Especial híbridos: BYD King faz 18 km/l; será que é o rei da eficiência?

Versão de entrada do sedã é o híbrido plug-in mais barato do nosso especial; veja se compensa


BYD King GL 2025 foi testado em jornada São Paulo - Macaé (RJ) Marcus Celestino/Auto News Brasil

Este texto faz parte do especial sobre carros híbridos publicado na edição 709 da revista Auto News Brasil, que traz nossa vivência com os veículos durante o recesso na virada do ano. Todos os demais testes que compõem o conteúdo podem ser encontrados aqui. Boa leitura!

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“Aquele que reina dentro de si e governa paixões, desejos e medos é mais do que um rei”, escreve John Milton em Paraíso Retomado. Consigo traçar paralelo entre a sentença e os meus dias com o BYD King GL, versão de entrada do sedã chinês, com o qual dividi as festas de fim de ano.

Embora seja aberto a novas tecnologias, ainda sou rabugento, apaixonado por carros puramente a combustão. Além disso, por mais que um híbrido plug-in não necessite obrigatoriamente do conjunto de baterias para tracionar as rodas, sempre temo ficar sem carga em dado momento. Coisa de maluco. Por isso, passa longe do meu ser o desejo por um eletrificado. Desse modo, sou plebeu.

E a plebe depende de um bom rei. Assim como eu dependia de um veículo no mínimo eficiente em minha jornada de São Paulo a Macaé (RJ). São 630 km separando a megalópole paulista da “capital nacional do petróleo”. No trajeto, encarei a BR-116 e a BR-101, incluindo trecho de serra com curvas sinuosas tanto na ida quanto na volta.

Existe amor em SP, mas, no dia da viagem, a cidade era pura melancolia. Caía uma chuva fina e minha única bagagem (homens solteiros, minha gente) passou longe de ocupar os 450 litros de volume do porta-malas do King.

BYD King GL 2025 ficou 20 minutos no carregador para que autonomia fosse dos 56% aos 70% — Foto: Marcus Celestino/Auto News Brasil

Tentei me entender com a central multimídia de 12,8", que nem por decreto aceitava o Apple CarPlay. Uma das virtudes de um rei é a paciência, mas plebe e burguesia querem logo cabeças. Irritado, após muitos goles no café que levava em garrafa térmica, consegui, enfim, que o King GL me “concedesse a honra” de ativar o sistema operacional.

Waze a postos e Spotify “no jeito”, dei início à minha viagem solitária. Até pensei em levar os pets na empreitada, como fizeram alguns colegas da redação. Mas os felinos são arredios e não curtem sair de casa. Portanto, o “tio dos gatos” teve de deixar Jane Austen, Lonzo Ball e Sebastian Vettel sob os cuidados de uma babá.

BYD King oferece central multimídia giratória de 12,8 polegadas (na foto, versão GS do sedã médio) — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

A viagem, em si, foi tranquila, mas o King demanda acerto de suspensão um pouco melhor. Mesmo em curvas não tão acentuadas, se o condutor não estiver atento, pode sucumbir às demasiadas inclinações da carroceria. O conjunto não foi tropicalizado e também sofre ao encontrar trechos mais acidentados e quebra-molas.

O isolamento acústico, no entanto, é bom, e o desempenho, adequado. A união entre motor 1.5 aspirado a gasolina de 110 cv e elétrico de 179 cv garante boas retomadas. A potência combinada da versão GL, de entrada, é de 209 cv, e o zero a 100 km/h ocorre em 7,9 segundos.

Fiz duas paradas para recarga das baterias Blade de 8,3 kWh (com 32 km de autonomia declarada no Inmetro) na primeira perna. A primeira foi em Guararema (SP), onde esperei 22 minutos para recuperar 14% e voltar aos 70% de alcance. Afinal, o sedã é incompatível com carregadores rápidos (DC), aceita apenas recarga em corrente alternada (AC), a meros 3,3 kW... Fato curioso é que, além do King GL, outros dois BYD, Han e Yuan Plus, estavam carregando no mesmo eletroposto.

