Aceleramos o novo Renault Kwid Outsider; versão é a topo de linha do carro mais barato do Brasil
Modelo que custa R$ 67.990 é a versão "aventureira" do hatch que se vende como "SUV dos compactos"
Por Marcelo Monegato
Os carros populares estão em extinção. Modelos que se propunham a ser o mais básico possível para conquistar a galera curta de grana, adepta de entrada facilitada e prestações a perder de vista, nos últimos anos disseram adeus ao Brasil. Quem sobreviveu teve de se adaptar às novas regras impostas pelas leis, e não conseguiu fugir dos aumentos de preços, que se tornaram constantes. Este é o caso do Renault Kwid 2023, um dos últimos resquícios de um populismo automotivo.
Se em agosto de 2017, quando o Kwid chegou custando R$ 29.990, seus concorrentes eram outros modelos baratinhos, como um Chery QQ, que partia de cerca de R$ 27 mil, hoje o cenário é outro.
Além do Fiat Mobi, remanescente da debandada de Ford Ka, Toyota Etios, Volkswagen Fox e up!, Fiat Uno e Chevrolet Joy, os inimigos do pequeno Renault são também os carros usados, que voltaram a ser alternativas em meio ao caos que se tornou o mercado automotivo brasileiro durante a pandemia, com fábricas paralisadas por falta de microchips semicondutores e filas de espera por um 0km que podem durar meses.
Mas para seguir a caminhada, o Kwid, que insiste em dizer que é o SUV dos compactos (difícil de engolir), buscou evoluir. O primeiro passo foi adaptar o lineup. De cara matou a versão de entrada Life, passando a oferecer apenas as configurações Zen, Intense e Outsider. O segundo, claro, foi mexer nos preços. Ter um compacto da Renault, agora, não sair por menos de R$ 59.890.
Também deu uma renovada no visual externo, um tapa no design interno, promoveu evoluções pontuais no motor 1.0 SCe de três cilindros aspirado e incorporou novos equipamentos, como sistema Start-Stop (desliga e liga o motor automaticamente em paradas mais longas), assistente de partida em rampa, monitoramento da pressão dos pneus e controle de estabilidade.
Tudo, porém, mantendo as medidas do “velho” Kwid — entre elas, o bom porta-malas com capacidade para 290 litros.
Em primeira mão, Auto News Brasil teve a oportunidade de avaliar a configuração Outsider (R$ 67.990), que se vende como a aventureira da turma, mas passa longe de qualquer ousadia na terra. As diferenças em relação às outras versões estão nas barras no teto, em apliques plásticos nas laterais e na parte inferior dos para-choques e nos revestimentos internos em cores exclusivas.
As rodas de liga leve são de 14’’ e diamantadas (e com três furos, antes que você pergunte). Teto bíton é opcional e está disponível apenas para a Intense.
No Kwid 2023, a principal mudança estética está na dianteira. Com grade e para-choque redesenhados, o modelo agora traz DRL em LED na parte superior e faróis de dupla parábola logo abaixo. Não há mais faróis de neblina. O resultado é um Renault menos simpático e com mais “presença”, como diriam os jovens, seu público-alvo, aliás.
Na traseira o para-choque também é novo e tem refletores nas extremidades, as lanternas exibem novo grafismo e assinatura em LED. E no centro do símbolo da marca francesa está a câmera de ré, que vem de fábrica a partir da configuração Intense.
Por dentro, o Kwid mudou sem mudar. Pode parecer estranho, mas faz sentido. Se liga… O painel de instrumentos, por exemplo, continua pequeno, mas agora não tem ponteiros, e a iluminação é de LED. No centro está o computador de bordo com velocímetro digital. Os bancos têm o mesmo design, com encosto e encosto de cabeça em peça única e o assento estreitinho. Na versão Outsider eles são revestidos com novo tecido com detalhes em material sintético e costuras em verde Citron.
