Teste: BYD Atto 8 é híbrido que não gasta combustível nem quando dono quer
Híbrido mais caro da BYD, Atto 8 tem sete lugares, usa suspensão inovadora e chega para concorrer com o Mercedes-Benz GLB; será que consegue?
Ao descobrir que testaria o BYD Atto 8, o SUV híbrido plug-in mais caro da marca chinesa, ao preço de R$ 399.990, tive a curiosidade de buscar outros modelos à venda no Brasil nessa faixa de valor e com capacidade para levar sete passageiros. É o mesmo patamar do Mercedes-Benz GLB AMG Line (R$ R$ 411.900), um SUV com os mesmos sete lugares e conjunto híbrido leve.
Já o GWM Wey 07, de R$ 429 mil, é híbrido plug-in, mas tem seis lugares distribuídos nas três fileiras de bancos. Partindo para os utilitários “chassi-cabine”, temos Chevrolet Trailblazer High Country (R$ 411.990) e Toyota SW4 SRX (R$ 424.590). Quando comparamos preços e propostas, os R$ 400 mil passam a assustar menos e fica claro que o Atto 8 está bem encaixado. O objetivo é expandir a presença da BYD em segmentos onde a marca ainda não atua. Afinal, a chinesa detém 30% das vendas de híbridos no Brasil. Mas o que o Atto 8 oferece?
O porte avantajado é uma das principais características. Em dimensões, o SUV tem 5,04 metros de comprimento, 2 m de largura, 1,76 m de altura e suntuosos 2,95 m de entre-eixos. E, embora tenha câmeras com visão 360 graus e sensores dianteiros, não é um carro prático para manobrar em função desse corpanzil. Pelo menos o volante, muito leve e desmultiplicado, ajuda nesses momentos.
Se por fora o Atto 8 é um carro difícil de encaixar em vagas apertadas — tive de me esgueirar por diversas vezes para sair da cabine —, por dentro há muito espaço. Quem viaja na segunda fileira tem ampla zona para as pernas (cortesia do entre-eixos e do assoalho plano), comandos digitais para o ar-condicionado e bancos com aquecimento e resfriamento. Um fato curioso é que os passageiros precisam praticamente “saltar” para entrar na cabine ou sair, pois o posicionamento do habitáculo é bem elevado.
Apesar de todo esse tamanho, somente crianças pequenas se acomodam com conforto na terceira fila de bancos, onde há porta-copos e saída de ventilação. Com os sete lugares em uso, o porta-malas com tampa motorizada tem 270 litros. Já com a terceira fileira rebatida, são generosos 960 l considerando o volume do assoalho do bagageiro até o teto.
Para quem busca luxo, esse BYD esbanja sofisticação. O acabamento traz borracha, couro, aço escovado e plástico texturizado. O SUV ainda oferece maçanetas retráteis, uma reluzente central multimídia de 15,6’’ com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, mas já sem a inútil função giratória que está sendo descontinuada pela marca, painel de instrumentos de 10,2’’, teto solar panorâmico e som premium com nada menos que 21 alto-falantes.
A interface da central multimídia é boa, com menus de fácil navegação e espelhamento de dados do computador de bordo. A tela exibe gráficos para que o motorista monitore sua condução, acompanhe informações de recarga e controle o limite mínimo do estado de carga (SOC).
Falando em carga de bateria, é uma boa oportunidade para apresentar o conjunto mecânico, liderado pelo motor 1.5 turbo a gasolina de quatro cilindros, de ciclo Miller, com 156 cv e 22,9 kgfm. A ele estão atrelados dois motores elétricos de 271 cv cada, um dianteiro e um traseiro, que elevam a potência combinada a 488 cv e o torque máximo, a 68,8 kgfm. Já a bateria Blade, à prova de fogo, tem 35,6 kWh de capacidade e proporciona autonomia de 111 km (Inmetro).
O maestro desse conjunto é o câmbio com embreagem multidisco de uma marcha mecânica e múltiplas relações elétricas. É dessa forma que o Atto 8 funciona com tração integral até em modo elétrico. Inclusive, o modelo demonstrou uma insistente predileção por rodar apenas com eletricidade quando a bateria está cheia, mesmo quando o motorista escolhe o modo de condução híbrido (HEV).
