Teste: Porsche Macan elétrico tem pé no futuro sem abandonar o passado
Porsche Macan EV mostra que a marca pode avançar no tempo sem abrir mão de sua essência
Quando a Porsche lançou a segunda geração do Macan, em janeiro do ano passado, senti que foi um passo cauteloso. Em vez de substituir completamente a versão anterior, como é comum no mercado, a marca resolveu mantê-la em linha. A justificativa oficial é a de dar opção ao comprador. A opção, no caso, é por versões a gasolina.
Isso porque o modelo mais recente, que começou a ser vendido no Brasil em novembro de 2024, é só elétrico. Hoje, quem busca um Macan a combustão terá que comprar o antigo. A decisão mostra que a indústria vive aquele momento delicado de caminhar sobre uma camada fina de gelo. É bom ir passo a passo e observar para ver se o chão não racha. Se necessário, é só voltar um pouco.
Mas a caminhada em direção a esse futuro incerto foi iniciada e precisamos ver como vai ser. Logo, fui conhecer o Macan EV para entender como a Porsche, famosa pelos esportivos, se sai com um SUV criado para ser elétrico.
A primeira impressão é sempre visual. Depois de conhecer o modelo por fotos, fui tirar minhas dúvidas ao vivo. O farol no para-choque com o DRL de LED no lugar onde deveria ser o bloco principal de luzes causa menos estranheza pessoalmente. O conjunto é harmônico e não tira a essência da Porsche com seu estilo regrado pelas linhas arredondadas.
A Porsche se preocupa com isso. Manteve as formas gerais do Macan assim como fez com Panamera e Cayenne. Nada de rupturas, e isso inclui a traseira com lanternas inteiriças cortando a tampa do porta-malas. A traseira tem queda inclinada, quase como um SUV cupê.
O SUV tem 4,78 metros de comprimento, 1,94 m de largura e 1,62 m de altura. A estrutura elétrica permitiu à Porsche empurrar os eixos para as extremidades da carroceria, deixando a distância entre eles 8,6 centímetros maior que a do modelo anterior (agora são 2,89 m), aumentando o espaço interno.
O porta-malas também cresceu. Dependendo do modelo e do equipamento instalado, a capacidade atrás do banco traseiro é de até 540 litros. Além disso, existe o chamado “frunk”, um segundo bagageiro sob o capô com capacidade para 84 litros.
Indo para a cabine, não vou gastar meus limitados caracteres para reforçar o quanto o acabamento é caprichado, exatamente como se espera de um Porsche. Prefiro listar as diferenças. O Macan agora pode ter até três telas, sendo a terceira, de 10,9 polegadas, instalada diante do passageiro e vendida como opcional. As outras duas fazem os papéis de painel de instrumentos em um belo visor curvo de 12,6” e central multimídia de 10,9”.
Chegando aos conjuntos mecânicos, há quatro versões lançadas no Brasil, com potências de 340 cv a 585 cv. Com a função overboost, que aumenta a força por alguns momentos, os números vão de 360 cv a 639 cv. Na versão topo, Turbo, o SUV chega aos 100 km/h em 3,3 segundos e alcança 260 km/h.
Em termos de autonomia, o Macan e o Macan 4 podem rodar até 443 km com uma carga; o 4S e o Turbo, por sua vez, rodam cerca de 435 km. A bateria é sempre de 100 kWh com carregamento AC a até 11 kW. O DC suporta até 270 kW.
Meu contato ao volante do Macan 4 foi praticamente rodoviário. Dou ignição na tecla ao lado esquerdo do volante. É ali que você colocava a chave nos modelos Porsche mais antigos, e agora ela é presencial. É o pé ali na tradição. Não há ronco de motor, estamos em um elétrico.
Para agradar aos eventuais puristas que colocarem um Macan elétrico na garagem, os alto-falantes podem emitir um ronco falso quando acionamos o modo Sport (sem a mesma graça de um V6). Mas a resposta do acelerador logo que entro na rodovia me faz esquecer muito rápido esse negócio de barulho.
O SUV ganha velocidade graças ao torque imediato. A versão que testei tem dois motores elétricos que, juntos, fornecem até 408 cv de potência e 66,3 kgfm. No Rota 127 Campo de Provas, o Macan levou cravados 5 segundos para ir aos 100 km/h, marca 0,2 s melhor do que a divulgada pela Porsche.
Estreando nosso teste de consumo em carros elétricos, o Macan marcou 5,2 km/kWh na cidade e 5,4 km/kWh na estrada. Da mesma forma que nos veículos a combustão, para calcular a autonomia é preciso multiplicar o consumo pelo tamanho do tanque — nesse caso, o banco de baterias de 100 kWh. O alcance nesses dois cenários seria de 515 km e 540 km, respectivamente.
Ao volante, a suspensão equilibra conforto e esportividade. A primeira parte deu para sentir quando entrei em uma via estreita com piso de paralelepípedo. É como andar no asfalto, com pouca vibração. O barulho de rodagem só é audível pelo silêncio do motor. Nessa versão não há eixo traseiro esterçante, mas confesso que a estabilidade do carro impressionou quando comecei a dirigir de forma mais dinâmica.
Já no fim do percurso, me perguntei se o futuro será assim. Difícil cravar, pois a própria Porsche colocou apenas um pé na fina camada de gelo. Um fato novo é que versões a combustão estão sendo cogitadas, já que a venda de elétricos tem caído na Europa. Talvez, um passo atrás seja necessário.
Pontos positivos: Desempenho e autonomia reais são melhores do que os números oficiais
Pontos negativos: Macan a gasolina só está disponível na geração anterior (por enquanto)
Porsche Macan 4 EV
| Teste |
| ACELERAÇÃO |
| 0 - 100 km/h: 5 s |
| 0 - 400 m: 13,2 s |
| 0 - 1.000 m: 23,9 s |
| Vel. a 1.000 m: 222,5 km/h |
| Vel. real a 100 km/h: 98 km/h |
| RETOMADA |
| 40 - 80 km/h (Drive): 2 s |
| 60 - 100 km/h (D): 2,4 s |
| 80 - 120 km/h (D): 3,1 s |
| FRENAGEM |
| 100 - 0 km/h: 38,9 m |
| 80 - 0 km/h: 24,1 m |
| 60 - 0 km/h: 13,4 m |
| CONSUMO |
| Urbano: 5,2 km/kWh |
| Rodoviário: 5,4 km/kWh |
| Média: 5,3 km/kWh |
| Aut. em estrada: 540 km |
Porsche Macan 4 EV
| Ficha técnica |
| Motores: Dianteiro e traseiro, elétricos, síncronos, ímãs permanentes |
| Potência: 387 cv (408 cv no Overboost) |
| Torque: 66,3 kgfm |
| Câmbio: Transmissão direta |
| Bateria: 100 kWh (íons de lítio) |
| Autonomia: 443 km (Inmetro) |
| Carregamento máx.: 11 kW (AC) e 270 kW (DC) |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Independente, multilink |
| Freios: Discos ventilados |
| Pneus: 235/55 R20 (diant.) e 285/45 R20 (tras.) |
| Porta-malas: 540 litros (fabricante) |
| Peso: 2.330 kg |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 4,78 metros |
| Largura: 1,94 m |
| Altura: 1,62 m |
| Entre-eixos: 2,89 m |
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