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Testes de Carros

Tenho um mantra em minha vida: o segredo para evitar frustrações é ajustar as expectativas. Pode até ser papo de coach (que eu admito abominar), mas é inegável que a frase motivacional se encaixa como uma luva no Nissan Kicks 2026. Antes de a segunda geração do SUV ser lançada, era esperado que os preços ficassem entre R$ 140 mil e R$ 180 mil, uma faixa razoável para modelos com motor 1.0 turbo e imediatamente acima do Kicks Play.

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Qual não foi a surpresa (nossa e de parte do público) quando a Nissan anunciou que o Kicks 2026 partiria de R$ 165 mil, chegando aos R$ 200 mil. Afinal, até o momento, nenhuma marca pedia tanto por um carro 1.0 turbo, seja na configuração de entrada, ou mesmo na topo de linha.

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Eis que testamos o Nissan Kicks Sense, a versão básica da linha, de R$ 164.990 — mas vendida promocionalmente a R$ 159.990 por tempo indeterminado —, e mostramos se vale a pena investir o mesmo que algumas marcas cobram por opções intermediárias. No vídeo abaixo, confira um comparativo exclusivo dele contra Hyundai Creta e Volkswagen T-Cross. Mais adiante, confira nossa avaliação do novo Kicks Sense.

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Versão básica que não é um carro básico

Antes de demonizar versões de entrada, precisamos ressaltar que o Kicks Sense não parece um carro básico. Olhe para a foto acima e você verá belas rodas de 17 polegadas e molduras superiores das janelas cromadas. E se considerarmos o pacote de equipamentos, com acesso por chave presencial e faróis de LED, também não se encaixa como básico.

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Os recursos de segurança englobam seis airbags, frenagem automática de emergência, alerta de saída de faixa com correção no volante, controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e freios a disco nas quatro rodas. O pacote, sejamos francos, é um dos melhores do segmento, mesmo se tratando de uma versão de entrada.

Nissan Kicks Sense tem rodas de 17 polegadas e acesso por chave presencial — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Nissan Kicks Sense tem rodas de 17 polegadas e acesso por chave presencial — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Quanto às comodidades, itens como partida do motor por botão, sensor crepuscular e freio de estacionamento eletrônico agradam. Faltam saídas de ventilação traseiras, mas há duas portas USB-C na parte de trás da cabine. Uma curiosidade: o único ponto em comum visível entre Kicks Sense e Kicks Play são os comandos de ventilação.

Nissan Kicks Sense - painel e cabine — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Nissan Kicks Sense - painel e cabine — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

A central multimídia é nova. Tem uma generosa tela de 12,3 polegadas e conexões sem fio para celulares. Fica posicionada em uma prancha, que também acomoda o painel de instrumentos. Este, por sua vez, começa a entregar que o Kicks Sense é a opção mais barata na gama do SUV compacto da Nissan.

Em vez de uma tela com todas as informações, há dois displays: um de 7 polegadas cumpre função de computador de bordo. Outro, de cristal líquido e bem menos refinado, agrega informações de velocidade, nível de combustível e odômetro.

Volante do Nissan Kicks Sense é áspero — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Volante do Nissan Kicks Sense é áspero — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

No toque, também dá para notar que falta certo refinamento ao SUV feito em Resende (RJ). O volante é tão áspero quanto o de um Fiat Mobi. Os bancos, que acomodam bem o corpo, já tiveram revestimentos de tecido melhores no passado. O mesmo vale para o acabamento geral da cabine. Na frente, até há uma faixa emborrachada no painel e nas portas. Mas atrás, apenas material duro (inclusive no apoio de braço das portas).

Já que chegamos ao banco traseiro, vamos exaltar a maior virtude do Kicks. A nova geração cresceu consideravelmente: são 4,37 metros de comprimento (+ 6 cm), entre-eixos de 2,66 m (+ 4 cm), largura de 1,80 m (+ 4 cm) e altura de 1,63 m (+ 2 cm). Se fosse pelas medidas (e pelo preço), o Kicks poderia até entrar em um comparativo com Jeep Compass (4,40 m) e Toyota Corolla Cross (4,46 m).

Espaço interno do Kicks Sense é bom, mas a qualidade do tecido deixa a desejar — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Espaço interno do Kicks Sense é bom, mas a qualidade do tecido deixa a desejar — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Mesmo com tamanha generosidade nas dimensões, o espaço na cabine é só um pouco melhor do que o de um Volkswagen T-Cross. Isso porque a Nissan investiu pesado em aprimorar o porta-malas do SUV. O compartimento, que já tinha bons 432 litros, foi a 470 l, atrás apenas do latifúndio do Fastback no segmento de compactos. Fechando a tampa do porta--malas, vemos lanternas em forma de bumerangue, cheias de personalidade.