Constatamos isso ao submeter o Atto 8 a um teste de consumo urbano de 30 km, com a bateria em 95%. Mesmo em modo HEV, o motor a combustão só despertou durante uma manobra evasiva para desviar de um ônibus. No resto do trajeto, abaixo de 50 km/h, permaneceu sempre desligado. O computador de bordo marcou um consumo de meros 300 ml de gasolina — que correspondem a inimagináveis 333 km/l. É a consequência de ter uma bateria tão grande, que poderia estar em um Dolphin Mini.
Deixamos a bateria cair para 50% e repetimos o teste. Novamente, o Atto 8 só consumiu energia elétrica em modo HEV até chegar a 20% de carga, o SOC mínimo. Só então o motor a combustão enfim despertou, funcionando como gerador para manter o estado mínimo de carga. E aí obtivemos o consumo mais realista de 12 km/l na cidade. Em rodovia, a giros mais altos, o 1.5 turbo desperta mais vezes para auxiliar na tração; o resultado foi de 11,6 km/l.
A central multimídia exibe gráficos com esses números em tempo real. Fica claro que o Atto 8 entrega uma experiência de condução muito próxima à de um carro elétrico, até pelo alto nível de conforto acústico. Quem recarrega com frequência e só roda na cidade passará semanas sem entrar em um posto de gasolina.
Embora o Atto 8 tenha a inovadora suspensão semiativa DiSUs, que atua como um “cérebro”, ainda se mostra vulnerável a trepidações e ondulações no asfalto, transferindo impactos e pancadas secas à cabine. Esse sistema pode enrijecer os amortecedores em milésimos de segundo para reequilibrar a carroceria e até evitar capotamentos. Porém, o acerto ficou rígido demais para o castigado asfalto brasileiro.
Quanto ao desempenho, as arrancadas são tão vigorosas que os pneus destracionam. Segundo a BYD, o Atto vai de zero a 100 km/h em 4,9 segundos, mesmo pesando 2.650 kg. Seu pacote Adas funciona melhor que o de outros carros da marca, com controle de cruzeiro adaptativo (ACC), sensor de ponto cego e assistente de permanência em faixa.
O BYD Atto 8 é um SUV híbrido com boa dose de luxo, muito espaço interno e tecnologia, e insiste em rodar só com eletricidade. Também é mais barato que outros SUVs premium de sete lugares, o que pode ser bastante atrativo. Não chega a ser um carro com o mesmo nível de refinamento de um Mercedes-Benz, mas mostra que a BYD está chegando cada vez mais perto disso.
- Pontos positivos: Espaço interno nas duas primeiras fileiras, nível de tecnologia, conforto acústico e segurança
- Pontos negativos: Embora inovadora, suspensão é dura na cidade; pneus destracionam com tanta potência
BYD Atto 8
| Ficha técnica |
| Preço: R$ 399.990 |
| Motor: Diant., transv., 4 cil. em linha, 1.5 16V, inj. direta, turbo, flex + 2 elétricos |
| Potência (comb.): 488 cv |
| Torque (comb.): 68,8 kgfm |
| Câmbio: Automático, 1 marcha, tração integral |
| Zero a 100 km/h: 4,9 segundos |
| Bateria: 35,6 kWh (LFP) |
| Autonomia elét.: 111 km (Inmetro) |
| Carregamento: 6,6 kW (AC) e 72 kW (DC) |
| Consumo (Auto News Brasil): 12 km/l (urbano) e 11,6 km/l (rodoviário) (G) |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Indep., braços sobrepostos (diant.) e multilink (tras.) |
| Freios: Discos microperfurados |
| Pneus: 265/45 R21 |
| Tanque: 60 litros |
| Porta-malas: 960 litros (fabricante) |
| Peso: 2.650 kg |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 5,04 metros |
| Largura: 2 m |
| Altura: 1,76 m |
| Entre-eixos: 2,95 m |
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