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Mercado

Por Thiago Tanji

Por razões óbvias, não há grandes motivos para celebrar o ano de 2020. Mas para a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), se houve um ponto menos negativo para a indústria automotiva brasileira é que o impacto provocado pela pandemia poderia ser bem pior do que o inicialmente planejado.

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Em coletiva virtual realizada nesta sexta-feira (08), o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, apresentou em números o resultado da crise econômica e sanitária e compartilhou as projeções da Anfavea para 2021. "Continuamos com certa preocupação: temos indicativos positivos, mas há desafios e é muito difícil carimbar um número de crescimento do setor", afirmou.

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Em relação ao emplacamento de veículos, 2020 só não foi pior do que 2016, ano de crise econômica e política. Foram 2,058 milhões de unidades emplacadas, uma queda superior a 26% em relação a 2019, quando 2,8 milhões de veículos foram comercializados. Ainda assim, a entidade previa resultados ainda piores durante os primeiros meses da pandemia, entre março e abril.

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A marca é pouco superior ao ano de 2006, quando o país emplacava abaixo de 2 milhões de unidades. Em seu auge, em 2012, 3,8 milhões de veículos novos foram comercializados.

O encolhimento do mercado também se reflete na produção de carros. Se em 2019 a indústria produziu cerca de 2,9 milhões de veículos, esse número caiu para 2 milhões em 2020, queda de 31,6%.

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De acordo com a Anfavea, esse é o pior resultado desde 2003: atualmente, o Brasil é apenas o 9º maior produtor de veículos do planeta, ficando atrás de países como México e Espanha. Em queda desde 2017, as exportações também retrocederam em décadas: apenas 324,3 mil unidades foram enviadas para mercados de outros países no ano passado.

Consequentemente, os empregos foram afetados: houve uma retração de cerca de 4% na força de trabalho, com 120,5 mil empregos ligados à indústria automotiva em dezembro de 2020. Vale lembrar que a capacidade ociosa da indústria é muito elevada: seria possível produzir ao menos 3 milhões de unidades a mais de veículos todos os anos.

Fábrica Fiat Brasil, linha de montagem (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
Fábrica Fiat Brasil, linha de montagem (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Hatches e sedãs puxam a queda

Com participação de 56% do mercado automotivo, os segmentos de hatches e sedãs foram os mais afetados pela crise econômica. Segundo os dados da Anfavea, houve queda de 34,6% no licenciamento desses veículos. SUVs tiveram uma queda de 11,5% e picapes, 16,8%.

Graças ao dólar em alta e à liberação de linhas de crédito, o único setor que mostrou números positivos em 2020 foi o ligado ao agronegócio: houve um crescimento de 7,3% no registro de novas máquinas agrícolas em relação ao ano de 2019.

Mercado de veículos em 2020
Porcentagem da participação de cada categoria
Fonte: Anfavea

2021 incerto

Os primeiros dias do ano oferecem sentimentos mistos em relação ao ano que se inicia: no mesmo dia que o Brasil registrou a marca oficial de 200 mil mortes por conta da pandemia de Covid-19, os resultados satisfatórios em relação ao imunizante Coronavac indicam uma possibilidade real de superar a crise sanitária.

A Anfavea compartilha desse cenário de dúvidas. Ao realizar uma "estimativa conservadora", a entidade projeta um crescimento de 15% para 2021, com 2,367 milhões de unidades emplacadas. Um número ainda bastante inferior aos anos de economia aquecida.

O olhar menos otimista se deve a diferentes fatores: mesmo com uma campanha de vacinação, as projeções indicam que a pandemia ainda se estenderá nos próximos meses, em um cenário de desemprego, pressão inflacionária e endividamento.

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