Porta-malas do Nissan Kicks, que já era bom, cresceu para 470 litros — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Porta-malas do Nissan Kicks, que já era bom, cresceu para 470 litros — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Ali também está a inscrição 220T, que “entrega” o coração do carro. A Nissan se rendeu aos motores turbinados e trocou o conhecido 1.6 aspirado HR16 pelo novo 1.0 turbo HR10. Se você curte siglas e tem boa memória, percebeu que é o mesmo motor do Kardian, feito pela Horse, empresa fruto da joint venture entre Renault e Geely. No caso, a Nissan é cliente.

Em números, o Kicks de nova geração teve um “salto” de potência: passou de 113 cv para 125 cv. O maior incremento, porém, foi no torque, que aumentou de 16,3 kgfm para 22,4 kgfm. O câmbio, antes CVT, deu lugar a uma caixa automatizada de dupla embreagem e seis marchas — a mesmíssima usada no Kardian. Existem duas diferenças, no entanto. A primeira é visual; não há alavancas e sim botões com as teclas P, R, N, D e M. Para trocas manuais, basta recorrer às aletas atrás do volante.

Nissan Kicks tem câmbio controlado por botões — Foto: Divulgação
Nissan Kicks tem câmbio controlado por botões — Foto: Divulgação

A segunda e crucial diferença em relação ao Kardian é que o Kicks é muito maior e mais pesado. Assim, a relação de marchas precisa ser ajustada para gerenciar melhor um SUV de 1.366 kg, cerca de 200 kg mais pesado do que o Renault. Mesmo com trocas suaves e rápidas, nesse ponto as coisas começam a ficar mais complicadas para o Nissan.

No Rota 127 Campo de Provas, o Kicks levou 11,3 segundos para ir de 0 a 100 km/h. O número é inferior ao que quase todos os SUVs compactos dotados de motor 1.0 turbo conseguem. Ou seja, o motorista do Kicks vai precisar planejar melhor, por exemplo, as ultrapassagens. As retomadas não empolgam e parece que, acima de 110 km/h, o ganho de velocidade é muito mais lento.

Nissan Kicks Sense compartilha motor com o Kardian — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Nissan Kicks Sense compartilha motor com o Kardian — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

O mais surpreendente é que, na cidade, o Kicks se mostra muito à vontade. O câmbio de relações curtas e o torque generoso fazem com que arrancadas e deslocamentos a velocidades menores sejam absolutamente ágeis. Como já acontecia no Kicks anterior, direção e suspensão se comportam muito bem, sempre voltadas ao conforto.

A vocação urbana é reforçada pelo bom consumo. Em nosso padrão, sempre com ar-condicionado ligado e tanque com gasolina, o Kicks registrou 12,1 km/l, sendo, com sobras, o melhor entre seus concorrentes diretos. Na estrada, o peso elevado e a letargia percebida nas retomadas cobra o preço, com uma marca apenas na média do segmento, de 14,8 km/l.

Nissan Kicks Sense tem visual cheio de personalidade — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil
Nissan Kicks Sense tem visual cheio de personalidade — Foto: Renato Durães/Auto News Brasil

Ainda que o preço do Kicks Sense assuste, essa versão de entrada pode ser vista como uma equivalente às intermediárias de alguns rivais — alô, Chevrolet Tracker e Volkswagen T-Cross, principalmente porque o SUV japonês tem um excelente pacote de equipamentos.

A conclusão é que, se a primeira impressão foi negativa por conta das expectativas criadas, a decepção logo vai embora ao conhecer melhor o Nissan Kicks Sense 2026.

Nissan Kicks Sense 2026 - Prós e contras

  • Pontos positivos: espaço interno; nível de equipamentos de segurança; consumo e desempenho na cidade.
  • Pontos negativos: acabamento muito simples; desempenho na estrada; ausência de saída de ar traseira.

Ficha técnica Kicks Sense 2026

Preço: R$ 164.990
Motor: Diant., transv., 3 cil. em linha, 1.0 12V, injeção direta, turbo, flex
Potência: 125 cv a 5.000 rpm
Torque: 22,4 kgfm a 2.000 rpm
Câmbio: Automatizado de dupla embreagem, 6 marchas, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.)
Pneus: 215/60 R17
DIMENSÕES
Comprimento: 4,36 metros
Largura: 1,80 m
Altura: 1,63 m m
Entre-eixos: 2,66 m
Tanque: 48 litros
Porta-malas: 470 litros
Peso: 1.366 kg
TESTE
ACELERAÇÃO
0 a 100 km/h: 11,3 s
0 a 400 m: 17,9 s
0 a 1.000 m: 32,8 s
Velocidade a 1.000 m: 159 km/h
Velocidade real a 100 km/h: 94 km/h
RETOMADA
40 a 80 km/h (Drive): 4,9 s
60 a 100 km/h (Drive): 6,4 s
80 a 120 km/h (Drive): 8,3 s
FRENAGEM
100 a 0 km/h: 39,2 m
80 a 0 km/h: 24,7 m
60 a 0 km/h: 14,2 m
CONSUMO
Urbano: 12,1 km/l
Rodoviário: 14,8 km/l
Média: 13,5 km/l
Autonomia em estrada: 710 km

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