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Por Redação Auto News Brasil


Em novembro deste ano, Auto News Brasil celebra 50 anos de história. Até lá, relembraremos matérias clássicas que marcaram a trajetória da revista. Confira abaixo o que levou o clássico Ford Corcel a ser eleito um dos primeiros Carros do Ano, no texto publicado originalmente em abril 1969.

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Ford Corcel (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte
Ford Corcel (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte
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Foi uma escolha muito difícil a do Carro do Ano. Lançamentos da maior expressão em nosso cenário automobilístico concorreram com produtos de excelente nível.

Três grandes emprêsas empenhadas em conquistar novas e mais amplas faixas de mercado apresentaram os seus veículos quase ao mesmo tempo. Daí a dificuldade em eleger aquêle que receberia o título. Primeiro veio o FME-Corcel, exibido em outubro do ano passado e pôsto à venda logo a seguir.

Seguiu-se o Opala, apresentado e exibido ao público no Salão do Automóvel, em fins de novembro. Para o consumidor, começou a chegar no princípio dêste ano. A General Motors iniciava com o Opala a produção de veículos de passageiros no Brasil, inaugurando uma nova etapa em sua história na evolução da CMB, que dá ao Opala o cunho de um marco histórico e de reafirmação da importância que a emprêsa empresta ao mercado brasileiro.

Também no Salão do Automóvel o público travou conhecimento com o Volkswagen, o VW-1.600. Inaugurou, como o Opala no caso da CMB, uma nova fase da Volkswagen, que agora quer também conquistar o mercado de carros médios com seu sedã de 4 portas.

Auto News Brasil elegeu e Carro do Ano com base nos critérios que desde 1966 norteiam essa promoção e que têm os seguintes objetivos:

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"O seu motor, possuindo bom torque, dificilmente pede mudanças de marchas. É tão bom que o motorista um pouco mais esportivo sente vontade de abusar das mesmas. O motorista deve acostumar-se às reações do Corcel nas curvas velozes, pois inclina bastante a carroçaria." - Auto News Brasil

a) Estimular a execução de projetos nacionais e a nacionalização estilístíca e técnica de projetos estrangeiros;

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b) Ressaltar a importância da produção de veículos de custo baixo e de operação econômica;

c) Salientar a necessidade da fabricação de veículos resistentes e duráveis;

d) Ter em mente as possibilidades de adaptação do veículo às variadas condições de ruas e estradas do país;

e) Considerar a versatilidade do projeto e suas possibilidades de transformação e adaptação;

f) Por fim, assinalar os melhoramentos técnicos acrescentados ao veículo como fruto da experiência nacional.

A ponderação de vários elementos conferiu ao Ford Corcel o título de Carro do Ano. Por quê?
Corcel nasceu aqui, surgido nas pranchetas como o Projeto M, da Willys. Era um veículo inteiramente e elaborado para satisfazer as condições de uso no Brasil. Sua idéia básica foi a de um veículo de preço pouco mais alto que o menor dos nacionais e que proporcionasse performance e comodidade de um carro grande, com baixos custos de manutenção e muita economia.

Partindo de um sedã de quatro portas standard e luxo, o projeto deveria permitir o desenvolvimento de outros modelos. Efetivamente, essa premissa se tornou plenamente viável, pois a Ford está apresentando versões do Corcel Coupê e GT, enquanto prepara a e tem em estudo o furgão, pick-up e conversível. Todos fazem parte da mesma família, mantendo as características básicas do projeto inicial.

Ford Corcel durante teste da revista Auto News Brasil de 1968 (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte
Ford Corcel durante teste da revista Auto News Brasil de 1968 (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte

Essa versatilidade abriu novos e largos horizontes aos compradores de veículos de porte médio, ensejando-lhes uma gama de escolha, no futuro, de numerosos produtos na mesma faixa de mercado. Este é um ponto bastante positivo do projeto, tendo em vista que a partir da paralisação da produção do DKW, o comprador ficou sem opções em vários “degraus” do mercado automobilístico.

A mecânica do Corcel incorporou as mais recentes conquistas e tendências internacionais da indústria automobilística. Sua tração dianteira, por exemplo, permite melhor aproveitamento do espaço interno para bagagem e excepcional rendimento em têrmos de estabilidade. Os cinco mancais do motor asseguram, sem dúvida, maior durabilidade e rendimento.

De 68 cv a 5.200 rpm, êsse motor comporta versões “mais quentes”, para chegar a 80 cv a 5.200, no GT. Esse mesmo motor pode alcançar mais de 100 cv nas versões para competição, como ficou demonstrado em protótipos Ford Willys de competição.

Soluções modemas foram adotadas para o Corcel, tais como a introdução de juntas homocinéticas, que suprimiram os antigos problemas da tração dianteira, e o sistema de arrefecimento em conjunto selado, que proporciona várias vantagens na refrigeração do motor. Os freios a disco, a despeito de opcionais, constituem também a solução mais atual para os problemas de frenagem.

Em resumo, no Corcel procurou se aproveitar o que há de melhor nas correntes européias e norte-americanas da atualidade, devidamente aplicadas às condições especííficas do Brasil.
Não como confronto de performances, mas apenas para situar comportamento do Corcel no cidade é na estrada, vejamos alguns trechos do teste de Auto News Brasil com êsse veículo.

Corcel: o Carro do Ano em 1969 (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte
Corcel: o Carro do Ano em 1969 (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte

“Uma das surprêsas agradáveis, ao se dirigir o Corcel, é o fato de não se perceber a tração dianteira. A direção é leve, suave e não apresenta trepidações e endurecimento notados no antigo Vemag. O uso das juntas homocinéticas faz o carro parecer que tem tração traseira”.

"A sensação, em termos de comodidade de marcha, é a mesma sentida nos carros norte-americanos, sem prejuízo da ótima estabilidade. Na estrada o Corcel é um carro por demais gostoso, oferecendo grande comodidade. O seu motor, possuindo bom torque, dificilmente pede mudanças de marchas. É tão bom que o motorista um pouco mais esportivo sente vontade de abusar das mesmas. O motorista deve acostumar-se às reações do Corcel nas curvas velozes, pois inclina bastante a carroçaria. A estabilidade, porém, é muito boa e as correções são fáceis, mesmo para os mais inexperientes”.

Na parte alusiva ao motor, o teste mostrou que aceita perfeitamente a gasolina comum, não apresentando “passagens” de carburação. Depois, assinala: o radiador selado mostrou-se eficiente, tanto no trânsito urbano como em longas viagens, mesmo em velocidade alta por longo tempo. Nunca apresentou superaquecimento. "À média de 80 ou 100 km/h alcançamos até 13 km por litro".

O Corcel testado por AE estava equipado com freios a disco dianteiros “e mostraram ser muito eficientes”. Em síntese: “Este é, sem dúvida, um dos pontos altos do carro”. Como se vê, o Corcel foi muito feliz no teste.Todos êsses pontos, mais os elementos relativos à origem, estilo, construção e posição no mercado, deram-lhe o título de Carro do Ano.

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