Teste: Toyota Yaris 1.5 hatch anda bem e é confortável, mas é pouco ousado para o segmento
Hatch segue a fórmula conservadora do Etios e do Corolla, o que garante bom desempenho e conforto, mas não surpreende quando o assunto é tecnologia
Por Guilherme Blanco Muniz
Para lançar o novo Toyota Yaris no Brasil, a montadora seguiu com a estratégia conservadora que, afinal de contas, tem garantido boas vendas ao Corolla e ao Etios. Tanto é que o compacto tem os mesmos motores do Etios, mas ganhou novos equipamentos, visual e acabamento interno inspirados no Corolla. A fórmula tem tudo para dar certo, já que o Yaris tem bom desempenho e é econômico (segundo números oficiais), mas não vai agradar a quem busca um carro com itens de série mais modernos. Confira nossa avaliação do Toyota Yaris 1.5 XLS com câmbio CVT, a versão topo de linha do hatch, que custa R$ 77.590.
Impressões ao volante
O motor 1.5 flex e aspirado é emprestado do Etios, mas com novo ajuste para render um pouco mais: 110 cv de potência e 14,9 kgfm de torque. Pode não ser muito para dar uma pitada de esportividade ao hatch, mas é suficiente para embalar os 1.150 kg do hatch com eficiência. O fôlego é bom tanto para sair da imobilidade quanto para ganhar velocidade no dia a dia da cidade. Mas, o que mais chama atenção é o bom desempenho e o conforto gerado pelo câmbio CVT de marchas continuamente variáveis.
Emprestado do Corolla, ele simula sete velocidades. Mas, exatamente por não ter trocas reais, apenas virtuais, os passageiros não sentem os trancos entre as marchas como em outros modelos. Segundo o Inmetro, o Yaris é o mais econômico da categoria, apesar
de não ter motor turbo nem sistema start/stop. Na cidade, faz 8,7 km/l com etanol e 12,6 km/l com gasolina, médias que sobem para 9,9 km/l e 13,8 km/l na estrada, respectivamente.
Nessa versão, há aletas para trocas atrás do volante, mas elas não serão muito usadas por quem busca uma tocada mais esportiva. Apesar do bom desempenho, a proposta do Yaris é ser um carro mais confortável do que esportivo. Faz parte da estratégia conservadora que eu comentei no início do texto. O ponto negativo fica por conta do barulho do motor que invade a cabine quando o motorista acelera mais forte na estrada: o CVT faz com que os giros do motor subam muito nessa situação, prejudicando o silêncio na cabine. Em
velocidade de cruzeiro, o barulho volta ao normal.
O ajuste de suspensão do Yaris lembra bastante o adotado pelo Etios, mas mais uma vez com foco no conforto. A altura do carro em relação ao asfalto é 1,3 cm mais alta em relação à do Yaris europeu, para compensar os buracos das ruas brasileiras. Os passageiros
não vão reclamar de falta de conforto em ruas mais esburacadas, ao mesmo tempo em que isso não prejudicou a dirigibilidade do carro. Falando em conforto, o espaço interno é um dos principais pontos positivos do hatch: além dos 2,55 metros de entre-eixos que
garantem bom espaço para os joelhos, o assoalho é plano. Assim, quem viaja no banco do meio tem mais conforto para apoiar os pés.
Custo-benefício
Apesar de ter bons itens de série, o Yaris poderia ter alguns equipamento mais modernos pelo preço que cobra. Entre os itens exclusivos da versão mais completa, há alguns mais e outros menos importantes. Os principais são o teto solar elétrico (cada vez mais raro em carros 0 km nesta faixa de preço), sensor de chuva e cinco airbags adicionais (dois laterais, dois de cortina e um de joelho para o motorista). Há também faróis com máscara escurecida e linhas guia de LED, lanterna traseira de LED e maçanetas externas e internas
cromadas.
Assim como outras versões, tem ar-condicionado digital, quadro de instrumentos com tela colorida para o computador de bordo, chave presencial, controles de tração, estabilidade e partida em rampa, revestimento de couro e câmera de ré. Faltam, porém, saídas de ar
para quem viaja no banco de trás e mais entradas USB para recarregar celulares.
Já a central multimídia tem tela de sete polegadas e é boa, mas tem poucos recursos. A primeira característica que chama atenção para quem conhece as telas do Etios e do Corolla é a sensibilidade ao toque, que foi muito aprimorada na tela do Yaris. A central
reage rápido aos toques na tela e não é preciso pressionar com força para que os comandos sejam aceitos. Além disso, os comandos básicos podem ser feitos por botões físicos, o que aumenta a segurança para o motorista. Mas, muitos dos recursos não são nativos,
ou seja: dependem de um celular conectado para funcionar. É assim com o GPS, por exemplo, o que irá consumir o pacote de internet e a memória do seu celular. Já Apple CarPlay e Android Auto não estão presentes nesta versão do sistema.
Vale a compra?
Sim. Em todas as versões, o Yaris consegue unir bom espaço interno e conforto para todos os ocupantes. Com motor 1.5, tem bom desempenho e baixo consumo de combustível, além do ótimo câmbio automático do tipo CVT. Mas, não é um modelo para quem quer um carro tecnológico ou com tocada esportiva.
Teste: Toyota Yaris 1.5 hatch anda bem e é confortável, mas é pouco ousado para o segmento
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16V, comando simples, injeção multiponto, flex
Cilindrada: 1.496 cm³
Potência: 110 cv a 5.600 rpm
Torque: 14,9 kgfm a 4.000 rpm
Transmissão: Automático do tipo CVT, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira e a tambor na traseira, ABS
Pneus: 185/60 R15
Dimensões: Comprimento 4,14 metros; Largura 1,73 m; Altura 1,49 m; Entre-eixos 2,55 m
Capacidades: Tanque 45 l
Peso: 1.150 kg
Porta-malas: 310 litros
Consumo (Inmetro)
Com etanol: 8,7 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada (média de 9,2 km/l)
Com gasolina:12,6 km/l na cidade e 13,8 km/l na estrada (média de 13,1 km/l)









