Tesla é condenada após reduzir autonomia de carros pela internet sem avisar aos donos
Empresa foi processada na Noruega depois que atualização remota prejudicou autonomia dos veículos
Por Rodrigo RIbeiro
A Apple ficou no centro de um escândalo em 2016 quando foi descoberto que ela deliberadamente estava reduzindo o desempenho de iPhones antigos por meio de atualizações de software.
Parece que a Tesla não só não aprendeu com sua conterrânea como também foi processada após restringir a eficiência da bateria de veículos mais antigos (de propósito) — e, claro, sem avisar os seus clientes.
A briga aconteceu na Noruega, onde a justiça obrigou a fabricante americana a pagar uma indenização de quase R$ 2,5 milhões a 30 clientes que afirmaram terem sido prejudicados depois de algumas atualizações de software de seus carros.
Os modelos da Tesla, vale lembrar, têm acesso permanente à internet, o que possibilita que a fabricante monitore e modifique os veículos à distância e sem impedimento dos usuários.
De acordo com os clientes, seus Tesla Model S passaram a ter menos autonomia e carregar de forma mais lenta depois que uma atualização remota modificou o software dos carros. A fabricante confirmou à justiça local as mudanças e alegou que elas visavam "proteger a bateria e aumentar a longevidade do veículo". Uma justificativa bem similar à da Apple no escândalo dos iPhone, aliás.
A indenização será dividida entre os proprietários e o processo ainda cabe recurso. Clientes de outros países, incluindo nos Estados Unidos, também estão reclamando de problemas similares, inclusive no Model X (mais novo).
Essa é mais uma crise que a empresa comandada pelo polêmico empresário Elon Musk enfrenta. A Tesla tem sido alvo das mais diferentes reclamações, incluindo problemas de qualidade, carros montados com peças erradas e o desprezo de Musk com a pandemia do novo coronavírus.
A conexão permanente dos veículos com a internet também abriu caminho para que a Tesla adotasse outra tática discutível: oferecer itens opcionais que devem ser pagos por anuidade, como se fosse um serviço de streaming, ou após o veículo ser fabricado, mesmo que eles já tenham esses equipamentos. Para piorar, os itens devem ser reabilitados (após novo pagamento) cada vez que o veículo seja revendido.
De forma simplificada, é como ter que pagar à parte por um ar-condicionado que o carro já tem. E fazer isso novamente cada vez que o veículo mudar de proprietário.
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