Avaliação: Mercedes-Benz CLA 250 Sport
Aceleramos a versão intermediária do sedã com cara de cupê, que custa R$ 187.900
Por Giulia Lanzuolo
Se você comprar um CLA hoje, terá um carro húngaro na garagem. Caso decida pela aquisição em 2015, não terá mais um veículo importado, mas um nacional. Isso porque ele será produzido na fábrica da Mercedes em Iracemópolis (SP), de onde sairão também o GLA e o Classe C. Embora a nacionalização tenha ficado para o ano que vem, a ofensiva da montadora alemã começou bem mais cedo por aqui.
As primeiras unidades do CLA 200 aportaram no Brasil em janeiro de 2014, equipadas com motor 1.6 turbo de 156 cv. Depois veio o nervoso CLA 45 AMG, com motor 2.0 turbo de 360 cv. No fim do ano, a Mercedes trouxe para cá o CLA 250 Sport, nem tão comportado quanto o 200, nem tão sem noção quanto o 45 AMG. Isso porque seu conjunto mecânico está no meio termo: um 2.0 turbo de 211 cv, que custa R$ 187.900. Levamos o sedãzinho (mas pode chamar de cupê de quatro portas) até a pista de testes para entender essa dinâmica.
Impressões gerais
A vocação esportiva do CLA 250 é evidente mesmo antes de entrar no carro. Por fora, a versão tem pinças de freio vermelhas, parte do kit AMG. Por dentro, a cor aparece nas costuras e outros detalhes estéticos. Ao volante, o sedã mostra que tem mais do que estilo para oferecer, mesmo fora das pistas. A direção elétrica assistida é pesada e opera em perfeita sincronia com o pedal do acelerador, endurecendo progressivamente conforme se pisa, mesmo em baixas velocidades. A suspensão segue a linha: durinha e com tendência a sair de traseira. Essa tendência já está presente no CLA 200, porém o 250 aposta na tração integral 4Matic, capaz de repassar rapidamente a força para o eixo traseiro em caso de necessidade. Com isso, pode meter o pé que o cupê permite despejar toda força sem medo.
Fotos: Mercedes-Benz CLA 250 Sport
Mercedes-Benz CLA 250 Sport
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Sem medo e sem desperdício. O conjunto é aliado a uma transmissão automática de sete marchas e dupla embreagem. Para os que buscam esportividade, pode parecer estranho, mas o câmbio é controlado por uma alavanca na coluna de direção, parecida com a que usamos para dar seta. Assim é liberado espaço no console para um porta-objetos, mas, curiosamente, o CLA 45 AMG não dispensa a alavanca tradicional. Seja como for, há também opção de trocas manuais por aletas no volante. Ah, o ronco está sempre presente. Hora mais estridente, hora mais discreto, desde baixas rotações. Assume um ronco metálico só mesmo em alta.
A dinâmica é muito semelhante ao CLA 200 de motor 1.6, mas o desempenho é outra história. Na pista de testes, o CLA 250 foi de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos, contra 9,3 do irmão menos potente. No teste de frenagens, no entanto, ele se saiu pior. De 100 km/h para a imobilidade, o esportivo percorreu 42,8 metros, enquanto o de menor cilindrada levou 40,3 m. Possivelmente isso ocorreu porque o modelo testado pesa 110 kg a mais. O número não é dos melhores, mas fica próximo de modelos como o Volkswagen Golf GTI, que totalizou 41,5 m.
Custo-benefício
De série, o modelo traz ar-condicionado automático digital duas zonas, volante multifuncional em couro com 12 teclas de comando e com borboletas, sensor de chuva, limpadores de faróis, bancos esportivos (com fixação Isofix), computador de bordo, sistema multimídia com Bluetooth e GPS, teto solar panorâmico, espelhos com rebatimento elétrico, retrovisor interno antiofuscante assistente de estacionamento, controles elétricos no banco do motorista e ajuste elétrico de apoio lombar. São de fábrica também airbags frontais, laterais dianteiros e para os joelhos do motorista, controle de cruzeiro com limitador de velocidade, tração integral permanende e suspensão esportiva.
O pacote é farto, mas alguns itens poderiam ser aprimorados, como o sistema multimídia, que não é retrátil, tampouco touchscreen. Vale ressaltar que, de forma geral, os comandos do veículo são pouco intuitivos. Dos controles da central multimídia à tecla de abertura do capô, mal localizada.
Um dos louros do sedã com cara de cupê é o consumo de gasolina - o CLA só vai se tornar flex no ano que vem. Na estrada, ele fez 15,1 km/l e na cidade marcou 7,5 km/l, conforme os testes da Auto News Brasil. Os números são razoáveis, sobretudo devido à boa aerodinâmica do modelo.
Vale a compra?
Com 2,69 metros de entre-eixos, o CLA 250 não se consagra como um sedã ao pe da letra, apesar dos bons 470 litros de porta-malas. Apenas quatro adultos vão com conforto, sendo que quem tem mais de 1,80 m não fica muito bem atrás. Mas ele é capaz de oferecer um estilo de carroceria inexistente em outros concorrentes nessa faixa de preço. Claro que há o Classe C com estilo mais clássico, tração traseira e maior espaço interno, pode ser uma saída. A despeito disso, o seu valor fica próximo em marcas rivais como Audi e BMW, embora traga tração integral e estilo matador. O CLA 250 vale a compra.
Ficha Técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, comando duplo, injeção direta, turbo
Cilindrada: 1.991 cm³
Potência: 211 cv a 5.500 rpm
Torque: 35,6 kgfm entre 1.200 rpm e 4.000 rpm
Transmissão: Dupla embreagem de sete marchas, tração integral
Suspensão: Independente, McPherson na dianteira e multilink na traseira
Freios: Discos ventilados
Pneus: 235/40 R18
Dimensões: Comprimento 4,630 m, largura 1,777 m, altura 1,432 m, entre-eixos 2,699 m
Capacidades: Tanque 50 litros; Porta-malas 470 litros
Peso: 1.540 kg
Números de Testes
Aceleração: 0 - 100 km/h: 7,3 segundos; 0 - 400 m: 15,3 segundos
Retomada: 40-80 km/h (D): 4,0 segundos; 60-100 km/h (D): 4,8 segundos; 80-120 km/h (D): 4,8 s
Frenagem: 100 km/h: 42,8 metros
Consumo: 7,8 km/l (urb.); 15,15 km/l (rod.)









