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Manutenção de automóveis

Janelas fechadas, ar quente ligado, recirculação ativada: no inverno, essa é a configuração mais comum dentro do carro. É confortável, claro, mas esconde um problema pouco visível, já que o ar interno pode estar saturado de partículas nocivas, alérgenos e até fungos e bactérias. Quando o sistema de ventilação não recebe manutenção adequada, o ambiente fechado e aquecido favorece a proliferação desses agentes, transformando a cabine em um foco de contaminação invisível.

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Por isso, o filtro de cabine, também conhecido como filtro do ar-condicionado, ganha importância crucial nos meses frios. Ele atua como uma barreira física entre o mundo exterior e os ocupantes do carro, retendo poeira, pólen, fuligem, ácaros e outras impurezas antes que entrem no sistema de ventilação.

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Ar-condicionado não serve apenas para proporcionar conforto — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Ar-condicionado não serve apenas para proporcionar conforto — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Com isso, ajuda a preservar não só a qualidade do ar que você respira, mas também o desempenho do próprio sistema, algo essencial para evitar odores desagradáveis, falhas no desembaçamento e desgaste prematuro dos componentes.

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“O filtro de cabine tem como principal função purificar o ar que entra no interior do veículo, retendo partículas de poeira, fuligem, poluição, pólen, ácaros e outros poluentes”, explica Luiz Gustavo Vieira, consultor técnico da Tecfil. “No inverno, essa função se torna ainda mais relevante, pois é comum manter os vidros fechados por mais tempo, o que reduz a ventilação natural”, completa.

Veja mais detalhes abaixo de como o sistema funciona e como realizar a manutenção corretamente, para evitar doenças e desconfortos, principalmente no inverno.

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Sintomas respiratórios e dermatológicos em alta

Filtro sujo pode deixar o seu dia a dia com o carro mais desconfortável — Foto: Michel Corvello/Ministério dos Transportes
Filtro sujo pode deixar o seu dia a dia com o carro mais desconfortável — Foto: Michel Corvello/Ministério dos Transportes

O impacto de um filtro sujo na saúde vai muito além do desconforto. Segundo Dr. Ricardo Henrique de Oliveira Braga Teixeira, pneumologista da Omint, a má filtragem do ar pode agravar doenças respiratórias e de pele. “Filtros sujos permitem a presença de alérgenos e partículas que podem desencadear crises asmáticas e rinite alérgica. Também podem piorar a bronquite em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica e facilitar quadros de sinusite”, afirma.

Entre os efeitos dermatológicos, o médico destaca reações alérgicas na pele, como dermatite de contato, e o agravamento de condições pré-existentes. “Partículas e poluentes obstruem os poros, piorando casos de acne, eczema crônico e irritações cutâneas. Podem causar vermelhidão, coceira e inchaço em áreas sensíveis da pele.”

A situação é ainda mais delicada para pessoas imunossuprimidas ou com doenças respiratórias. “Esses pacientes ficam mais suscetíveis a bactérias e fungos presentes no sistema de ar-condicionado. Uma das bactérias mais preocupantes é a Legionella, que pode estar associada a sistemas mal higienizados, inclusive no carro”, alerta o pneumologista.

Ar contaminado afeta até a atenção ao volante

Além dos problemas físicos, a má qualidade do ar dentro do carro pode interferir na capacidade cognitiva do motorista. “O acúmulo de gás carbônico em ambientes mal ventilados pode provocar sonolência, fadiga mental e até perda de atenção”, explica o Dr. Ricardo Teixeira. “Condições inadequadas de temperatura e umidade também afetam o desempenho e aumentam o desconforto ao dirigir.”

Essa relação entre ar contaminado e fadiga é ainda mais crítica em viagens longas ou com trânsito intenso, quando o sistema de recirculação costuma ser ativado por longos períodos. Por isso, além de manter o filtro em dia, é importante permitir a entrada de ar externo sempre que possível.

O que muda no inverno?

Situação com o ar-condicionado fica mais delicada quando esfria — Foto: Getty Images
Situação com o ar-condicionado fica mais delicada quando esfria — Foto: Getty Images

Durante os meses mais frios, o filtro de cabine enfrenta condições ainda mais desafiadoras. “O uso do ar quente e da recirculação são mais frequentes, e um filtro contaminado prejudica ainda mais a qualidade do ar no interior do veículo, favorecendo o aparecimento de doenças respiratórias”, explica Diogo Rocha, coordenador técnico da Wega.

Ele destaca que existem dois tipos principais de filtros: os convencionais, que retêm partículas sólidas, e os com carvão ativado, que também eliminam odores e gases tóxicos. “No inverno, o filtro com carvão ativado é mais indicado, pois proporciona uma qualidade de ar superior e ajuda a manter o habitáculo seco, dificultando a proliferação de bactérias.”

Mesmo com o uso de bons filtros, a recomendação é que a troca seja feita com mais frequência em regiões frias e úmidas. “A umidade acelera a saturação do filtro. Por isso, em locais com clima mais severo, é ideal substituir o componente a cada três meses, ou pelo menos duas vezes por ano, mesmo em carros pouco rodados”, complementa Rocha.

Sinais de alerta e manutenção recomendada

O filtro de cabine é uma peça de desgaste, e os sinais de que está na hora da troca costumam ser perceptíveis:

  • Redução do fluxo de ar pelas saídas de ventilação
  • Odor desagradável no interior do carro
  • Demora no desembaçamento dos vidros
  • Aumento de sintomas alérgicos em passageiros
  • Ruídos anormais no sistema de ventilação

“Quando o filtro está saturado, o motor do sistema de ventilação precisa trabalhar mais, o que aumenta o consumo de energia e reduz a eficiência do ar-condicionado. Também compromete o funcionamento do desembaçador, especialmente no inverno”, explica Luiz Gustavo Vieira.

A recomendação média é trocar o filtro a cada 6 meses ou entre 10.000 e 15.000 km, o que ocorrer primeiro. “Mesmo em veículos pouco utilizados, o acúmulo de poeira e umidade ao longo do tempo compromete a eficácia do filtro”, diz o consultor.

Trocar o filtro resolve tudo?

Filtro do ar-condicionado: comparação de uma peça usada (à esquerda) com a nova (à direita) — Foto: Reprodução/Tecfil
Filtro do ar-condicionado: comparação de uma peça usada (à esquerda) com a nova (à direita) — Foto: Reprodução/Tecfil

Não. Embora essencial, a troca do filtro de cabine não basta sozinha. Os especialistas recomendam complementar com a limpeza dos dutos do sistema de ventilação, aspiração de carpetes e estofados e, sempre que possível, a higienização do ar-condicionado com produtos específicos. “Essa combinação garante um ambiente mais saudável e confortável, especialmente durante o inverno”, reforça Luiz Gustavo.

Em resumo, o filtro de cabine é uma peça pequena com um impacto enorme. Em uma estação marcada pelo uso intenso do ar quente e pela baixa ventilação, mantê-lo em boas condições é uma forma simples e eficaz de proteger sua saúde e a de quem anda com você, além de melhorar o desempenho do seu carro e até a sua concentração ao volante.

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