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Sabe quando você pisa no acelerador e o carro demora a obedecer o comando? É o que chamamos de “delay” — ou atraso na resposta. Auto News Brasil reparou que diversos modelos novos estão chegando às lojas com essa característica. É algo evidente nos Volkswagen, como Tera, Nivus e Virtus, e em menor escala no Nissan Kicks, como nossa redação constatou.

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Em grupos de WhatsApp, donos de Nivus chegam a descrever o delay como “agonizante”. Mas por que alguns carros novos pecam ao entregar sua força imediata? Auto News Brasil conversou com Erwin Franieck, especialista em motores e conselheiro executivo da SAE Brasil, e Pedro Scopino, professor de mecânica e consultor técnico, para entender sobre o assunto.

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De onde vem o delay no acelerador?

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Volkswagen Nivus Highline foi atualizado no ano passado — Foto: Murilo Goes/Auto News Brasil
Volkswagen Nivus Highline foi atualizado no ano passado — Foto: Murilo Goes/Auto News Brasil

“O que determina o comportamento [demorado ou reativo] na resposta do acelerador é o mapeamento eletrônico com base no acerto para emissões de poluentes”, revela Franieck.

A tecnologia evoluiu a ponto de os fabricantes ajustarem os parâmetros do carro diretamente na Unidade de Controle do Motor (ECU), que funciona como o 'cérebro' do powertrain. Inclusive, até oficinas de bairro conseguem extrair mais desempenho do motor de um veículo apenas com o remapeamento — ou 'remap', no termo popular.

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O especialista da SAE diz que o mapeamento determina variáveis calculadas pela fabricante: mistura de gasolina e etanol, ignição, temperatura, pressão do turbo, coeficiente atmosférico, curva de evolução de potência e torque, consumo, emissões, durabilidade das peças, entre outros. “É justamente ao regular as emissões que um motor pode sacrificar o desempenho, pois a mistura [entre ar combustível] fica mais pobre”, revela Franieck.

O consultor técnico Pedro Scopino complementa: “Em toda aceleração rápida, você acaba aumentando demais a mistura de ar e combustível. Em acelerações lentas e progressivas, se economiza combustível e diminui a emissão de poluentes”.

Em 2024, a Volkswagen confirmou que seu motor 1.0 turbo passou por remapeamento para atender aos requisitos do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve L8). Foi quando as reclamações sobre o delay começaram a surgir nas redes sociais. Por outro lado, os resultados de desempenho não mudaram mesmo com o atraso na resposta do acelerador: o Nivus seguiu cumprindo a marca de 0 a 100 km/h em 10 segundos.

Motor 1.0 TSI da Volkswagen equipa Tera, Nivus e Virtus — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Motor 1.0 TSI da Volkswagen equipa Tera, Nivus e Virtus — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Todavia, o objetivo da marca alemã foi alcançado: segundo medição no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, as emissões de poluentes do Nivus caíram de 252 mg/km para 207 mg/km com a atualização.

Entretanto, nem sempre reduzir emissões favorece o consumo de combustível, como nos revelou o especialista Erwin Franieck. Apesar da atualização, os números do Nivus ficaram ligeiramente piores.

Antes das mudanças o Nivus fazia 8,3 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada com etanol e 12,1 km/l na cidade e 14,2 km/l na estrada com gasolina. Após o remapeamento, os números foram para 8,3 km/l e 9,9 km/l com etanol, respectivamente. Já com gasolina foi para 11,9 km/l na cidade e 14,1 km/l na estrada.

“As margens para as fabricantes reprogramarem os motores ficaram apertadas [com regras mais rigorosas de emissões]. O governo deveria olhar mais para a eficiência energética”, diz Franieck.

Por fim, outras variáveis também interferem no mapeamento, como explica Scopino: “[A redução da potência] ajuda a preservar um pouco a vida útil do câmbio automático, pois quanto mais suave for a aceleração, menor tranco o que o conversor de torque irá sofrer”.

O que é o Proconve L8?

Regras de emissões de poluentes ficarão ainda mais rigorosas nos próximos anos — Foto: Divulgação
Regras de emissões de poluentes ficarão ainda mais rigorosas nos próximos anos — Foto: Divulgação

A oitava fase do Programa de Controle de Emissões Veiculares passou a valer no início deste ano. O primeiro ciclo, com regras mais brandas, considera o período de 2025 e 2026; em 2027 e 2028, a regulamentação ficará mais rígida; e o terceiro ciclo, ainda mais restritivo, se inicia a partir de 2029.

Especialistas na área asseguram que, mesmo com a adoção de uma regra mais flexível, levando em conta a média de toda a gama de produtos (incluindo os volumes de venda) e não as emissões por modelo individualmente, será impossível cumprir essas metas sem eletrificar as frotas.

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