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Testes de Carros
Por
Joaquim Oliveira

Reconhece este hatchzinho? Pois é, o carismático Dacia Spring renovado na Europa será o novo Renault Kwid E-Tech em breve no Brasil. A Dacia é a subsidiária de carros de baixo custo da marca francesa — e isso possibilitou a criação do único modelo elétrico com preço abaixo de 20 mil euros (R$ 134 mil na conversão) no velho continente. Pelo menos, era o caso até alguns meses atrás…

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Assim como nos Estados Unidos, a União Europeia aplicou uma tarifa sobre carros produzidos na China. A Dacia decidiu absorver esse agravamento fiscal para abater no preço do Spring. No futuro, provavelmente até 2028, o hatch romeno deve trocar sua base técnica e assumir a plataforma do Renault Twingo elétrico.

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Renault Kwid E-Tech tem 3,70 metros de comprimento  — Foto: Divulgação
Renault Kwid E-Tech tem 3,70 metros de comprimento — Foto: Divulgação

Enquanto essa versão futura não chega, vamos conhecer mais sobre o novo Kwid E-Tech, produzido em parceria com a Dongfeng em Wuhan (China). É desse mesmo complexo industrial que sairá a versão brasileira, a ser lançada no segundo semestre deste ano. Seu objetivo será brigar pelo posto de elétrico mais vendido no país com o BYD Dolphin Mini, por um preço próximo de R$ 120 mil.

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As ambições do modelo como carro urbano são perfeitamente atendidas no que tange às dimensões, que revelam algumas variações face ao antecessor. São 3,70 metros de comprimento (-3 cm) e 1,58 m de largura (+0,5 cm), além dos mesmos 1,52 m de altura e 2,42 m de entre-eixos. O peso, 1.056 kg, continua baixo para um carro elétrico, apesar do incremento de 6 kg.

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Versão brasileira do novo Renault Kwid E-Tech deve chegar ao Brasil ainda no segundo semestre  — Foto: Divulgação
Versão brasileira do novo Renault Kwid E-Tech deve chegar ao Brasil ainda no segundo semestre — Foto: Divulgação

Embora seja uma renovação profunda e não uma troca de geração, a Dacia assegura que as únicas peças preservadas são para-brisa, vidros laterais e teto (que abandonou as barras longitudinais de plástico). Exagero? Talvez.

O sistema de iluminação foi melhorado: apesar de as lâmpadas ainda serem halógenas, agora estão montadas em um projetor elipsoidal em vez de uma superfície reflexiva, o que permitiu reduzir o tamanho dos lustres dianteiros e direcionar o feixe de luz com mais precisão. Já as lanternas traseiras têm algumas funções realizadas por LEDs.

Renault Kwid E-Tech Spring Extreme tem faróis conectados por uma peça preta  — Foto: Divulgação
Renault Kwid E-Tech Spring Extreme tem faróis conectados por uma peça preta — Foto: Divulgação

O radar do sistema de frenagem de emergência foi substituído por uma câmera atrás do retrovisor interno, que também atua na nova função do assistente de permanência em faixa. Esse é um dos recursos inéditos do novo Kwid E-Tech, bem como o detector de fadiga e o sistema de reconhecimento de sinais de trânsito. Estruturalmente, não há qualquer mudança — por isso o Dacia Spring conquistou uma de cinco estrelas possíveis nos testes de colisão do EuroNCAP.

A cabine traz um design um pouco mais elaborado e algumas soluções que também foram adotadas pelo novo Renault Duster europeu. O painel de instrumentos agora consiste em uma tela digital de 7’’ com qualidade razoável. A central multimídia Media Nav Live, por sua vez, passa a ter 10,1’’, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

Renault Kwid E-Tech Spring Extreme é equipado com roas de 15 polegadas — Foto: Divulgação
Renault Kwid E-Tech Spring Extreme é equipado com roas de 15 polegadas — Foto: Divulgação

Na Europa há uma versão sem tela, apenas com um suporte para celular, que pode pintar por aqui em versões de carga ou frota do novo Kwid E-Tech. Todavia, os controles gráficos da central são fáceis de assimilar e mexer.

Com a renovação, o volante agora tem ajuste de altura, tornando mais fácil conseguir uma posição adequada para dirigir. O toque dos controles no console central e no seletor de marcha está mais sólido. Neste último caso, deixou de ser uma “roleta” e adotou o formato de alavanca.

Painel melhora muito com elementos do novo Duster europeu, como volante, multimídia e manopla de câmbio (a mesma do Kardian) — Foto: Divulgação
Painel melhora muito com elementos do novo Duster europeu, como volante, multimídia e manopla de câmbio (a mesma do Kardian) — Foto: Divulgação

Todas as superfícies são feitas de plástico duro e básico — e o que não falta são cabeças de parafusos à vista. A boa notícia é que, apesar de ser um carro fabricado na China, não emite tantos ruídos de alerta enquanto se desloca.

A cabine continua sendo bastante estreita (o motorista roça frequentemente o braço esquerdo na porta, por exemplo). Os dois bancos dianteiros são pouco amplos e ficam quase colados um ao outro. Também falham na função de segurar o corpo dos ocupantes em curvas rápidas. Como o hatch não oferece alças de apoio para as mãos, a coisa se complica…

Apesar da simplicidade, novo Renault Kwid E-Tech passa uma sensação visual bem mais moderna que o antecessor — Foto: Divulgação
Apesar da simplicidade, novo Renault Kwid E-Tech passa uma sensação visual bem mais moderna que o antecessor — Foto: Divulgação

Quatro adultos de até 1,80 m podem viajar com espaço limitado. Nessa condição, os joelhos dos ocupantes traseiros já encostam nos bancos frontais. Não existem saídas de ventilação, encosto de braço, portas USB e luzes no teto. Para um elétrico de baixo custo, não houve orçamento para inserir esses itens.

