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Elétricos e Híbridos

Por André Schaun

O Senado Federal aprovou o texto da reforma tributária, que agora volta para a Câmara dos Deputados, de onde o projeto original veio. Um dos assuntos que gerou mais polêmica foi incluir motores a combustão em incentivos fiscais para as empresas com fábricas no Norte, Nordeste e no Centro-Oeste. Isso gerou repúdio de algumas fabricantes e revolta da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE)

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Volkswagen, General Motors, Toyota e GWM criticaram em carta aberta a adição dos parágrafos 3, 4 e 5 do artigo 19 da reforma. Originalmente, este artigo previa incentivos fiscais apenas parar veículos eletrificados, incluindo os híbridos, e excluía esses benefícios para os motores a combustão.

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ABVE acredita que os veículos elétricos possam ser prejudicados  — Foto: Divulgação
ABVE acredita que os veículos elétricos possam ser prejudicados — Foto: Divulgação

A emenda proposta agora mantém estímulos regionais também para os veículos a combustão até dezembro de 2032, que a princípio iria até 2025 para as regiões Norte, Nordeste e no Centro-Oeste. A proposta original era renovar o incentivo para essas regiões até 2032, mas só para eletrificados. Agora inclui veículos flex, além de eletrificados.

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Vale lembrar que o incentivo para a produção de veículos nessas regiões é resultado de uma lei de 1997, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de regiões em que a infraestrutura não é são adequada como no Sudeste, por exemplo.

De todo modo, a medida beneficia, e muito, a Stellantis, que tem fábrica em Goiana (PE), HPE, representante da Mitsubishi, que produz em Catalão (GO) e a Caoa, que construiu uma unidade fabril em Anápolis (GO). A BYD, que acaba de comprar a fábrica da Ford em Camaçari (BA), também deve ser beneficiada.

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Veja abaixo os modelos produzidos nessas fábricas:

Stellantis

  • Ram Rampage
  • Jeep Commander
  • Jeep Compass
  • Jeep Renegade
  • Fiat Toro

Caoa

  • Hyundai Tucson
  • Caoa Chery Tiggo 5X
  • Caoa Chery Tiggo 7
  • Caoa Chery Tiggo 8

HPE

  • Mitsubishi L200
  • Mitsubishi Eclipse Cross

Isso também significa que qualquer veículo com motor flex fabricado nas regiões Sul e no Sudeste não terão os mesmos benefícios.

Os elétricos serão prejudicados?

Além da revolta das fabricantes, a ABVE também viu o cenário com pessimismo, já que as fabricantes terão mais tempo para investir em motores flex.

Confira o trecho abaixo retirado do texto-base da reforma tributária.

"Também acolhemos a emenda no 766, do Senador Fabiano Contarato e a de nº 767, do Senador Carlos Viana. Elas alteram o art. 19 do Substitutivo, para permitir que os benefícios fiscais ao setor automotivo sejam estendidos a projetos relacionados à produção de veículos movidos a álcool, isoladamente ou em conjunto com gasolina (flex), nos termos de lei complementar. Esses benefícios somente serão concedidos para pessoas jurídicas já habilitadas no âmbito das Leis nos 9.440, de 1997, e 9.826, de 1999, e serão condicionados, em qualquer caso, a compromissos de investimento e volume de produção mínimo, nos termos do ato concessório do benefício. Com essas alterações, estendemos o escopo dos benefícios à indústria automobilística de forma a viabilizar a expansão dessa importante atividade, impulsionando a economia nas regiões mais carentes do País".

Muitos a consideram um retrocesso, uma vez que os benefícios tributários para os elétricos e híbridos são os mesmos de motores de combustão interna.

"A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) entende que não deve haver a prorrogação dos incentivos regionais para veículos a combustão, e vai mais além. Em nosso entendimento, não deveria haver a prorrogação dos incentivos regionais, da forma como eles estão sendo aplicados hoje, e sim incentivos para novas tecnologias, para as tecnologias de descarbonização, como é o caso dos veículos híbridos e elétricos, oferecidos para todo o Brasil. A ABVE defende uma política nacional de incentivos às novas tecnologias", comunicou Ricardo Bastos, presidente da ABVE à Auto News Brasil.

Antônio Jorge Martins, coordenador de cursos automotivos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não vê prejuízo aos elétricos na concessão de benefícios aos biocombustíveis.

BYD Dolphin já é o carro elétrico mais vendido do Brasil em um único ano — Foto: Divulgação
BYD Dolphin já é o carro elétrico mais vendido do Brasil em um único ano — Foto: Divulgação

"Os elétricos são feitos para camadas muito específica da sociedade. Não será esse medida que vai atrapalhar o crescimento de elétricos no Brasil. BYD e GWM vieram para o Brasil e já estão com um volume bem considerável de vendas neste primeiro. É claro que queremos incentivos, mas incluir combustíveis neste cenário não é esse o ponto que vai atrapalhar o mercado brasileiro de elétricos", afirma.

Vale lembrar que o BYD Dolphin está batendo recorde mês a mês na vendas de carros elétricos. Em outubro foram 1.366 emplacamentos.

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"Os brasileiros perderam poder de compra nos últimos anos e os elétricos ainda são de nicho, para um público que pode pagar pelo menos R$ 120 mil no carro. Aos poucos eles vão ganhando seu espaço, o que é ótimo, e com incentivo a tendência é crescer, porém, as montadoras também precisam investir em combustíveis fósseis mais limpos e tem espaço para todo mundo", finaliza Martins.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) afirma que votará o quanto antes para que a proposta de Emenda à Constituição não volte ao Senado Federal. Por isso, a tendência é de que haja apenas algumas alterações pontuais, sem remover nenhum trecho do atual texto.

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