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Curiosidades

Por André Paixão

Se 2023 não foi o ano dos sonhos para a indústria automotiva brasileira, ao menos não faltaram boas histórias. O carro flex nacional completou 20 anos e a Volkswagen usou a inteligência artificial para trazer de volta a cantora Elis Regina. Além disso, duas novas marcas chinesas confirmaram que vão iniciar as operações no Brasil em 2024. Ou seja, já temos assunto para a próxima retrospectiva.

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Mas enquanto o ano novo não começa, vamos recapitular o que de mais importante aconteceu em 2023. Boa leitura!

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Carro popular voltou. E já acabou

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De 6 de junho a 7 de julho. Durou praticamente um mês o programa de incentivo à indústria automotiva promovido pelo governo Lula. A ideia era reduzir os estoques nos pátios e nas concessionárias e amenizar a ociosidade nas fábricas do país. E o plano funcionou. Com descontos de até R$ 8 mil, os brasileiros fizeram filas para comprar carros mais baratos.

Renault Kwid e Fiat Mobi voltaram a custar menos de R$ 60 mil durante programa de carro popular — Foto: Renato Durães
Renault Kwid e Fiat Mobi voltaram a custar menos de R$ 60 mil durante programa de carro popular — Foto: Renato Durães

"Houve uma disputa entre as fabricantes para atender os consumidores porque o prazo era curto", disse Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, a associação das montadoras. "Registramos o terceiro melhor emplacamento diário da história e o melhor em dez anos, com 27 mil unidades em apenas um dia, 30 de junho", completou.

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Para baixar os preços dos carros novos, seguindo uma série de critérios, a indústria recebeu R$ 800 milhões em créditos do governo. Com isso, cerca de 150 mil veículos foram vendidos com alguma redução no preço.

Incentivos e impostos

Duas outras medidas anunciadas pelo governo em novembro geraram muita polêmica e escancararam a divisão entre as fabricantes que atuam no Brasil.

Primeiro, o projeto da reforma tributária foi aprovado com a renovação dos incentivos para a produção de veículos nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Por si só, a medida já beneficiaria Stellantis, que tem fábrica em Goiana (PE), Mitsubishi, instalada em Catalão (GO) e Caoa Chery, que produz em Anápolis (GO).

Stellantis se beneficiou de prorrogação dos incentivos na região Nordeste — Foto: Divulgação
Stellantis se beneficiou de prorrogação dos incentivos na região Nordeste — Foto: Divulgação

O texto original previa apenas benefícios fiscais para modelos híbridos e elétricos. Porém, uma mudança na proposta passou a contemplar também veículos flex, que não necessariamente trazem avanços tecnológicos para a indústria local.

Poucos dias depois, o governo anunciou que veículos elétricos e híbridos voltarão a pagar imposto de importação, acabando com o incentivo anunciado em 2015 para estimular veículos menos poluentes. As alíquotas subirão gradualmente até 2026, quando será de 35%.

A medida veio no ano em que carros eletrificados importados começaram a incomodar modelos consagrados nas vendas e, claro, desagradou parte da indústria. Veja aqui o cronograma da volta do imposto de importação.

20 anos do carro flex

Volkswagen Gol foi o primeiro carro flex a ser apresentado no Brasil — Foto: Divulgação
Volkswagen Gol foi o primeiro carro flex a ser apresentado no Brasil — Foto: Divulgação

Mas há motivos para celebrar, sem dúvida. Em 2023, os primeiros carros flex completaram 20 anos. Na época, ainda que houvesse desconfiança com a tecnologia, as fabricantes correram para lançar a tecnologia primeiro.

Auto News Brasil contou, na época, que a Ford foi a primeira a mostrar esboços de um motor que pudesse ser abastecido com gasolina e álcool. Mas a Volkswagen pulou na frente e aproveitou o aniversário de 50 anos de operações no Brasil para lançar o primeiro carro flex do país.

A cerimônia aconteceu em 24 de março de 2003, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). É dessa data a famosa foto do presidente Lula simulando o abastecimento de um Gol.

Palio flex chegou às lojas antes, mas foto do Gol é a mais lembrada  — Foto: Divulgação e Gettyimages
Palio flex chegou às lojas antes, mas foto do Gol é a mais lembrada — Foto: Divulgação e Gettyimages

Mas há um detalhe... ainda não havia produção em série. A VW aproveitou as festividades para apresentar o carro, mas as entregas só ocorreram meses depois. Até lá, a Fiat apresentou o Palio 1.3 e a Chevrolet, o Corsa 1.8, ambos com motores flex. Porém, a foto que ficou para a história é a do Gol. E a Ford? Bom, foi a última das “grandes” da época a colocar um carro bicombustível nas ruas.

De lá para cá, mais de 40 milhões de carros flex foram produzidos e vendidos no Brasil. Milhares deles, inclusive com a tecnologia híbrida, lançada de forma pioneira pela Toyota. E que, em breve, será acompanhada por Stellantis e Volkswagen.

Invasão chinesa

GWM comprou a fábrica que era da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) — Foto: Divulgação
GWM comprou a fábrica que era da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) — Foto: Divulgação

Uma década e meia após a chegada das primeiras marcas chinesas ao país, o Brasil vive agora uma segunda invasão de fabricantes do maior mercado automotivo do mundo.