Até mesmo a central multimídia Media Evolution continua na mesma posição, porém agora ela cresceu. Com maior sensibilidade ao toque, a tela de 7’’ passou para 8’’, e o sistema se conecta a Android Auto e Apple CarPlay por cabo (tem apenas uma entrada USB).
Os plásticos duros estão por toda parte e se misturam com algumas peças em preto brilhante e outras cromadas.
Incomoda um pouco a posição dos botões dos vidros elétricos, que ficam entre a tela da central e os comandos do ar-condicionado. E por não terem a função “one touch”, é necessário ficar com o braço esticado para baixar ou subir os vidros completamente. Atrás, as ultrapassadas manivelas comandam a abertura das janelas.
Rodando, o Kwid continua… igual! O que não é um demérito, especialmente na cidade, seu habitat natural. Ele é espertinho nas acelerações e retomadas, muito pelo fato de pesar menos de 900 kg.
O motor 1.0 traz algumas melhorias, como sistema de partida a frio (sim, o Kwid ainda tinha tanquinho) e uma nova central eletrônica (ECU). Em termos de performance, o compacto saltou de 70 cv para 71 cv de potência a 5.500 rpm, quando abastecido com etanol. Já o torque pulou de 9,8 kgfm para 10 kgfm, entregues a 4.250 giros. No dia a dia, esses ganhos são imperceptíveis.
A vibração dos três cilindros é mais sentida em comparação a veículos de segmentos superiores, e o barulho quando se pisa fundo no acelerador invade a cabine. Um melhor revestimento acústico seria uma evolução bem-vinda.
O câmbio é o mesmo manual de cinco marchas. Os engates são curtos e precisos. É difícil errar uma marcha. Só poderia ser um pouco mais silencioso, também.
De todos os índices, o que mais evoluiu, sem dúvida, foi a economia de combustível. E o principal responsável é o sistema Start-Stop, que estreou nos populares em 2015 com o saudoso Fiat Uno Evolution. De acordo com a Renault, essa tecnologia proporciona um consumo até 5% menor. Na cidade, a economia passou de 10,3 km/l para 10,8 km/l, com etanol. Com gasolina, de 14,9 km/l para 15,3 km/l. Nada mau!
Impressiona a suavidade do sistema. Ao parar no semáforo, o motor desliga de uma maneira muito sutil, mas perceptível pelo fim das vibrações que ele provoca. E o propulsor volta à “vida” com agilidade, assim que, ainda com o pé no freio, se pisa na embreagem para engatar a primeira. Para os que se incomodam, é possível desligá-lo.
O Kwid 2022 é equipado com controle de estabilidade. Durante a avaliação, o sistema não entrou em ação, mas é bom saber que ele está lá para ajudar, caso necessário. E, ainda falando em segurança, os quatro airbags foram mantidos. Um diferencial.
Renault Kwid Outsider
| Ficha técnica |
| Preço: R$ 67.990 |
| Motor: Dianteiro, transversal, 3 cilindros em linha, 12V, aspirado, flex, injeção multiponto |
| Potência: 71 cv (E) a 5.500 rpm e 68 cv (G) a 5.500 rpm |
| Torque: 10 kgfm (E) a 4.250 rpm e 9,4 kgfm (G) a 4.250 rpm |
| Câmbio : Manual de 5 marchas |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e eixo rígido (tras.) |
| Freios: Discos ventilados (diant.) e tambores (tras.) |
| Pneus: 165/70 R14 |
| Tanque: 38 litros |
| Porta-malas: 290 litros (fabricante) |
| Peso: 825 kg |
| Central multimídia: 8 polegadas, sensível ao toque, compatível com Android Auto e Apple CarPlay |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 3,68 metros |
| Largura: 1,58 m |
| Altura: 1,48 m |
| Entre-eixos: 2,42 m |
| Ponto positivo: Sistema Start-Stop melhorou a economia de combustível do Kwid. Motor 1.0 SCe continua entregando bom desempenho |
| Ponto negativo: Sem ajustes de altura e profundidade da coluna de direção fica difícil encontrar a melhor posição para dirigir o hatch compacto |
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