Teste: Peugeot 2008 Griffe com câmbio automático e motor 1.6 turbo. Vale a pena comprar a versão top?
Reestilizado em meados deste ano, modelo recebeu câmbio automático de seis marchas junto ao motor 1.6 turbo flex na versão de topo, a Griffe
Por Diogo de Oliveira
Assim que chegou às lojas, em abril de 2015, o Peugeot 2008 atraiu um monte de clientes que, àquela época, já buscavam um SUV. O modelo da marca do leão era moderno, tinha personalidade, preço competitivo, acabamento acima da média e um motor 1.6 turbo (até 173 cv) no topo da gama digno de carro premium.
Só faltava uma peça: o câmbio automático. Simplesmente não havia a opção para o motor THP (Turbo High Pressure), restrito ao câmbio manual de seis marchas.
Quem não quisesse trocar marchas manualmente tinha no menu o mais fraco 1.6 16V flex aspirado (122 cv) com a velha transmissão automática de quatro marchas - a fatídica caixa AL4.
Isso acabou por fazer muitos clientes desistirem da compra e procurarem a concorrência, o que explica por quê o 2008 nunca vendeu tão bem quanto o seu potencial sugeria.
Importante dizer que não foi culpa só da falta do câmbio automático no turbo. A Peugeot vivia um momento de reestruturação após ter sua imagem arranhada por anos de sucessivos problemas em pós-vendas.
Muitos clientes viram seus veículos desvalorizarem de forma aguda. Isso começou a mudar com as linhas 208 e 2008, mas a pecha era grande.
Assim, é hora de o crossover dar a sua cartada final. A nova versão topo de linha Griffe turbo (R$ 99.990) é sempre automática, tirando de oferta o câmbio manual. Vale lembrar que a configuração também está disponível com motor 1.6 aspirado de 118 cv e sai por R$ 89.990.
A novidade chega ao país às vésperas de o modelo ganhar uma nova geração, já lançada na Europa. Por aqui, o atual coexistirá com o novo por algum tempo. O lançamento do novo 2008 no Brasil será em 2021, mas Auto News Brasil já testou o SUV compacto.
Mas por que demorou tanto? A Peugeot diz que o câmbio — fornecido pela japonesa Aisin — servia apenas aos carros médios (plataforma “C”). Ou seja, foi necessário adaptá-lo para os compactos.
O lado bom é que a pequena reforma incluiu outros ajustes. A engenharia recalibrou os conjuntos de amortecedores e molas, de modo a tornar as respostas ao volante mais apuradas.
Na prática, o 2008 reestilizado está mais firme e silencioso, com boa maciez. A carroceria preserva a sensação de firmeza e leveza em movimento, mas a direção agora apresenta um ajuste de peso melhor — antes, o volante parecia leve demais, sobretudo em alta velocidade.
Já a mecânica continua a produzir números entusiasmantes, graças à entrega quase imediata (já a 1.400 giros) do torque máximo de 24,5 kgfm. O zero a 100 km/h tomou 8,2 segundos; a retomada de 60 km/h a 100 km/h leva 4,1 s; e o consumo misto foi de 9,6 km/l com etanol.
Na pista, o Peugeot só perdeu para o irmão Citroën, ficando à frente do VW T-Cross 1.4 turbo (zero a 100 km/h em 9 s).
Embora a marca felina rogue toda a esportividade para si, o C4 Cactus fez tomadas incontestáveis: 7,6 s para chegar aos 100 km/h; 3,3 s para ir de 60 km/h a 100 km/h; e consumo médio (cidade/estrada) de 10,8 km/l, também com etanol — em que pese o fato de o Citroën ter sido testado sem controle de tração na arrancada.
A vantagem dos modelos da PSA é o preço. Enquanto o T-Cross parte de R$ 109.990 na versão Highline 1.4 TSI, o 2008 é R$ 10 mil mais barato. Pena a Peugeot não oferecer no modelo o sistema avançado de assistência à direção (Adas, na sigla em inglês), disponível no Cactus.
O pacote reúne frenagem automática de emergência com alerta de colisão, aviso sonoro de mudança involuntária de faixa e alertas de fadiga e de pausa para um café (Coffee Brake). O 2008 tem ESP, seis airbags e o sistema Grip Control, também presente no Cactus, que permite ajustar a tração (dianteira) para diferentes terrenos — um pseudo aventureiro.
Com isso, o crossover da Peugeot fica um passo atrás do irmão em tecnologia. A seu favor tem um padrão de acabamento notavelmente superior na cabine. O painel ainda encanta com o chamado i-Cockpit, embora o quadro de instrumentos seja analógico — e não em tela.
Já o console fica mais à frente, o que deixa a multimídia de 7 polegadas à mão e torna a ergonomia agradável. Há ainda teto solar panorâmico, indisponível no Cactus.
Para tirar qualquer teima dos interessados, a Peugeot oferecerá, até o fim de dezembro, as três primeiras revisões grátis para o 2008 THP automático. E a rede está pagando o valor da tabela FIPE pelo seminovo.
É pouco provável que a novidade faça grande diferença nas vendas da atual geração, mas o empenho da montadora em mudar sua imagem é louvável e parece funcionar bem.
teste
aceleração
0 - 100 km/h: 8,2 s
0 - 400 m: 15,9 s
0 - 1.000 m: 28,8 s
Vel. a 1.000 m: 183 km/h
Vel. real a 100 km/h: 97 km/h
retomada
40 - 80 km/h (Drive): 3,4 s
60 - 100 km/h (D): 4,1 s
80 - 120 km/h (D): 4,9 s
frenagem
100 - 0 km/h: 44,8 m
80 - 0 km/h: 27,5 m
60 - 0 km/h: 15,6 m
consumo
Urbano: 7,8 km/l
Rodoviário: 11,4 km/l
Média: 9,6 km/l
Aut. em estrada: 528 km
Ficha técnica
Motor
Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 1.6, 16V, comando duplo variável na admissão, injeção direta, turbo, flex
Potência
173 cv a 6.000 rpm
Torque
24,5 kgfm entre 1.400 rpm e 4.000 rpm
Câmbio
Automático de 6 marchas; tração dianteira
Direção
Elétrica
Suspensão
Indep. McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
Freios
Discos ventilados (diant.) e discos sólidos (tras.)
Rodas e pneus
205/60 R16
Dimensões
Compr.: 4,16 metros
Largura: 1,74 m
Altura: 1,58 m
Entre-eixos: 2,54 m
Tanque
55 litros
Porta-malas
355 litros (fabricante)
Peso
1.246 kg
Central multimídia
7 pol., sensível ao toque; Android Auto e CarPlay
Garantia
3 anos
Cesta de peças*
R$ 6.054
Seguro
ND
Revisões
10 mil km: Grátis
20 mil km: Grátis
30 mil km: Grátis
*Retrovisor direito, farol direito, para-choque dianteiro, lanterna traseira direita, filtro de ar (elemento), filtro de ar do motor, jogo de quatro amortecedores, pastilhas de freio dianteiras, filtro de óleo do motor e filtro de combustível.









