F1 de 1972 teve primeiro brasileiro campeão e estreia do GP do Brasil
Emerson Fittipaldi foi o piloto mais novo a conquistar o troféu mais importante da categoria até então
Por Douglas Mendonça e Lucca Mendonça
De longe, a temporada de 1972 da Fórmula 1 foi uma das mais importantes para o automobilismo nacional: Emerson Fittipaldi foi o primeiro piloto brasileiro a sagrar-se campeão, e tivemos ainda a estreia de dois outros pilotos nascidos no Brasil.
O primeiro era Wilsinho Fittipaldi, irmão mais velho de Emerson, que corria pela Motor Racing Developments (antiga Brabham), e o segundo era José Carlos Pace, carinhosamente apelidado de “Moco”, pois era sempre quieto e mais ouvia do que falava. Pace guiava pela pequena, na época, equipe Williams, que depois se tornaria uma das gigantes do automobilismo mundial.
Um ponto de destaque para o primeiro campeonato do mundo do brasileiro Emerson é que ele era o piloto mais novo a sagrar-se campeão na F1 até então, com apenas 25 anos de idade. Tal recorde de 1972 só foi batido em 2005, 33 anos depois, pelo espanhol Fernando Alonso, vitorioso aos 24 anos.
Realmente, o Fittipaldi era um fenômeno em um universo em que todos os grandes nomes tinham sempre ao redor dos 30 anos ou mais, e corriam até os 40 ou mais. Bem diferente de hoje, com pilotos iniciando na categoria com até menos de 18 anos, e já vencendo desde as primeiras corridas, a exemplo de Max Verstappen, que já é tricampeão aos 26 anos.
Além do talento indiscutível de Emerson Fittipaldi, o destaque da longa temporada de 1972, começada em janeiro e encerrada em outubro após 12 etapas, fica também para a insuperável capacidade técnica do carro 72D, único modelo da Lotus para aquele ano.
Tecnicamente falando, aquele Lotus preto gravado com letras douradas, que tinha patrocínio da marca de cigarros John Player’s Special, tinha um desenho inovador, que, ao invés das formas arredondadas dos demais carros, apostava na forma de cunha, com cantos vivos e função aerodinâmica de aumentar o downforce na medida que a velocidade crescia. Não apenas da asa traseira, mas na carroceria como um todo.
Tinha também outros atributos indiscutíveis, como os freios onboard (dentro do carro, e não na roda), com ventilação pronunciada dos discos, além de amortecedores e molas também embutidos, sem atrapalhar sua apurada aerodinâmica.
Seus radiadores eram laterais, permitindo uma frente bastante estreita, com possibilidade de regulagens para aumentar ou reduzir a aderência das rodas dianteiras de acordo com o circuito. Junto do câmbio Hewland com cinco marchas de relações configuráveis, estava o motor tradicional e poderoso Ford-Cosworth DFV, V8 com 3.0 litros e aspiração natural. A essa altura, já era um carro de 480 hp a 10.800 rpm.
Mas, Jack Stewart, arquirrival de Emerson Fittipaldi, também fez bonito, só que na Equipe Tyrrell. Jack conseguiu vencer quatro dos doze GPs da temporada, enquanto o brasileiro levou a melhor em cinco deles. No final, Fittipaldi campeão, e a lenda Stewart vice-campeão, em um resultado que seria invertido em 1973.
Fórmula 1 de 1972
| Etapa | Vencedor | Equipe |
| GP da Argentina | Jackie Stewart | Tyrrell |
| GP da África do Sul | Denny Hulme | McLaren |
| GP da Espanha | Emerson Fittipaldi | Lotus |
| GP da Mônaco | Jean Pieree Beltoise | BRM |
| GP da Bélgica | Emerson Fittipaldi | Lotus |
| GP da França | Jackie Stewart | Tyrrell |
| GP da Inglaterra | Emerson Fittipaldi | Lotus |
| GP da Alemanha | Jacky Ickx | Ferrari |
| GP da Áustria | Emerson Fittipaldi | Lotus |
| GP da Itália | Emerson Fittipaldi | Lotus |
| GP do Canadá | Jackie Stewart | Tyrrell |
| GP dos Estados Unidos | Jackie Stewart | Tyrrell |
Já os brasileiros Pace e Wilsinho tiveram participações discretas naquele ano de 1972. José Carlos acumulou três pontos no total (um ponto com o 6º lugar no GP da Espanha e dois pontos com o 5º lugar no GP da Bélgica), em uma estreia tímida, mas marcante na categoria. Wilsinho Fittipaldi, irmão do campeão, foi ainda mais apagado naquele ano, até em função do seu carro pouco competitivo numa equipe pequena.
Ano de aprendizado para os jovens brasileiros na categoria mundial, assim como de vitórias para a Fórmula 1 quando o assunto era segurança: pela primeira vez, todos os GPs foram disputados em pistas dotadas de todos os dispositivos de segurança da época exigidos pela FIA, enquanto os carros ganhavam mais soluções para proteger pilotos e telespectadores durante as provas. Como resultado, e por milagre, 1972 foi um ano que nenhum piloto da categoria perdeu a vida nas pistas. Ainda bem.
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Para os brasileiros, outra primazia: era o ano de estreia do GP do Brasil, realizado no Autódromo de Interlagos, ainda que essa prova fosse extraoficial. É que a FIA exigia que, antes de oficializar qualquer etapa de F1, ocorresse no local uma prova de testes, sem contagem de pontos.
Com direito a transmissão ao vivo e a cores pela televisão brasileira, a primeira prova nacional da categoria foi vencida pelo piloto argentino Carlos Reutemann, dirigindo um Brabham-Cosworth, em 30 de março. A vitória só não foi também de Emerson Fittipaldi, que liderava com folga em seu Lotus 72D, por conta de uma quebra na suspensão traseira no carro do brasileiro, que exigiu sua retirada das pistas.
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