Mas esse capítulo, além de mais promissor, já que a indústria automotiva chinesa amadureceu nesse período, vem acompanhado de bilhões de reais anunciados em investimentos. Primeiro, a GWM anunciou a compra da fábrica de automóveis da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e prometeu investir R$ 10 bilhões até 2030 para iniciar as operações locais.

GWM Haval H4 HEV pode estrear produção da marca no Brasil — Foto: Divulgação
GWM Haval H4 HEV pode estrear produção da marca no Brasil — Foto: Divulgação

Ao longo do ano, a GWM iniciou as operações, ainda como importadora e lançou os três SUVs da linha Haval H6 e o hatch elétrico Ora 03. Para 2024, além do início da produção local, a marca deve lançar o inédito H4.

Fazendo marcação cerrada, a BYD também comprou uma fábrica desativada no Brasil. Mas a novela para a confirmação da aquisição da unidade da Ford em Camaçari (BA) se arrastou por meses. Em julho, houve o anúncio de que os chineses investiriam R$ 3 bilhões para produzir veículos na Bahia, sem qualquer menção à Ford.

BYD comprou fábrica que era da Ford em Camaçari (BA) — Foto: Getty Images
BYD comprou fábrica que era da Ford em Camaçari (BA) — Foto: Getty Images

Foi só em outubro que o negócio com a Ford foi concretizado. Ainda assim, foi preciso que o governo da Bahia fizesse a mediação para que a fábrica fosse devolvida ao estado, para só então repassar para a BYD. De todo modo, a partir do ano que vem, Dolphin e Yuan Plus serão produzidos no local.

O ano de 2023 também serviu de estreia para a Seres, marca menos conhecida e com operação bem mais modesta do que as conterrâneas. Por enquanto, apenas o SUV Seres 3 é oferecido no Brasil.

Omoda 5 será lançado no Brasil em 2024 — Foto: Divulgação
Omoda 5 será lançado no Brasil em 2024 — Foto: Divulgação

Ainda que o ano termine, outras duas marcas anunciaram a chegada ao Brasil. A partir do segundo trimestre de 2024, Omoda e Jaecoo começarão a vender seus modelos por aqui. A dupla faz parte do grupo Chery, mas vão operar no país de forma independente da Caoa. O objetivo é ter 40 pontos de venda até o fim do ano que vem. Se os negócios prosperarem, existe a possibilidade de adquirir a fábrica que a Caoa é dona (e mantém fechada) em Jacareí (SP).

Tesla e suas polêmicas

Tesla Cybetruck finalmente começou a ser entregue aos clientes — Foto: autoesporte
Tesla Cybetruck finalmente começou a ser entregue aos clientes — Foto: autoesporte

Há algo errado se a Tesla não aparece em nossa retrospectiva. E em 2023, a marca de Elon Musk não conseguiu ficar longe das polêmicas. Ao menos, há uma boa notícia. Depois de sucessivos atrasos, finalmente a empresa começou a entregar a picape Cybertruck aos clientes.

Prometida para 2019, a caminhonete elétrica de estilo controverso chegou aos primeiros clientes. Dona do maior limpador de para-brisa do mundo, a Cybertruck tem três versões e preços a partir de US$ 60 mil. Confira aqui todos os detalhes.

Tesla foi acusada de manipular o sistema Autopilot — Foto: Divulgação
Tesla foi acusada de manipular o sistema Autopilot — Foto: Divulgação

Mas, claro, houve escândalos. Após acusações de que o sistema de condução semi-autônoma Autopilot era desligado segundos antes de acidentes, a Tesla resolveu fazer um recall de dois milhões de veículos para melhorar o monitoramento do motorista quando a tecnologia está em funcionamento.

Meses antes, outra acusação: a marca teria instalado freios inferiores aos prometidos no Model Y Performance. Na página da Tesla, a descrição de “freios de alta performance” entre as suas características. Porém, os clientes descobriram que a fabricante substituiu os freios mais potentes por versões normais e instalou chamativas capas de pinças vermelhas para parecer que os componentes foram desenvolvidos para modelos de alto desempenho.

Agora é esperar e descobrir quais serão as polêmicas da Tesla na próxima retrospectiva.

Volkswagen e o comercial da Elis Regina

Elis Regina recriada com inteligência artificial em comercial da Volkswagen — Foto: Divulgação
Elis Regina recriada com inteligência artificial em comercial da Volkswagen — Foto: Divulgação

Chegando ao final de nossa lista, temos o que deve ter sido o comercial mais comentado de 2023. Para celebrar os 70 anos de atuação no Brasil, a Volkswagen recorreu à inteligência artificial para trazer de volta a cantora Elis Regina, morta em 1982.

Na peça, a cantora aparece ao volante de uma Kombi antiga. Mais emocionante que isso, só o fato de a versão criada com inteligência artificial interagir com Maria Rita, filha de Elis, que aparece dirigindo a ID.Buzz, versão moderna e elétrica da Kombi.

O comercial foi amado por colocar mãe e filha lado a lado, ainda que de forma artificial. Porém, houve quem criticasse a Volkswagen por colocar Elis Regina, crítica ferrenha do regime militar brasileiro, ao volante de um carro da Volkswagen, que em 2017 admitiu ter colaborado com a ditadura no Brasil. A marca se defendeu, dizendo que a família autorizou a peça publicitária.

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