Vale observar que, na Europa, o Dacia Spring, equivalente ao nosso Kwid E-Tech, está homologado para quatro passageiros, tal qual o modelo vendido atualmente no Brasil e a antiga versão de entrada do Dolphin Mini. A boa notícia é que o porta-malas tem bons 308 litros de volume, 18 l a mais que o antecessor e 72 l acima do rival da BYD. Para tanto, a Renault removeu o estepe e adicionou um kit de reparos.

Renault Kwid E-Tech Spring Extreme tem 308 litros de capacidade no porta-malas  — Foto: Divulgação
Renault Kwid E-Tech Spring Extreme tem 308 litros de capacidade no porta-malas — Foto: Divulgação

Dinamicamente, o padrão de simplicidade se mantém, com a suspensão traseira por eixo rígido ligando as rodas de 15’’. Sempre que passamos por algum buraco ou elevação, o solavanco é garantido. Em curvas, a carroceria inclina como a Torre de Pisa. As pequenas baterias de 26,8 kWh, posicionadas sob o banco traseiro, pesam apenas 186 kg e pouco contribuem para maior estabilidade. No entanto, apesar dos freios traseiros a tambor, a frenagem é razoável.

A direção é leve a ponto de parecer que o carro está flutuando. Também é demasiado desmultiplicada, com 3,3 voltas entre os batentes do volante. Preservando o motor assíncrono de 65 cv de potência e 11,5 kgfm de torque, o desempenho se alinha à proposta racional e urbana. Pisando fundo, o novo Kwid E-Tech leva longos 13,7 segundos para ir de zero a 100 km/h. A máxima é de 125 km/h.

Renault Kwid E-Tech tem central multimídia e painel de instrumentos digital  — Foto: Divulgação
Renault Kwid E-Tech tem central multimídia e painel de instrumentos digital — Foto: Divulgação

Não há modos de condução, sendo possível variar apenas o nível de frenagem regenerativa. Porém, é possível acionar o botão Eco, que mitiga as respostas do acelerador e limita sua velocidade a 100 km/h. Chega a ser bom, pois pressões mais fortes no acelerador se traduzem em frequentes perdas de contato dos pneus com a estrada.

A bateria não tem pré-condicionamento de temperatura nem bomba de calor para o sistema elétrico. Assim, permite uma recarga completa em corrente alternada (AC) após cinco horas (a até 7 kW), ou entre zero e 80% após 56 minutos em corrente contínua (DC), a até 30 kW.

Renault Kwid E-Tech Spring Extreme tem alavanca de câmbio simples  — Foto: Divulgação
Renault Kwid E-Tech Spring Extreme tem alavanca de câmbio simples — Foto: Divulgação

A autonomia de 225 km no ciclo europeu WLTP parece possível de ser superada com relativa facilidade. Em nosso teste, o consumo médio de 8 km/kW foi melhor que os 7,4 km/kW declarados pela marca. E convenhamos: quem comprar o novo Kwid E-Tech dificilmente se arriscará a sair da cidade.

Resumindo, o novo Renault Kwid E-Tech pode ser uma solução interessante para motoristas de aplicativo ou frotas no Brasil. Se vier como o elétrico mais barato do mercado, pode roubar clientes do Dolphin Mini. Afinal, empresas e condutores de plataformas como Uber e 99 rodam muitos quilômetros diariamente em ambiente urbano e querem economizar trocando o reabastecimento pela recarga elétrica. Por isso mesmo, vão perdoar mais facilmente o caráter rústico e simples do carro.

Plugue de carregador frontal pode dificultar o posicionamento do Renault Kwid E-Tech em alguns postos de recarga — Foto: Divulgação
Plugue de carregador frontal pode dificultar o posicionamento do Renault Kwid E-Tech em alguns postos de recarga — Foto: Divulgação

Quanto à redução da pegada de carbono do Grupo Renault no Brasil e na Europa, aqui o modelo contribui para a marca cumprir as metas do Proconve L8, o programa local de emissões. Por isso, no Velho Continente, a montadora “engoliu” as tarifas impostas a carros chineses para vender o Dacia Spring por valores competitivos. A versão que testamos, Extreme 65, custa 21 mil euros (R$ 134 mil) e inclui central multimídia.

Dessa forma, a proposta do novo Renault Kwid E-Tech no Brasil será similar à da Europa: um carro que não serve para o early adopter que quer um elétrico cheio de tecnologias para ostentar, mas que cumpre seu papel de companheiro urbano de trabalho com competência. Vai faltar um pouco de espaço e conforto? Possivelmente, mas é um preço razoável a se pagar pelas demais economias.

Pontos positivos: Autonomia urbana, praticidade no dia a dia, preço e custos de manutenção
Pontos negativos: Acabamento espartano, poucos equipamentos e dinâmica de condução

Renault Kwid E-Tech Spring Extreme

Ficha técnica
Preço: 21 mil euros
Motor: Dianteiro, elétrico, assíncrono
Potência: 65 cv
Torque: 11,5 kgfm
Câmbio: Automático, 1 marcha, tração dianteira
Zero a 100 km/h: 13,7 segundos
Bateria: 26,8 kWh (LFP)
Autonomia: 225 km (WLTP)
Carregamento máx.: 7 kW (AC) e 30 kW (DC)
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e eixo rígido com molas helicoidais (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e tambores (tras.)
Pneus: 165/65 R15
Porta-malas: 308 litros (fabricante)
Peso: 1.056 kg
DIMENSÕES
Comprimento: 3,70 metros
Largura: 1,58 m
Altura: 1,51 m
Entre-eixos: 2,42 m

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