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Carros clássicos

De tamanho continental, o Brasil tem a quarta maior malha rodoviária do mundo, com território cortado por mais de 1,7 milhão de quilômetros. Assim, a maioria dos brasileiros está acostumada a percorrer longas distâncias de carro ou até prefere as aventuras pela estrada. É o caso de Hilário Zaltron e Janete Niedermeyer, que percorreram quase 3 mil quilômetros a bordo de um Ford Corcel 1977, saindo de Toledo (PR) com destino a Humaitá (AM).

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A razão? Foram entregar o carro ao irmão de Hilário, Vilson Zaltron, que mora no extremo norte do país e comprou o veículo para presentear sua filha, Fernanda Zaltron. A viagem teve duração de nove dias, mas não foi apenas de "pé na estrada". O casal montou um roteiro com paradas programadas para Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Vilhena e Ariquemes (RO), onde também possuem parentes. Para isso, se programaram para estar de férias no período.

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Ford Corcel 1977 de Hilário Zaltron e Janete Niedermeyer tem 100 mil km rodados — Foto: Reprodução/Facebook Janete Niedermeyer
Ford Corcel 1977 de Hilário Zaltron e Janete Niedermeyer tem 100 mil km rodados — Foto: Reprodução/Facebook Janete Niedermeyer

À RPC, filial da Rede 3PWEB no Paraná, o casal comentou que não conseguiu encontrar um serviço de carregamento que transportasse o carro por esse trajeto tão longo. Assim, decidiu enfrentar as estradas que cruzam o Brasil para levar o veículo ao parente por conta própria.

Hilário e Janete cumpriram o trajeto a bordo do sedã médio ainda da primeira geração do Corcel, equipado com motor 1.4 a gasolina de quatro cilindros em linha que desenvolve até 75 cv de potência e 11,6 kgfm de torque. Nesse caso, a tração é dianteira e o conjunto é aliado ao câmbio manual de quatro marchas. Rival direto do Chevrolet Opala e Volkswagen 1.600, o Ford Corcel, inclusive, foi eleito o Carro do Ano de Auto News Brasil mais de uma vez. O título foi garantido em 1969, 1973 e 1979.

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Ford Corcel de primeira geração durante teste da revista Auto News Brasil de 1968 (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte
Ford Corcel de primeira geração durante teste da revista Auto News Brasil de 1968 (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte

Apesar do ar-condicionado ter chegado ao mercado nacional no final dos anos 1960, o exemplar que cruzou o país com o casal não oferece tal tecnologia, o que, com certeza, se tornou mais um desafio na viagem. Apesar disso, Janete contou ao portal de notícias paranaense que a viagem foi tranquila e o casal não enfrentou problemas com o desempenho do veículo.

O sedã foi foi comprado por R$ 20 mil pelo irmão de Hilário. Enquanto muitos se perguntam se valeu a pena tanto esforço para realizar a entrega do carro, os dois garantem que sim. Em entrevista ao Jornal Metrópoles, o até então proprietário do clássico revelou ser apaixonado por carros antigos, e justamente por esse apego e apreço pelos clássicos da Ford, não queria vender o Corcel para ninguém.

Ford Corcel levou casal em segurança até o Amazonas para presentear sobrinha com carro da família — Foto: Reprodução/Facebook Janete Niedermeyer
Ford Corcel levou casal em segurança até o Amazonas para presentear sobrinha com carro da família — Foto: Reprodução/Facebook Janete Niedermeyer

A esposa lembrou ainda que o casal já recebeu diversas propostas para passar para um novo dono o sedã médio, produzido no Brasil entre 1968 e 1986. Entretanto, nunca aceitaram. Agora é diferente, já que, como explicaram ao Metrópoles, o veículo vai continuar na família.

À Rede Amazônica, filial da 3PWEB no norte do país, Vilson revelou ainda que o Corcel 1977, hoje com 100 mil quilômetros rodados, está na família há 20 anos e era usado por sua mãe. Quando ela faleceu, o irmão chegou a pensar em se desfazer do sedã algumas vezes, mas Vilson não deixou, afirmando que um dia ficaria com o veículo. Agora, o clássico será usado pela terceira geração da família após concluir esta grande aventura.

E se engana quem acha que os paranaenses ficarão sem um clássico para chamar de seu. Isso porque, Hilário já comprou uma Ford Pampa após vender o sedã para o irmão.

Travessia de balsa

O mais curioso dessa viagem é que o Corcel não chegou ao seu destino final após os nove dias. Isso porque, da parada final, em Humaitá, o sedã teve de cumprir um pequeno trajeto de balsa até Manaus, capital amazonense, onde mora o irmão de Hilário.

Acontece que, chegando lá, o veículo precisou ficar uns dias "hospedado" na casa de um conhecido da família, já que o Rio Madeira estava com baixo índice pluviométrico, o que atrasou a conclusão do percurso.

Após percorrer quase 3 mil km, Ford Corcel 1977 que saiu do Paraná ainda teve que ralizar travessia de balsa para chegar ao destino final — Foto: Reprodução/Facebook Janete Niedermeyer
Após percorrer quase 3 mil km, Ford Corcel 1977 que saiu do Paraná ainda teve que ralizar travessia de balsa para chegar ao destino final — Foto: Reprodução/Facebook Janete Niedermeyer

Mas, para o casal, a aventura não terminou por ali. De Humaitá, Hilário e Janete voltaram a Toledo de avião. Claramente uma viagem bem mais rápida, concluída em menos de um dia — considerando a distância aérea entre as capitais dos dois estados, mesmo em voos com conexão —, mas com certeza com menos memórias do que as eternizadas a bordo do Ford Corcel.

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