Teste: Ford Territory SEL é uma versão de entrada bem servida

Opção mais barata do SUV traz bons equipamentos, mas enfrentará uma missão difícil no segmento dominado pelo Jeep Compass

Por Thais Villaça


Ford Territory SEL tem menos detalhes cromados na carroceria (Foto: André Schaun) — Foto: Auto Esporte

Além da versão top de linha Titanium, o Ford Territory também chega às lojas na opção de entrada SEL, por R$ 165.900. O modelo perde equipamentos para justificar a diferença de preço de R$ 22 mil, claro, mas os principais pontos positivos (e negativos) são mantidos.

Em termos de design, a montadora acertou nas adaptações feitas em relação ao “irmão” chinês, que tem uma dianteira com ares de Volkswagen antigo. O SUV traz um visual mais moderno e a identidade marcante da Ford. Por fora, o SEL é mais discreto que o Titanium por ter menos cromados, especialmente nas saias laterais e nas maçanetas. O teto também não tem pintura preta.

As diferenças são mais acentuadas no interior. Sai de cena o revestimento de couro bege e detalhes que imitam madeira para dar lugar a uma cabine mais escura e sóbria, com couro cinza chumbo — mais elegante, na minha humilde opinião, além de dar bem menos trabalho para conservar limpo. No geral, o interior tem acabamento refinado e materiais macios ao toque.

SUV de entrada tem rodas menores, com 17 polegadas (Foto: André Schaun) — Foto: Auto Esporte

Apesar da lista mais enxuta, o modelo de entrada tem boa oferta de equipamentos, como teto solar panorâmico, faróis e lanternas de LED, controles de tração e de estabilidade, assistente de partida em rampa, seis airbags, rodas de liga leve de 17 polegadas (aro 18 no de topo), freios a disco nas quatro rodas, sensor de estacionamento traseiro com câmera de ré, chave presencial e central multimídia Sync com tela sensível ao toque de 10,1”, cuja única diferença é ter seis alto-falantes em vez de oito.

Teste: Ford Territory SEL é uma versão de entrada bem servida

tecnologias mais sofisticadas, como frenagem autônoma de emergência, sistema de monitoramento de ponto cego, aviso de mudança de faixa e câmera 360 graus, apenas na opção mais cara. Mas o que talvez faça mais falta seja o painel digital configurável com tela de LCD.

No SEL, os instrumentos são analógicos, e há apenas um visor de TFT central com 3,5 polegadas que mostra dados do computador de bordo, como consumo instantâneo, autonomia e monitoramento de pressão dos pneus. Além disso, a visão é prejudicada conforme o ajuste de altura do volante (ah, também não há ajuste de profundidade, como no Titanium): se você preferir posicioná-lo mais para cima, não enxergará direito as informações que são mostradas na telinha.

Painel de instrumentos é analógico, ao contrário do Titanium (Foto: André Schaun) — Foto: Auto Esporte
Já a central multimídia é a mesma da opção top de linha (Foto: André Schaun) — Foto: Auto Esporte
 Tela de TFT com 3,5 polegadas mostra algumas informações do veículo (Foto: André Schaun) — Foto: Auto Esporte

A mecânica também é a mesma. O 1.5 é forte e tem bom desempenho especialmente na cidade, apesar de demorar um pouquinho para “acordar” nas arrancadas, combinação entre turbo lag, câmbio CVT e peso avantajado. Já quando é preciso pisar fundo, o motor gira alto e o barulho invade a cabine durante a aceleração, mas, ao estabilizar a velocidade, as coisas voltam ao normal e o isolamento acústico faz bem seu papel.

Falando em peso, o SEL é 30 kg mais leve que o Titanium, o que aumenta sua capacidade de carga para 418 kg. Ainda é pouco para um carro desse porte, mas já é uma vantagem sobre a versão de topo. A suspensão é macia, sem ser mole demais, filtrando com competência as imperfeições das ruas esburacadas. É verdade que a carroceria tende a rolar em curvas, mas com o carro carregado a estabilidade tende a melhorar.

Espaço interno é um dos pontos altos do SUV (Foto: André Schaun) — Foto: Auto Esporte

O que mais impressiona no Territory, porém, é o espaço interno. O entre-eixos generoso faz com que os passageiros do banco de trás viajem com bastante conforto, com espaço amplo para cabeça e pernas mesmo que os ocupantes sejam mais altos. O porta-malas leva 348 litros, medida apenas razoável — é pouco mais que a capacidade de carga do Renault Sandero, um hatch compacto. 

Será uma missão difícil para o Territory entrar no segmento de SUVs médios que, apesar de ainda ter poucos concorrentes (faltam chegar Toyota Corolla Cross e VW Tarek, por exemplo), é dominado pelo Jeep Compass, que tem versões a partir de R$ 122 mil com motorização flex e opção a diesel na mesma faixa de preço.

Teste de pista

Aceleração
0 - 40: 2,8 s
0 - 80: 7,1 s
0 - 100: 10,3 s
0 - 120: 14,6 s

0 - 400 m: 17,4 s
0 - 1.000 m: 31,8 s
Veloc. a 1.000 m: 164,2 km/h
Vel. real a 100 km/h: 97 km/h

Retomada
40 - 80 km/h (Drive): 4,6 s
60 - 100 km/h (D): 5,7 s
80 - 120 km/h (D): 7,5 s

Frenagem
100 - 0 km/h: 41,3 m
80 - 0 km/h: 26,8 m
60 - 0 km/h: 15,7 m

Consumo
Urbano: 9,9 km/l
Rodoviário: 11,7 km/l
Média: 10,8 km/l
Aut. em estrada: 561 km

Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1.5, 16  válvulas, turbo, injeção direta, gasolina
Potência: 150 cv a 5.300 rpm
Torque: 22,9 kgfm entre 1.500 e 4.000 rpm
Câmbio: Automático, CVT com opção de 8 marchas simuladas, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: McPherson (dianteira) e multibraço (traseira)
Freios: Discos ventilados (dianteira) e sólidos (traseira)
Pneus e rodas: 235/55 R17
Tanque: 52 litros
Porta-malas: 348 litros (420 l até o teto)
Peso: 1.602 kg

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