 1.6 turbo, que passou a ser flex e teve uma redução de até 20 cv em potência.

Nas lojas, a versão de entrada, Comfort, pode ser encontrada com descontos generosos de R$ 20 mil, sendo vendida a preço de HB20. Neste artigo, avaliamos a segunda versão mais barata, Limited, atualmente tabelada em R$ 173.390, e equipada com motor 1.0 TGDi turbo flex de 120 cv de potência e 17,5 kgfm de torque. E mostramos cinco razões para comprar o SUV compacto e cinco razões para pensar bem antes de colocar na garagem.

Hyundai Creta Limited - Razões para comprar

1) Espaço Interno

Hyundai Creta Limited tem bom espaço no banco traseiro, incluindo para a cabeça — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Sem mudanças nas dimensões, o Hyundai Creta 2027 continua sendo a referência em aproveitamento de espaço na categoria. Com 1,79 m de largura, 1,64 m de altura e 2,61 metros de entre-eixos, os passageiros do banco traseiro desfrutam de bom espaço para pernas, cabeça e ombros, permitindo que três adultos viajem com dignidade rara para um SUV compacto.

Para completar, quem viaja no banco traseiro tem à disposição saída de ventilação duplas e direcional, porta USB-C e um nicho para acomodar pequenos objetos, como celulares.

2) Porta-malas

Porta-malas do Hyundai Creta tem 422 litros — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

A carroceria do Creta não foi criada pensando apenas no espaço interno. O SUV compacto produzido em Piracicaba (SP) também tem um generoso compartimento de carga.

Com 422 litros de capacidade, o porta-malas do Creta aparece entre os 10 maiores no Brasil, considerando a categoria dos SUVs compactos. Ainda que as caixas de roda roubem um pouco do espaço, o formato retangular do compartimento e o assoalho quase plano facilitam a acomodação de malas grandes e objetos volumosos.

3) Desvalorização

Hyundai Creta Limited desvaloriza menos que grande parte dos rivais — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Considerando que a compra de um carro quase sempre é uma decisão racional, o fato de o Hyundai Creta ser o carro mais vendido do varejo indica que há uma boa reputação no mercado de seminovos e usados.

E os números de depreciação da Indicata corroboram para a boa fama do Creta. No período de um ano, o SUV compacto registrou valorização de 0,8%, tendo a segunda melhor marca entre os seis mais vendidos do segmento. No geral, foi superado apenas pelo Nissan Kicks, que acumulou alta de 2,65%. É preciso considerar, porém, que o Kicks trocou de geração no período.

De forma geral, o Creta se saiu melhor em desvalorização que Volkswagen T-Cross (-2,1%), Chevrolet Tracker (-3,6%), Fiat Fastback (+0,2%) e Jeep Renegade (-3,4%). A solidez é sustentada pela garantia de cinco anos da marca e pela fama de robustez mecânica.

4) Itens de segurança

Mesmo sendo a segunda versão mais barata, o Creta Limited já traz um pacote robusto de itens de segurança. Os freios a disco nas quatro rodas e os seis airbags não são grandes diferenciais, mas há uma lista de auxílios eletrônicos raros em opções intermediárias.

Há detector de fadiga, frenagem automática de emergência com detecção de pedestres e ciclistas e assistente de permanência e centralização de faixa. Curiosamente, o controlador de velocidade adaptativo (ACC) não está disponível.

5) Conectividade melhorada

Central multimídia do Hyundai Creta Limited agora se conecta sem fio com celulares — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Uma grande falha de conectividade do Hyundai Creta até a linha 2026 foi resolvida recentemente no ano-modelo 2027. A central multimídia com tela de 8 polegadas só oferecia conexões Android Auto e Apple CarPlay com fio. A questão foi resolvida e agora os usuários que esquecerem o cabo podem respirar aliviados.

Além disso, o Hyundai Creta é um carro conectado. Por meio do BlueLink, é possível monitorar o veículo 24 horas por dia, com direito a bloqueio remoto em casos de roubo ou furto, e checagem do estado do carro. Há também funções de conforto, como modo Valet, possibilidade de ligar o motor remotamente e até deixar o ar-condicionado gelando a cabine antes mesmo de embarcar.

Hyundai Creta Limited - Motivos para pensar bem

1) Desempenho

Motor 1.0 turbo TGDI do Hyundai Creta Limited 2026 rende 120 cv — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

O motor 1.0 TGDI é moderno, sem dúvidas. Mas fica devendo números mais empolgantes. Ainda que o torque máximo seja entregue a apenas 1.500 rpm, os 17,5 kgfm de pico o colocam abaixo de todos os rivais diretos. Já os 120 cv de potência são maiores apenas do que os 116 cv do Tracker, entre os modelos com motorização turbo.

