Teste rápido: Citroën Ami é divertido, mas impraticável nas grandes cidades
Com motor elétrico de 8 cv, carrinho não passa dos 45 km/h e pode ser dirigido por adolescentes na Europa
Por Thais Villaça; de Amsterdã
Equipamento de mobilidade urbana. É assim que a Stellantis se refere ao Citroën Ami, o subcompacto da montadora francesa que vem fazendo sucesso no mercado europeu. A fabricante diz ainda que o Ami é uma alternativa de micromobilidade a scooters, bicicletas, patinetes e ao transporte público por um preço razoável - os valores variam de 7.390 a 8.750 euros (entre R$ 41 mil e R$ 49 mil), mas há planos de aluguel a partir de 19,99 euros por mês (R$ 111).
Isso significa que, apesar de ter motor elétrico, quatro rodas e uma carroceria - toda feita de plástico, aliás - ele não se encaixa exatamente na categoria “carro”, estando mais para um quadriciclo. Mesmo com essas semelhanças, há uma série de características que o diferenciam de um automóvel comum.
À primeira vista, o Ami impressiona pelo tamanho diminuto. São apenas 2,41 metros de comprimento, ou seja, ele é menor que a distância entre os eixos de um Renault Kwid (2,42 m), por exemplo. Há capacidade para duas pessoas sentadas lado a lado (e não uma atrás da outra outra como o Renault Twizy, outro carrinho que tem uma versão nessa categoria), então a largura é de 1,39 m. Já a altura é de 1,52 m.
Ele é quase um cubo, tanto que é preciso prestar atenção para saber se o veículo está de frente ou de costas. E isso ocorre porque dianteira e traseira compartilham os mesmos paineis. Até as portas são iguais. Por isso, cada uma abre para um lado.
As curiosidades se intensificam quando você entra no carro. Não há puxadores de portas convencionais, substituídos por fitas da cor laranja brilhante. Segundo a Citroën, 50% da área acima da linha de cintura é envidraçada, então a visibilidade é ampla, com um grande teto de vidro panorâmico.
Mas os espelhos retrovisores redondinhos e pequenos oferecem um desafio na hora de manobrar. Também não dá para abrir os vidros totalmente, há apenas uma abertura basculante que remete a modelos antigos, como o 2CV. O painel de instrumentos digital é extremamente simples, mostrando apenas a velocidade, o nível da bateria e o status do câmbio.
Não há alavanca, você seleciona as posições D (drive), N (neutro) ou R (ré) em um pequeno console localizado entre a porta e o banco do motorista.
Também nada de painel central tradicional com rádio e ar-condicionado, inexistentes no modelo, apenas um porta-celular para que o motorista possa ligar o navegador ou um tocador de música do próprio smartphone. Entre o volante e o para-brisa, porém, há uma espécie de bandeja com porta-copos e porta-objetos.
A posição de dirigir não é das melhores, já que há poucos ajustes no banco, que fica bem vertical. Mas, ao encontrar a melhor configuração, a simplicidade para guiá-lo impressiona. Parece brincadeira de criança.
Até por isso, na França, o Ami pode ser dirigido por adolescentes a partir de 14 anos que tenham um certificado de segurança rodoviária. Em outros países da Europa, de acordo com a legislação, o carrinho é liberado a partir dos 16 anos.
Pudera, com motor elétrico de 8 cv e bateria de 5,5 kWh para carregar seu 485 kg, o pequenino não passa de 45 km/h nem que você cole o pé no assoalho. E, ao pisar fundo, um zumbido alto invade a cabine, já que o isolamento acústico, claro, não é prioridade.
A ideia é que ele seja usado em vias mais tranquilas para as tarefas do dia a dia. Aqui no Brasil, por exemplo, talvez fosse uma solução de mobilidade em cidades de interior, sem trânsito carregado. Mas é um carro que não funcionaria para São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, até por questões de segurança - impossível rodar em uma via expressa com limite de 90 km/h com ele sem ser “atropelado” (ou ao menos muito xingado).
Para carregá-lo, basta uma tomada de 220V para restaurar a autonomia de 70 km em três horas - basicamente um smartphone que te leva para passear. Há ainda uma improvável versão cargo (7.790 euros, ou R$ 43.380), feita para rodar em locais de entrega de difícil acesso ou onde é difícil estacionar. Sua capacidade é de 140 litros ou 400 kg, além de ter uma área de armazenamento modular.
O Ami tem seu charme. Mas não é um carrinho para todos e, infelizmente, dificilmente dará as caras por aqui. Talvez com um motorzinho mais forte e alguns ajustes, poderia se tornar uma alternativa para grandes cidades, com versões mais potentes como o próprio Twizy.
O problema é que ele provavelmente ficaria mais caro e não teria a mesma facilidade no carregamento, o que necessitaria de uma infraestrutura melhor. Com a redução gradativa no preço das baterias, poderia se tornar uma febre mundial em um futuro não tão distante. Quem sabe?
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