Ford Ranger Storm: primeiras impressões
Nova versão intermediária tem visual aventureiro e agrada por oferecer bom pacote de itens de série em uma faixa de preço abaixo da média.
Por G1
Na indústria automotiva, é bastante comum que versões especiais, que se diferenciam das demais apenas por detalhes estéticos, custem mais do que as opções “convencionais”.
Por essa razão, chega a ser um alento ver que os R$ 174.890 pedidos pela Ford na nova Ranger Storm ficam longe dos quase R$ 220.000 da versão topo de linha, Limited. Por outro lado, é preocupante perceber que o preço do modelo na época do lançamento, 5 meses atrás, era R$ 150.990.
É claro que essa diferença de preço da Storm para a Limited se traduz em concessões de itens de conforto e segurança. Mas nem de longe a Ranger “aventureira” é espartana.
Antes de falar do que ela tem e do que não tem, é preciso entender a proposta dessa configuração.
Quem visitou o estande da Ford no último Salão do Automóvel provavelmente se lembra de uma picape conceito cheia de adereços para encarar trilhas, pneus lameiros e pintura em dois tons. Era o “embrião” dessa picape azul das fotos.
Pretinho básico
Ainda que parte do arrojo visual tenha ficado pelo caminho, a versão definitiva da picape manteve a grade com a enorme inscrição Storm no lugar do símbolo da Ford. O oval azul, em tamanho menor, foi deslocado para cima.
Os pneus para trilha deram lugar aos de uso misto, que já ajudam na hora de encarar caminhos mais difíceis.
Já os apliques plásticos das caixas de roda, as maçanetas e as capas de retrovisores continuam pintados em preto, mas foram simplificados, e perderam o acabamento brilhante da versão conceitual.
O pacote ainda fica completo com adesivos, faróis e lanternas escurecidos, rodas pretas e um santantônio exclusivo para essa versão.
Falando assim, parece que o visual fica exagerado, mas a Ford soube combinar bem os elementos, e a aparência é menos chamativa do que a rival direta Nissan Frontier Attack ou mesmo do que a “pseudo-esportiva” Toyota Hilux GR-S.
Muita força, pouco jeito
A Ranger também se sai melhor do que suas rivais na hora de acelerar. Ela herdou das versões mais caras o ótimo motor de 5 cilindros e 3.2 litros, que entrega 200 cavalos e 47,9 kgfm, e está acoplado à transmissão automática de 6 marchas.
Com esse conjunto, vem a tração 4x4, que tem um seletor para alternar entre 4x2 (condições normais), 4x4 ou 4x4 com reduzida. Ainda há bloqueio de diferencial traseiro.
Os 200 cv colocam a picape da Ford entre as mais potentes da categoria, perdendo apenas para a Volkswagen Amarok V6 e a Toyota Hilux V6 (que é movida a gasolina).
O desempenho, então, não poderia desapontar. Mesmo com seu corpanzil de 5,35 metros de comprimento e os mais de 2.200 kg, a Ranger mostra desempenho e nível de ruído em doses diretamente proporcionais. Menos mal que o motor de 5 cilindros tem um ronco gostoso de se ouvir.
Só que toda essa força poderia ser entregue de forma mais linear. A crítica já havia sido feita no lançamento da linha 2020, há pouco mais de um ano. O acelerador tem respostas bruscas. Se o motorista pressiona pouco, a picape não vai. Ao aumentar um pouco a força no pé, o resultado é um tranco mais forte.
Isso é algo que o motorista acaba se acostumando, mas em manobras ainda é um pouco difícil acertar o pé. Ao menos a Ranger compensa oferecendo auxílios como sensores e câmera de ré. Além disso, a direção com assistência elétrica — algo raro entre picapes maiores — é bastante leve.
Nessa configuração, a Ranger também traz um acerto de suspensão aprimorado na comparação com a unidade avaliada em 2019. Os pneus de uso misto, mais resistentes, não prejudicam o conforto na cabine, mesmo rodando na cidade.
Não faz feio
A vida de quem viaja a bordo da Ranger é agradável. Ainda que o estofamento seja de tecido, e não couro, os bancos são confortáveis, mesmo para quem vai passar longas horas viajando.
De forma geral, o acabamento é simples. As superfícies apresentam poucas variações de plástico duro, enquanto praticamente todas as peças são pintadas de preto.
Se a monotonia do interior pode entediar, a jornada promete ser harmônica entre ocupantes friorentos e aqueles mais sensíveis ao calor. Mesmo a Storm não sendo a versão topo de linha, o ar-condicionado oferece duas zonas de ajustes de temperatura.
A central multimídia também foi herdada das opções mais caras. O aparelho, que tem tela de 8 polegadas tem uma das operações mais amigáveis do mercado, e oferece espelhamento de celulares via Android Auto e Apple CarPlay.
Outro item interessante para uma picape intermediária são os 7 airbags. Além dos frontais, de série, a Ranger ainda entrega bolsas laterais, de cortina e para os joelhos do motorista.
Controles de tração e estabilidade, de oscilação de reboque, anticapotamento e de descidas são outros recursos de segurança oferecidos pela picape da Ford.
Fora isso, o pacote ainda inclui vidros e travas elétricos, computador de bordo com duas telas de 4 polegadas, controle de velocidade de cruzeiro e faróis de neblina.
Em relação a XLT, que custa R$ 201.990, a Ranger Storm fica devendo acendimento automático dos faróis, sensor de chuva, bancos de couro, rebatimento elétrico e indicadores de direção nos retrovisores externos, apliques cromados, rodas de 18 polegadas e retrovisor interno antiofuscante.
Conclusão
A versão Storm pode ter demorado quase dois anos para ter sido lançada. Porém, com essa nova configuração, a Ford acertou em cheio, arrumando um bom problema para ela mesma.
A Storm custa R$ 2 mil a menos do que a XLS 2.2 (R$ 176.890). Só que tem o mesmo nível de equipamentos, um visual mais interessante e principalmente um motor mais forte.
Aliás, a dor de cabeça deve ser generalizada para as concorrentes da marca do oval azul.
Sem o mesmo apelo visual, a S10 LT (R$ 187.590) também extrapola na etiqueta de preços. Por fim, não é possível levar a sério a Hilux GR-S. Mesmo tendo alguns equipamentos extras, ela tem conjunto mecânico inferior. O pior é que custa absurdos R$ 58.700 adicionais. Com a diferença, é quase possível comprar um Ka 1.5.