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No teste de aceleração de 0 a 100 km/h de Auto News Brasil, o Creta 1.0 turbo leva a pior também, tendo cumprido a prova em 12,1 segundos. Como comparação, o novo Nissan Kicks foi 0,8 s mais rápido. Já o Fiat Fastback conseguiu acelerar em 9,4 segundos.

Na prática, em retomadas ou com o veículo carregado, o motorista sente a necessidade de reduções frequentes do câmbio automático de seis marchas, o que tira a agilidade esperada de um veículo turbo moderno. Além disso, a calibração da transmissão prioriza o conforto em detrimento da rapidez. Essa escolha técnica resulta em um delay perceptível nas saídas de semáforo.

2) Consumo

Hyundai Creta Limited fica devendo no consumo, com 9 km/l na cidade — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Além de não ter um desempenho notório, o Creta não é necessariamente um SUV econômico em consumo de combustível. Em nossos testes, sempre com gasolina e ar-condicionado ligado, o SUV compacto registrou tímidos 9 km/l na cidade. Foi pior até que o Jeep Renegade, que é 176 kg mais pesado e tem motor com maior deslocamento volumétrico (1.3 turbo).

Isso ocorre porque o motor de apenas 1 litro e três cilindros trabalha sob pressão constante e giros mais altos para entregar algum desempenho, o que acaba penalizando a eficiência energética em trajetos urbanos com trânsito intenso e muitas acelerações e retomadas a cargas altas.

Na estrada, o resultado é um pouco melhor, com 14,7 km/l para o Creta 1.0 TGDi, ficando na média de Kicks, Volkswagen T-Cross e do próprio Renegade.

3) Acabamento

Acabamento do painel abusa de plásticos duros no Hyundai Creta Limited 2026 — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Ao contrário das versões N Line e Ultimate, o Creta Limited abusa dos plásticos rígidos em áreas de contato constante. A montagem é precisa, mas a falta de superfícies emborrachadas no painel e nas portas destoa de um veículo que passa de R$ 170 mil.

Na versão Limited, o esforço da Hyundai em oferecer tecnologia acaba sacrificando o refinamento dos materiais. O toque áspero de certas molduras e a simplicidade de alguns botões lembram mais o HB20 do que o SUV aspiracional que o Creta se propõe a ser.

4) Vibração do Motor

Com as portas abertas, é possível sentir a vibração do motor de 3 cilindros do Creta — Foto: Júlia Maria Toledo/Auto News Brasil

Não é de hoje que criticamos o elevado nível de vibração do motor três cilindros do Creta. Inerente a motores com esta arquitetura e equipado com corrente metálica de comando em vez de correia dentada de borracha (que é mais durável, mas gera mais vibração).

O incômodo é perceptível ao volante com o veículo em movimento, mas se acentua mesmo é com o carro parado e em marcha lenta, principalmente quando as portas estão abertas. Nesse aspecto, Tracker e T-Cross são mais bem ajustados.

5) Competição com SUVs Médios

GAC GS3 é maior que o Creta e acaba de ser lançado com preços mais baixos — Foto: Divulgação

Com o preço sugerido de R$ 173.390, o Hyundai Creta Limite 2027 entra em rota de colisão direta com versões de entrada e até intermediárias de SUVs médios e modelos chineses já eletrificados. É o caso de Caoa Chery Tiggo 7 Max Drive (R$ 176.990), do novo GAC GS3 (até R$ 159.990) e do Omoda 5 HEV, este último um híbrido pleno vendido a partir de R$ 159.990.

Por esse preço, falta refinamento ao Creta. Além do acabamento simples citado acima, a central multimídia de 8 polegadas se tornou pequena. E nem estamos comparando com telas gigantescas de 15 polegadas de concorrentes.

Qualquer sistema de entretenimento com 10 polegadas hoje parece mais adequado ao custo de aquisição e ao porte de um SUV na casa de 4,30 metros de comprimento. Por fim, os faróis halógenos e a falta de iluminação dos botões destoam de um carro de tal faixa de preço.

Hyundai Creta Limited 2027 - Ficha técnica

Preço: R$ 173.390
Motor: Dianteiro, transversal, 3 cil. em linha, 1.0 12V, injeção direta, turbo, flex
Potência: 120 cv a 6.000 rpm
Torque: 17,5 kgfm a 1.500 rpm
Câmbio: Automático, 6 marchas, tração dianteira
0 a 100 km/h: 12,1 s
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente, McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.)
Pneus: 215/60 R17
DIMENSÕES:
Comprimento: 4,33 metros
Largura: 1,79 m
Altura: 1,64 m
Entre-eixos: 2,61 m
Tanque: 50 litros
Porta-malas: 422 litros
Peso: 1.300 kg

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