Que tal comprar um Porsche 911 da polícia?
O esportivo ano 1982 de 204 cv serviu na unidade de elite da polícia holandesa, mas o preço pode ser acima de meio milhão de reais
Por Redação Auto News Brasil
Os Irmãos cara de pau bem tinham razão. Não há nada como um carro de polícia, com suspensão de polícia, motor preparado de polícia e por aí vai. Porém, seguramente os personagens do filme de mesmo nome de 1980 trocariam seu Dodge Monaco 1974 da corporação por esse Porsche 911 SC da polícia holandesa. O modelo 1982 vai a leilão pela casa britânica Coys em evento que será realizado no próximo dia 6 de setembro no castelo de Hedingham, em Essex, Inglaterra. Mas o preço está longe de ser amigável, a leiloeira espera arrecadar entre 80 e 100 mil libras esterlinas, algo em torno de 450 e 560 mil reais.
A cifra digna de caveirão tem sua razão. O esportivo serviu ao grupo de elite Rijkspolitie (SAS), o BOPE deles. Criado em 1962, o grupo se valia tradicionalmente do 911 para patrulhar as recém construídas autoestradas locais, uma tradição que foi até 1994. A missão era patrulhamento e interceptação. Levar prisioneiros no banco de trás estava fora de questão, os grupos de direitos humanos talvez chiassem ao ver o aperto dos suspeitos.
Lançado em 1978, o Porsche 911 SC recuperou a sigla usada pela primeira vez pelo antecessor 356 SC. A grande novidade era o motor maior 3.0 com injeção eletrônica K-Jetronic, que inicialmente gerava 180 cv, mas que chegava aos 204 cv a 5.900 rpm no modelo anunciado. O torque de 27,2 kgfm a 4.300 rpm permitia cruzar a ritmos elevados sem desgaste. Mas cadê a preparação? Ora, com apenas 1.160 kg, o 911 SC ia aos 100 km/h em 6,8 segundos e chegava aos 233 km/h de velocidade máxima. Mesmo original, era capaz de roçar para-choques com quase tudo que andava sobre quatro rodas.
A escolha da carroceria Targa era incentivada pela própria Porsche, que desenvolveu suportes especiais para o modelo. A barra que dava nome ao cupê com teto central removível servia de plataforma para luzes auxiliares e facilitava até a movimentação do policial que ia no carona. A Porsche desenvolveu versões policiais do 911 e 912 Targa desde o lançamento e desejava vender o carro até para as forças policiais americanas, que continuaram adeptas aos Dodge, Chevys e Fords, para a alegria dos Blues Brothers.
Com chassi número 140870, o primeiro dono foi o departamento de alta velocidade da polícia. O acabamento é de época, com um vermelho facilmente identificável sobre a cor branca. Esse 911 SC 3.0 foi restaurado meticulosamente, do interior preto brilhante aos equipamentos do esquadrão, que incluem sirenes, alto-falantes e luz de parada logo na traseira.
Aí que entra uma curiosidade. O procedimento padrão quando um carro de patrulha recebe baixa da força na Holanda, é de remover todos os acessórios e exportar o veículo. Tudo para garantir que nenhum civil holandês vá dirigir um carro com placa de polícia.
Mas este carro específico foi exportado para a Itália, onde foi pintado de marrom em nova vida civil. Cuidado por apenas um dono, em 2014 o 911 SC Rijkspolitie foi trazido de volta ao país baixo e restaurado ao estilo original. Para confirmar a sua autenticidade, há um certificado do próprio fabricante e também uma carta da polícia local confirmando a ficha do 911 SC.









