Os perigos do diesel adulterado e como se precaver ao abastecer
Combustível fora de especificação pode causar danos severos ao motor. Entenda os riscos do diesel adulterado e saiba como se proteger
O uso de diesel adulterado segue como uma das principais causas de falhas mecânicas em motores modernos. Com sistemas de injeção cada vez mais precisos e exigentes, qualquer desvio na qualidade do combustível pode gerar danos imediatos, muitos deles de alto custo e difícil reparo.
Segundo Filipe Buscariolo, professor da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a combinação entre adulteração química e contaminação por má armazenagem torna o problema ainda mais crítico no uso diário e em frotas.
Principais tipos de adulteração no diesel
As fiscalizações identificam com frequência a adição de solventes leves, como querosene ou nafta, usados para aumentar o volume do combustível. “Essa prática reduz drasticamente a lubricidade do diesel, que é essencial para proteger bomba e bicos injetores”, explica Buscariolo. Também é comum encontrar diesel com teor de biodiesel acima do permitido ou a venda de diesel S500 como se fosse S10, prática que afeta diretamente motores mais modernos.
Além disso, a chamada adulteração passiva ocorre quando há má conservação dos tanques dos postos. A presença de água e sedimentos, mesmo sem fraude intencional, é hoje a principal causa de falhas mecânicas imediatas após o abastecimento.
Por que motores modernos são mais sensíveis
Os sistemas de injeção Common Rail trabalham com pressões superiores a 2.000 bar e tolerâncias de fabricação extremamente pequenas. Nesse cenário, o diesel não serve apenas para a queima, mas também para lubrificar e refrigerar componentes críticos. “Qualquer impureza atua como abrasivo. A água é o maior inimigo, pois causa corrosão instantânea, cavitação e rompe o filme de lubrificação”, afirma o especialista.
No sistema de injeção, o diesel adulterado provoca desgaste prematuro da bomba de alta pressão e erosão dos bicos. “Isso gera perda de pressão no rail e pode levar ao travamento dos injetores”, diz o especialista.
No pós-tratamento, os impactos também são severos. O excesso de enxofre e a queima incompleta aumentam a formação de fuligem, saturando rapidamente o DPF (Filtro de Partículas Diesel, responsável por reter o material particulado do escapamento). “Além disso, contaminantes podem comprometer o SCR (sistema de Redução Catalítica Seletiva, que reduz óxidos de nitrogênio com uso de Arla 32), forçando o motor a entrar em modo de segurança, com perda de potência”, explica Buscariolo.
Sintomas mais comuns e como se precaver
Os sinais mais frequentes são perda de potência, marcha lenta irregular, dificuldade na partida a frio e aumento da fumaça no escapamento. “A ECU tenta compensar a queima ruim injetando mais combustível, o que eleva o consumo e pode acender a luz de injeção”, alerta.
Postos de alta rotatividade ajudam, mas não eliminam riscos. “Eles reduzem o envelhecimento do diesel, mas não garantem proteção contra fraude ou tanques mal conservados”, ressalta Buscariolo. Na manutenção, a drenagem diária do filtro separador de água é a medida mais simples e eficaz. Em caso de falha, guardar a nota fiscal e coletar amostras do combustível são passos essenciais para responsabilizar o fornecedor.
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