BYD King GL 2025 em eletroposto ao lado de outros modelos da fabricante chinesa — Foto: Marcus Celestino/Auto News Brasil

Minha segunda parada ocorreu 180 km depois, em Queluz (SP). Como o trânsito estava mais truncado, esperei 35 minutos por uma nova recarga, de 1,97 kWh, para que o alcance voltasse a 70%. Foi o tempo de tomar um energético.

Na viagem de ida, em descida, devido ao sistema regenerativo da bateria, obtive números de consumo bem interessantes: média de 23,8 km/l, chegando, em alguns momentos, a 31,2 km/l. Já de Macaé para São Paulo, subida, o King GL fez 18,5 km/l.

Na volta, aliás, fiz apenas uma parada para recarga, de 10 minutos e 0,46 kWh. A missão era “esgotar” a bateria, que chegou ao seu pior rendimento, mas, mesmo assim, garantiu números justos de consumo por causa da recuperação de energia. Em modo puramente elétrico, bom dizer, o King fez 4,1 km/kWh.

Em parada mais longa para recarga, BYD King GL 2025 levou 35 minutos para recuperar 70% de alcance — Foto: Marcus Celestino/Auto News Brasil

Na jornada, abasteci o carro três vezes. As duas primeiras, de R$ 100 cada, foram em Macaé; coloquei 16,4 litros e 15,7 l, respectivamente, no tanque. Durante minha estada na cidade, encontrei um ponto de recarga DC — que não atende ao King.

Ao retornar para São Paulo, parei em Queluz e coloquei mais 17 litros (R$ 100) no tanque, que tem capacidade para 48 litros. Foi o suficiente para dar um rolê em ciclo misto na capital e em São Sebastião (SP), fazendo 15,2 km/l com tranquilidade. Na cidade, sem tantos declives, uma ligeira queda para 14,8 km/l.

Mesmo com a bateria pequena, a potência de recarga do BYD King GL é de apenas 3,3 kW e demanda tempo — Foto: Marcus Celestino/Auto News Brasil

O BYD King, de fato, mudou minha percepção sobre híbridos plug-in. Mesmo com alguns pequenos galhos, é eficiente. Por R$ 179.900, a versão GL não chega a ostentar a coroa, mas é um herdeiro digno. E eu? Sou apenas um tonto. Por isso, se iniciei este texto com John Milton, finalizo com Romário: “Agora a corte está completa: o rei, o príncipe e o bobo”.

Pontos positivos: Silencioso e surpreendentemente econômico
Pontos negativos: Acerto da suspensão e falta de recarga rápida

BYD King GL 2025

Quilômetros rodados
Cidade: 254
Estrada: 1.670
Total: 1.924
Consumo médio: 18,1 KM/L
Combustível usado: 97,1 litros
Carregamento: 3,6 kWh

BYD King GL 2025

Ficha técnica
Motor: Diant., transv., 4 cil. em linha, 1.5, 16V, aspirado, gasolina + elétrico
Potência (comb.): 209 cv
Torque (elétrico): 32,2 kgfm
Câmbio: Automático, 1 marcha, tração dianteira
Zero a 100 km/h: 7,9 segundos
Bateria: 8,3 kWh (LFP)
Autonomia: 32 km
Carregamento máx.: 3,3 kW (AC)
Consumo (Inmetro): 16,3 km/l (urbano) e 14,3 km/l (rodoviário) (G)
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.)
Pneus: 215/55 R17
Tanque: 48 litros
Porta-malas: 450 litros (fabricante)
Peso: 1.515 kg
DIMENSÕES
Comprimento: 4,78 metros
Largura: 1,84 m
Altura: 1,50 m
Entre-eixos: 2,72 m

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